São Borja


São Borja. Quem não tem curiosidade em conhecer a cidade onde morou Apparicio Silva Rillo? A cidade dos presidentes? Terra de Getúlio Vargas e João Goulart? O primeiro dos povos missioneiros? Pois eu me roía por dentro. Já havia ido duas vezes às Missões e também a Itaqui (ambos a 100 kms desta cidade) e nunca havia alcançado a mesma. Desta vez, fui-me!

Domingão, meio-dia, 42 graus; largo as rédeas da Hiena num posto de gasolina. Recebo como indicações visitar o Porto, o cemitério onde estão os dois presidentes, a ponte e mais alguns locais. Escolhi primeiro o porto.

O Porto

Este é o local onde antigamente fazia-se a travessia de balsa para a Argentina. Foi transformado num centro de banho muito bem organizado, com bares, banheiros e uma infra-estrutura muito legal. Vejam a foto abaixo (claro que estava vazio, pois o calor era insuportável):

Acham que exagerei? Pois uma coisa me surpreendeu muito ao me achegar ao rio: a quantidade de peixes literalmente voando para fora d'água. Aquilo formava um espetáculo macanudo de se ver. Achei que haviam sido treinados para entreter os turistas. O cheiro de peixe no ar era muito impressionante. Vai que minha curiosidade não agüentou mais e nadei até o meio do rio Uruguai. Lá, imitando a bicharada que voava para fora d'água, perguntei a um dourado:

"- Chê, que moda é essa agora?"

No que ele me respondeu: "- Ô, patrão Cohen, a água tá tão quente, mas tão quente, que a gente precisar voar fora d'água pra pegar uma brisa! Dentro d'água parece que estamos na panela!".

Pois aí está! Cês sabem que dourado é bicho confiável, de formas que este calor na região está mudando até mesmo a fauna da região. A foto abaixo comprova esse diálogo:

Cemitério e Ponte

No cemitério, onde ia visitar os túmulos dos presidentes e outras pessoas afamadas e também as nada famosas, dei azar. Tem horário pra visitar morto. O por quê eu não sei, pois pelo que eu saiba sempre tem gente em casa, mas... Fazer o quê. De modos que decidi ir até a ponte internacional entre São Borja e São Tomé. Mas acabei desistindo de cruzar pro outro lado. Informaram no posto de gasolina que era necessário pagar um pedágio pesado do outro lado e pra ficar quinze minutos, achei exagerado. Contudo, sempre tenho umas fotos pra mostrar aos amigos e amigas:



Amolando a família Scalco!

Como burro velho não perde a balda (sujeito que não muda), resolvi ligar para a família Scalco informando que estava na cidade. Pois São Borja tem disso: GENTE HOSPITALEIRA, que valoriza a estirpe gaúcha e missioneira. De prima, mandaram passar lá e me ofereçam churrasco e canha. A canha rejeitei, pois já havia bebido muito na viagem. E o churrasco era de primeira! Como dizem que conto muita história, hoje fotografo de tudo e aí embaixo está a prova. Aliás, pra quem pensa que cidade do interior é atraso da modernidade, vai quebrar o queixo! Conta até com cobertura de festas na internet. Coisa de gente moderna: FlashSB.

Museu Os Anhangüeras

Este é um museu dedicado a questões de instrumentos musicais e seus sons. Com o nome de um dos conjuntos mais famosos do Rio Grande, deve ser um espetáculo, mas... No domingo estava fechado. De qualquer maneira, eu ouvia entre as árvores um assobio que parecia algo como:

Neste compasso da gaita do sapucay
Se bailava a noite inteira lá na costa do Uruguai
Luz de candeeiro e o cheiro da polvadeira
Hermanava castelhanos e brasileiros na fronteira
(Baile no Sapucay)

Bom... Já era hora de deixar São Borja e ir até São Miguel das Missões, meu próximo pouso. Inspirado no César Oliveira, segui viagem controlando a Hiena a rédea curta, pois que se achava um tanto arisca.

Pega essa preta que é égua pronta Juvenal
Doce de boca lá pras bandas da argentina
Toma cuidado no bancar ela no freio
Pois se der volta abre a perna e sai de cima
(Na forma)