OS CAVALEIROS DOS AUSENTES



Unidos por fortes laços de amizade, trançados da infância até a época de faculdade, e pelo desejo incontido de beber distâncias e desvendar caminhos, um grupo de amigos nascidos em Bom Jesus-RS, desgarrados do pago, decide realizar um encontro diferente. Ao invés de um simples almoço de domingo, jogo de cartas ou futebol, viabilizou-se uma cavalgada.

 

 

 

O local escolhido: Os campos de São José dos Ausentes, no extremo mais nordeste do Estado, no ponto mais elevado do Rio Grande, onde o verdor das coxilhas, as grotas e os chapadões possuem perfeita simbiose com os mangueirões de pedra, os corredores e os fogões campeiros dos habitantes da região; onde a viração, os cerros e os peraus geram uma profunda sensação de respeito à grandeza e à força da natureza.



"Sobre as nuvens"

Os geadões de renguear cusco, a neve e a cerração reforçam ainda mais este sentimento e interrompem abruptamente a rotina diária da cidade grande, demonstrando total indiferença aos nossos problemas comuns.

 

  

Nas palavras de Sebastião Fonseca de Oliveira, "em São José dos Ausentes, o recanto da cerração, estão as mais altas nascentes de águas claras do Estado. Os aproximados 70 Km de paredão da serra geral, os capões que guardam segredos, as araucárias topetudas, e a vegetação da quina dos peraus barbados de musgos multicoloridos formam cartões postais. As taipas das vetustas mangueiras de pedra e divisas de fazendas bordadas de musgos brancos, e as tronqueiras e palanques crinudos de musgos amarelo-acinzentado, cernes das mais nobres madeiras da variada vegetação serrana, compõe um poema vivo, à espera de um recitador".

 

Aqui um acidente geográfico único, os rios Divisa e Silveira
correm quilômetros paralelos com um desnível de 30 metros.

 

Mais recentemente, junto com as trutas arco-íris que já povoam os rios, surgiram dois novos assuntos nas rodas de mate da região - Consciência ecológica e vocação turística – e isto tudo potencializa Ausentes para o novo milênio, não através da explosão de um turismo de massas, mas pelo fascínio que traz às pessoas de sensibilidade.

 

Cachoeirão dos Rodrigues

 

Tão significativo foi o sucesso do evento que logo foi realizada a segunda cavalgada; e na terceira, ocorrida neste mês de maio, decidimos batizar o grupo de Cavaleiros dos Ausentes e dividir os sentimentos e as imagens dos encontros com o mundo todo, através da web.

Numa pausa para o almoço,
a gaita do Olivio Rodrigues e do Marcelo Burigo

 

A cama de pelegos nos galpões, a carne gorda e o bater de cascos nas pedras dos riachos são lembranças que não cessam e induzem à realização da próxima Cavalgada.

Quem viveu esta experiência trouxe nos ouvidos acordes de gaita e poesia, na boca o gosto da cachaça dos borrachões e nos olhos a lonjura imensurável do horizonte.

Inesquecível !


Por Rodrigo Canani Medeiros e João Victor de Oliveira, Cavaleiros dos Ausentes

A logística das cavalgadas foi viabilizada por dois índios campeiros barbaridade, Aécio Boeira e Juscelino , que recentemente montaram a Querência do Ibitimbó – Turismo equestre .

A Prefeitura Municipal de São José dos Ausentes é exemplo nacional de incentivo ao desenvolvimento regional sustentado. Atende pelo fone 054 2371100 e 2371144, na pessoa do Prefeito Carlos Antônio Búrigo, um dos Cavaleiros dos Ausentes.



Oigalê tchê, texto copiado integralmente
por este tal de Roberto Cohen, mantenedor
da Página do Gaúcho em 26/06/99 deste século XX.