Porto Alegre, 6 de julho de 1999.

Hola Camaquã, que tal?!

Pois cheguei despacito agorinha mesmo de Camaquã, donde passeei uma barbaridade.

Quem for da região, vai se deliciar (he, que marrequice! vou trocar pra "vai se enfezar") aos ver as fotos da região.



Júnior, el Petiço Plateado

Pos desta vez, como o pingo Lafayette estava trocando as ferraduras, tive que ir no Júnior. Júnior é um petiço plateado que andava precisando duma tropeada, de tal forma que peguei o bicho e me larguei campo afora até as bandas do Camaquã.

Júnior, El Pingo Plateado

Vai lendo e tu vais te interando e me acompanhando no meu passeio.

Saímos, eu e o animar, como de sempre, de manhazita. Hoje foi um dia buenaço, daqueles escolhidos por Deus para acompanhar um vivente trabalhador como eu, que se lasca numa 3a-feira até o cartório de Camaquã, depois para a casa do Seu Barbosa Lessa e depois um agradável passeio pela região chamada de Bonito. Foi um dia frio, uns 12 graus na escala de fiasco.

Hão de ver pelas fotos que cruzei pelo morro que indica que estamos próximos de Barra do Ribeiro; mais adiante o Restaurante das Cucas, tradicional point paradouro gaudério dos viajantes; loguito a esquina de Tapes, donde prum lado se vai pra esta cidade, e pro outro para Sentinela do Sul - antigamente chamada Vila Vasconcellos, e aí estou em casa, pois era onde moravam meus avós.



Camaquã

Pois Camaquã continua tal qual se quedó há muito tempo atrás.

Tranqüila, com apenas uma sinaleira (ou semáforo?), movimento agradável de gente buena cruzando a cidade - que não é lá muito pequeña não-, e deve de ser uma cidadezita buena pra se viver, pois parece que tem de tudo, até revelação de filme em 1 hora.

(Quem é da terra mate a saudade vendo a Sociedade Recreativa Alvorada, que este taura fez questón de fotografar.)

Ah, e uma coisa que me surpreendeu, foi a quantidade de indústrias arrozeiras no caminho pra cidade. Oigalê, que o arroz é mantenedor destas pradarias, juntamente com o fumo.



A Venda do Seu Roque

Eu, depois que dei aquele abraço no seu Ernani, patrão do cartório, gente finíssima, da mais pura cepa de hospitalidade gaúcha, me larguei pras bandas da casa do seu Barbosa.

Tive a precaução de ligar antes para ele, pedindo permissão e conversei com o filho do mesmo, Guilherme, que me deu o mapa da mina (de sabedoria), o qual reproduzo aqui.

Larga pros lados da subestação da luz, vai pela vila Aurora, pega as esquerda, estrada geral, plaquita do lado direito indicando que deves ir pro Barbosa Lessa, mais adiante chega no seu Roque.

Se chegou no seu Roque, uma venda tradicional que tem na região, é por que passou da entrada do Seo Barbosa. Eu não, que fui de propósito no homê chulear um almoço, na venda do seu Roque.

Pois almoçei lá mesmo. Enquanto esperava a patroa do bolicheiro fazer a comida, ouvia uma gringada de polmeranos (ou sei lá como é), falando num dialeto alemão pelali. Seu Lessa me disse que na várzea (do lado de lá da BR) o pessoal é português, mas do lado de cá é gringo alemão e regiões próximas.

Almoçei bem. Eu, um vendedor da Souza Cruz e um cruz-credo. Um baaaaaaaaaaaita pedaço de carne na mesa de deixar cachorro babando de fome. Por R$ 5 comi e ainda sorvi uma Coca-cola, que esta está em tudo quanto é canto e tapera destes pagos.

Seu Roque não quis tirar foto comigo, por que disse que não me conhecia. Ola, índio xucro, seo. Se fez de besta e eu também, lasquei uma imagem da venda do home, disfarçando que acarcacava o pingo Júnior.

Júnior na frente da venda do Seu Roque



Meu Ídolo Maior, BARBOSA LESSA

Depois de embuchado, resolvi ir até seu Barbosa.

Ah, o encontro de um fã com seu ídolo é uma coisa de tremer palheta.

Desci uma ribanceira com o Júnior que acho que nem o Lafayete desceria. O petiço, que é bicho novo e matreiro, foi jogando cancha e se desceu folgado até lá embaixo.

Chegando no rancho, apeei e desci. Perguntei donde é que estava seu Barbosa pro gringo que faz erva-mate na casa.

E eis que me vem chegando o taura, o criador do MTG, o historiador dos pampas, num passo tranquito e seguro.

Simplezito, informal, me foi logo dando um abraço.

Dos seus 70 anos cravados, ele permanece lúcido e esperto uma barbaridade.

Primeiro, fizemos um giro pelas propriedades.

Vi a queda de água que tem, onde ele cobra R$ 10 de ônibus, R$ 5 de carro e R$ 1 de moto para chegarem, se estabanarem pelas terras dele e tomarem banho à vontade. É uma belezura o local. (Ele cobra esse valor pra contratar uma petizada pra limpar o local depois que a boiada vai se embora, pois ele acha um disparate não compartilhar este pedaço de paraíso com o povo).

Depois vi sua fábrica de erva-mate (dele não, da patroa!), sua biblioteca no meio do mato (meus olhos brilharam ao ver tanta cultura e história armazenadas), e se fomos a tomar um café dentro da casa do home.

E sabe que ele não dispensa as modernidades: tem micro-ondas e celular, junto com uma penca de coisas tradicionalistas.

Joguei conversa dentro (que com este homem nada se perde, nada se joga fora) e me fui embora, extasiado do encontro. Mas é claro que registrei bastante cousa nas fotos da casa do homê e tudo. As fotos tu vês aqui mesmo, no final da seção, e a descrição da minha conferência com o sabe-tudo, em Site Oficial do Barbosa Lessa, seção Comentários do Roberto Cohen, láááá embaixo, procura direito, diacho!



Wonderful land: Campestre, em Bonito

Me fui para o Bonito, especificamente um local chamado Campestre, que me disseram era lindaço. Pra chegar lá, passa pelo cemitério Santana, passa pela escola municipal Avelino Boeira, cruza a venda do seu Alair Jorge Vieira - que tem uma placa de Pampagás na frente -, e se quebra pelas esquerda.

Quando olhar um paraíso, com arvoredo à beira dum corrégo (ou açude?), e mesas pra churrasquear, OIGALÊ!!!! Freia o bagual por que tu já chegaste!!!!

Fiquei ali ouvindo o riacho murmurando, a passarinhada fuchicando no topo das árvores, o calor do sol batendo flaquito um bom tempo.

Ah, que a vida no campo, no sumidouro do tempo, longe da buzina e da televisão, tem um baita dum valor.

Pra ficar completo, precisava encontrar uma Boa Pedra, e o carinho duma prenda e eu teria sido, naquelas paisagens perdidas, mirando o pasto e a inocência bucólica daquela terra, o mais feliz dos carreteiros. Opa, e não esqueçamos o mate!

O lugar é lindaço e, quem tiver oportunidade, vivencie esta poesia que é o campestre. Le juro, não há de se arrepender.

Bom, que o dia já ia se findo, e trepei no estribo, esporeei o Júnior e saímos a galope pela estrada de chão afora, numa topada das de dar gana, a deixar a boca do animal babando de tanta correria e, chegando em Porto Alegre, já amaciei a puxada, dando rédeas pro bicho vir num trote bem mansito pra dentro da porteira.

E essa é mais uma história que chegou ao fim (plagiando Teixeirinha no Tordilho Negro).

Por último, mas não menos importante, duas recomendações:

1. Visite o site do >Barbosa Lessa, em especial leia meus comentários lá.

2. Veja as fotos, que são umas belezuras.

Hasta la vista, compadre, irmazita!!!

Um baaaaaaaaaaaaaaita abraço

Cordialmente

Cohen