
| Sant'Ana do Livramento / Rivera | |||
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Livramento, 10 de abril de 1998.
Grande companheiro César Augusto!
Bueno, tô aqui em Sant'Ana do Livramento, terra do nosso amigo Zé Fernando - lembra do casamento dele?! - pra te contar as novidades.
Quero ver se faço uma descrição bem buena da nossa viagem, os preços, hotéis, etc e tudo mais pra quando tu vieres para cá teres uma idéia de como estão as cousa.
De antemão, vou te avisando que lá no final da carta tem uma sequência de fotos para te lembrares do amigo aqui e desta terrinha buena.
Despencamos pra Sant'Ana no meu Santana Lafayete (é o nome dele, lembra do cachorro amigo de Napoleão no desenho "A Dama e o Vagabundo?") 5a-feira bem de manhazita. Eram umas 05:00 e foi uma briga tirar a turma da cama, mas después (mira que estoy com um sotaquito castija) a viagem foi muito boa.
Se tu ainda te lembras, Livramento está a uns 495 kms de Porto Alegre, na fronteira com o Uruguay (é com Y, como eles gostam), e se vai por uma estrada excelente, exceto por uns buracos perto de São Gabriel.
Bueno, tinha uma neblina desgraçada e ao mesmo tempo gostosa. Quem vai para a Inglaterra ver o FOG, tem que viajar por estes pagos daqui. E a temperatura estava uns 15 graus; tava bom na madrugada. Depois de uma hora de viagem, resolvi ligar o ar condicionado, pois a patroa - do meu lado - estava toda encarangada e encolhida. Bagual, quase apanhei naquele carro!!! Queriam saber porque eu demorara tanto a ligar este treco e as deixara sofrer tanto, com frio nos pés, pernas, etc. Eu disse: "sou guasca acostumado à lida do campo, este friozito daqui só me faz cosquinha :-)" .... hehehe, não colou...
Ir praquelas bandas da fronteira é reviver o passado de lutas e guerras contra os castelhanos. Na viagem, coxilhas e mais coxilhas formavam uma paisagem belíssima. Ota, que cousa de louco. Ver aquela boiada toda pastando, seus couros malhados, brancos, etc. Os riachos, banhados, sangas... Ver a natureza imponente, verde, forte. E tu aí, como eu, atrás deste microcomputador a semana toda, hêin?!
Bom, como sempre, fizemos uma estirada de 330 kms até o posto Batovi, na entrada de São Gabriel. Ali é limpo, a massa do pastel de primeira - RECOMENDO - e o posto ainda oferece prêmios para quem abastecer 150 litros (hehehe).
Mais adiante, já na "faixa" que vai para Livramento, passamos por uma cancha reta, que se tu ainda te lembras, é um retão com cercado de uns 100 a 200 metros que o pessoal aposta carreiras a cavalo. Buenaço barbaridade, mas era quinta-feira e não tinha nada de más. Mais adiante, dois gaúchos a cavalo passeando pelo pampa, no alto de uma coxilha. Lembrou "O Monarca das Coxilhas".
Aos pouquinhos já vamos nos aproximando da cidade... Percebemos logo quando o rádio já começa a pegar as uruguaias, com o español cantado.
De prima, vamos logo atravessando a fronteira sem rodeios. Ali basta atravessar uma rua. Numa calçada é o Brasil, na outra o Uruguai. mas vê as fotos lá no fim que tu vais te lembrar melhor.
Dentre as opções de hotéis, ficamos com o Uruguay Brasil. A grande vantagem é que ele está bem no CENTRO do comércio, o que significa que a gente pode comprar um pouco, descarregar e voltar às lojas. Já quem fica no lado brasileiro, vai ter que caminhar umas boas 5 quadras se estiver no meio do comércio. O telefone dele é 00598-62.23068 / 24012 / 23129 / 31403 e ele tem GARAGEM embutida no preço!!! Custou R$
120 a diária para para 4 pessoas.
No hotel, depois do primeiro dia, em que as arrumadeiras deram um trato no quarto, sumiu o tapete do banheiro! Mas tchê lôco, sabe onde elas enfiaram o dito? Na janela do banheiro pra secar :-)
O café da manhã não é buffet, como costuma ser no Brasilis. O castelhano vem lá do fundo com uma bandeja abarrotada de suco de laranja, mais pães, geléia, queijo, salame, manteiga, etc. Larga tudo na mesa; tu fica até meio assustado. Daí daqui a pouquito vem ele de novo com o bule do leite e do café querendo te servir.
Ah, outra coisa: te recomendo o bar que tem na frente do hotel, chamado Bar Americano. Eles abrem às 17:00, tem uma portinha só pra rua, donde esparramam umas 150 mesas e cadeiras na calçada. E uma pizza, com cerveja, refri pras crias e tudo mais custa... R$ 13!! Mas bah!
Pois eu bebi um rio cheio de Norteña por aqui. E naquelas garrafas de um litro.
A grande sensação em Rivera são as bebidas alcoolicas, perfumes, tênis e relógios. Tem mais eletrodomésticos e um monte de coisa, mas bem diferente do Paraguai. Lá no Paragua é uma sujeira só, aqui é coisa de primeiro mundo... deve de ser como em Punta del Este.
O comércio aqui está todo centralizado na Rua Sarandi e suas transversais. A maioria das ruas são limpas, SEGURAS, sem pedintes e mendigos, nem cachorros na calçada. O horário normal das lojas é das 08:30 as 12:30 e depois das 14:00 até 19:00. Claro, sábados, feriados eles não fecham e dão uma máquina para vender tudo!
Quase todas as lojas são informatizadas, para um rápido atendimento. Pedem a tua carteira de identidade, pois como é uma zona franca, os próprios uruguaios não podem comprar coisas aqui, mas podem entrar nas lojas e pedir para brasileiros comprarem :-). Aceitam alguns cheques do Brasil, cartões de crédito e reais, ao vivo. (Só entre nós dois: as atendentes trabalham todas de saias e elas tem pernas longas e sinuosas... É de ficar no comércio mesmo, :-) Me segurei pra não ultrapassar a cota, que eu não sei quanto é :-) Algumas especiais dicas: Na Sarandi 478 tem uma loja de uma senhora gringa que vende uns ponchos e capas femininas excelentes e... baratas!!! Um poncho começa por R$ 35 e tem outros forrados, especiais de primeira pra qualquer friozão por R$ 150. Mas não passa nada, nem água!! A respeito da cidade: ela é muito pitoresca. Quase toda arborizada, em especial com cinamomos; aqui não tem asfalto, é cimento no piso das ruas; a quase totalidade das casas não tem jardim na frente, é direto a porta na calçada; quase todas as quadras possuem bancos de jardim (hehehe) na calçada para o pessoal matear um chima de tardezinha; são casas na maioria beeeeem antigas. Outro hábito deles é a micro-cuia, assim batizado por mim. É uma cuia de uso pessoal, diferente das nossas aqui no Rio Grande. É uma coisinha do tamanho de uma maçã - das nossas, não as argentinas. O povo se mostra bem cordial e gentil e acho que não é só por causa da grana que os brasileiros trazem: acho que é por educação mesmo. Tem uma infinidade de vespas, lambretas, scooters e mobiletes por aqui. Todo mundo usa, parece que estamos em Tokyio.
Tem esta daqui também, que todas as noites regava minha goela :-) com um sabor pra lá de especial! Na hora do rango, quero te recordar alguns termos para que não passe o trabalhão que passamos:
Pra ti que gostas de produtos gaudérios como eu, recomendo em Livramento:
![]() Tchê cumpadre, em maio vamos a Pelotas. Vamos dar uma explorada na cidade que foi durante muito tempo o cenário econômico e cultural do Rio Grande. Terra de Simões Lopes Neto. Vamos comer uns doces por lá, que são famosos, tirar fotos e contar as novidades! Mas daí vou mandar carta pro amigo Rodolfo, que já anda me cobrando faz tempo um manifesto! Baita abraço do amigo que muito te quer bem e pelinquanto vai te divertindo aí com as fotos de Livramento! Cohen
PS: Sugestão de site: |
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