
Acordei com os galos, faturei um bueno dum café e voltei para o quarto e então...
Na correria de abandonar logo São Paulo, chuva, saída de cliente 30 minutos antes da viagem e coisa e tal... esqueci a camisa, flor de especial que a patroa havia passado.
Quando o Tenente Lima (haverá capítulo especial sobre o hombre mais adelante) veio me buscar, com honestidade confidenciei ao amigo minha dificuldade.
De imediato, disse-me:
- Não tem problema, aqui em Curitiba existem excelentes lojas gauchescas. Vamos apenas pegar o senhor Victorino, fundador do CTG, que deseja te receber e vamos até a loja do Schier.
- Mas bah, melhor não há. Bamo-nos então, hermano.
Uma loja hermano, prenda... Por demais macanuda, completaça! Achei que era grande, mas na hora de escolher a camisa, ainda tinha mais dependências pela frente. Oigalê, ali na Av. República Argentina, 4168, telefone 246.1841 é o bolicho certo de pilchas. Aí tens uma foto e pra detalhes, clica em cima.
É claro que na hora de pagar o Ten. Lima me veio com aquela conversa novamente de que dinheiro de gaúcho não valia nada. Que tinha um "em haver" com o Schier e cousa e tal. Eu já estava ficando como cobra que perdeu veneno (inquieto, agitado, sem sossego), mas como era visita, me comportei. O que não gosto é de dar incomodo e despesa pros outros.
Tchê!
Tchê!
Tchê!
Repeti 3x pra ver se tu prestas bem atenção e não fica mascando gomo de bergamota ou cortando unha enquanto lê!
Olhe, eu levei um choque quando cheguei às dez da manhã do sábado no CTG.
Havia um povo de mais de quarenta pessoas, todas pilchadas, para me receber. Parecia que ia haver uma festa e o pessoal resolvera se reunir por ali. E era mesmo, mas pra me receber.
Fiz que tinha cabeça de passarinho (pessoa distraída, leviana, desatenta) pra não passar vexame caso não fosse comigo o assunto. Mas era. A turma veio em minha direção, cumprimentando, querendo tirar foto, etc. Espia aí embaixo:
Eu que não sou besta, já ia beijando as prendas, coisas mais lindas. A patronagem se achegando, oferecendo mate e um abraço franco. Os piazitos pedindo pra autografar capas impressas da Página do Gaúcho. E miles outras coisas que me faziam parecer o presidente da república (humm, humm, esse eu não sei se ia ser recebido com festa, hehehe).
Acompanhado por toda turma e ciceroneado por seu Victorino Boff (fundador) e por Damião Gloneck (Sota-Capataz) - o patrão havia ido em viagem para encontro de patrões em Ponta Grossa - conheci as magníficas dependências do CTG. Salão de churrasco, de baile, área de treino de danças, churrasqueira para boi no rolete e tal.
Tchê-mete, poucos CTGs ou clubes tem este espaço macanudo para festas e encontros.
Aos pouquitos, fomos assentando tranquilidade nas dependências e nos apreparando pro churrasco que vinha vindo.
Por que chorei... Primeiro, espia as imagens abaixo:
Esta turma toda, antes do churrasco começar a ser servido, começou a declamar poesias e tocar instrumentos em minha homenagem.
Quando a pequena Luiza (a de vestido vermelho) subiu na cadeira, lá com seus oito anos, e iniciou uma declamação dizendo: "- Para o senhor Roberto vou declamar uma poesia chamada AMOR do Padre.." já me deixou feito palanque em banhado (todo mole).
No prosseguimento da declamação, uma coisinha assim tão pequeninha e com tamanha competência para encarar quarenta pessoas e ainda por cima recitar, sem falhar, a poesia, chorei.
Chorei sim, nem tanto por mim, mas por ela e pelo tradicionalismo.
É claro que uma parcela de minha emoção por estar sendo homenageado, mas...
Tchê mano véio, guria querida...
Te parece lendo que tudo isso era uma pantomina, um teatro onde uma mocinha de 8 anos fantasiada de gauchinha vomitava um texto decorado?
Se é só isso que enxergas, então, perdão, tens a mente turva ou falta de sensibilidade.
Por que eu vejo mais longe. Vejo o tradicionalismo e todo o ambiente que se forma em torno dele:
E ainda preciso ir mais longe pra explicar o motivo do meu choro, da minha emoção?
Veja a boneca do CTG, a Helen declamando. Depois vejo a Luiza com seus 8 anos. Em seguida a Debora com seus 17. E por fim vejo elas se transformando em alguém como a Mauricéia, mulheraço pra ninguém botar defeito, ex-primeira prenda do CTG, do MTG-Paraná e da CBTG. Olha a foto das quatro aí embaixo em seqüência e me contesta:
E tem mais.
Eu também me senti engrandecido por que jamais em seis anos de Página do Gaúcho fora homenagenado assim. É claro que formei muitos amigos por este mundão afora, mas um grupo tão grande me receber... E na verdade nem era eu, por que eu me considero apenas um INSTRUMENTO DE NOSSA CULTURA.
Chamem-me lá como quiserem... Mantenedor, webmaster, guri e coisa e tal. A questão é que, da minha maneira e jeito, ajudo a distribuir conhecimento compilados de nossa cultura para todo o mundão.
E quando o CTG presta esta homenagem, não é a mim especificamente, mas a todo o povo gaúcho. Mostrou hospitalidade ímpar, cordialidade, apreço ao ser humano (poderiam estar todos dormindo em casa ou vendo TV) e mais toda uma penca de qualidades que apreciamos.
(Ainda mais que a patroa me serviu agora, 21:30, meu copito de vinho tinto suave).
E o assunto é este mesmo.
Parece um garrafão de vinho? E é.
Durante o churrasco - que não paguei também, por que não aceitam dinheiro de gaúcho por lá - alguém me perguntou se bebia álcool. Eu disse que não, somente vinho tinto suave. O que aconteceu? Sairam e foram comprar um garrafão de vinho suave pra esse daqui. Agora me digam: isso não é lá consideração? Cortesia? Amabilidade? Querer-bem?
Por isso e tantas outras que encontrei dificuldades de fazer esta página, por que desejava do fundo do coração fazer a MAIS MAIS de todas as 1.300 que existem no site. E quanto mais me amarrava, mais demorava pra fazer, de tal formas que resolvi deixar o coração mandar a escrita e deixar a fleuma pro lado.
O que dizer do seu Diamantino, que aparece ali em cima? Ex-colega de classe de Jayme Caetano Braun. Declamou 3 poesias deste pajador num vupt.
E a pequena Luiza? Guria coisa mais linda, empreendedora já pequena e organizada pra mais de metro, sem falar declamadora.
E a Debora? E a Mauricéia?
E os amigos Claudio Probst e a esposa Denize que mesmo não sócios do CTG por lá apareceram para dar um abraço?
E a Arlete e esposo que desde o primeiro momento se empenharam em oferecer hospitalidade e ainda me brindaram com um belíssimo presente?
E as várias prendas com as quais tirei foto, escrevi nas faixas de concursos, do Fernando compositor-artista que me recebeu na rodoviária e ainda me brindou com um CD? E o amigo Cesar Duquia, o homem do tempo, generoso em sua amizade e cordialidade? E o taura Gambassi, churrasqueando pra toda esta turma?
E tu tenente, achando que me escapas?
É pelaqui minha gente, cliquem aqui pra saber que tipo de ser humano é este tal de seo Joaquim Adão Ugode Lima.