São Miguel das Missões. Existe ainda hoje uma mágica na região. Mesmo quem desconhece a história dos povos missioneiros sente um arrepiar de pelos ao ingressar na área. Quem já conhece o passado, chora de prima. E isso sempre acontece comigo. Um revival de emoções e um filme do passado passam por mim a cada curva que me aproximo, depois de sair da BR. Sepé, os jesuítas, guaranis, portugueses e espanhóis, etc. Entrar no pórtico é ingressar num mundo surreal. Eu sou freguês de caderninho desse pedaço do Rio Grande.
Na garupa do vento, veio um gritito pra mim
Riscado de adaga e lança, lutando pra não ter fim
E um gritito campeiro que já serviu de clarim
Gritou na goela de um taura e agora grita por mim
Esta terra tem dono, disse um índio do Rio Grande
Sou mescla desse entrevero, templado de terra e sangue
Por isso que quando escuto uma cordeona roncar
Chega me levantar o pêlo e eu sou obrigado a gritar
De São Miguel à Mercedes, de Santiago ao Mbororé
De Santo Isidoro à São Borja, donde canta o chamamé
No canto macho dos galos, na flor azul do aguapé
Ainda se escuta este grito do cacique dom sepé
(De São Miguel a Mercedes)
Sempre me queixei que na região inexistiam hotéis decentes para pousar na cidade. Era necessário ficar em Santo Ângelo. Bom, agora isso mudou. Primeiro, por que tem um hotel legal por ali. Segundo, por que a Pousada das Missões está simplesmente deslumbrante! Imaginem a situação: eu chegando depois de uma cavalgada de sete horas de sol a pino, suado, cansado e... Uma pousada muito dez. Tudo ali é de primeiro mundo! Recepção cordial, quartos com ar condicionado, tudo limpo (até o assento da privada é almofadado, pois tu vês!). E o preço bem em conta. Só fiquei desconfiado com o nome do meu quarto:
Pra quem não conhece guarani, ajudo a traduzir: " Yarará: Jararaca. Serpente muito temida, agressiva, rápida e temida, possui um veneno enérgico e eficaz. Sai à caça ao cair da tarde, quando abundam suas presas favoritas."
Uma coisa que gostei muito também na pousada é que ela possui um lagoão contido, todo azulejado por dentro e com uma água muy agradável. Depois de largar as coisas no meu canto, me atirei com vontade e passei o resto do dia lá dentro, charleando com turistas paulistas e cariocas.
O dia seguinte, segunda-feira, reservava uma SURPRESA dos diachos:
O primeiro deslize com a Hiena causado por um lagartão.
Leia!