Porto Alegre, 01 de maio de dois miles!
Oigalê hermano Marcelo, que tal?!
Como vão a Katita e o pequeño Davi?
E aquele teu cachorro malacara (não sabe o que é isso? Vai na capa da Página do Gaúcho e visita os sites de vocabulário, ora! Não tem mais vez pra ti, caçula!) chamado Golias?
Te cuida por que teu piá pode se empolgar e resolver dar uma tunda no animal.
Bueno, chê, desta feita nossa viagem, com toda a família, foi pras bandas - novamente - das Missões.
A patroa diz que circular entre os pilares das ruínas de São Miguel toca na alma nela, ou sei lá donde. Eu, de minha feita, gosto de ver o que tínhamos há 200 anos atrás e onde poderíamos estar caso o processo civilizatório (a la putcha, compliquei!) não tivesse sido interrompido.
De quebra, aproveitamos e fomos até São Luiz Gonzaga, terra do nosso governador Olívio Dutra, do Pedro Ortaça e de tantos outros famosos da cultura. No mesmo dia, disparamos num tranquito ligeirinho até Roque Gonzalez, voltamos a tardinha para as ruínas para assistir ao show de luzes e som.
O que te descrevo nesta carta e os porques que tu deves lê-la toda:
Pois fui convidado pelo amigo Valter Portalete, de Santo Ângelo, para ser um dos três jurados do "Queimando Campo no Causo Gaúcho", que seria o Primeiro Festival de Causos da cidade e durante a IV Tertúlia Cultural Farroupilha.
E também por que dona Jaqueline, tua cunhada, queria por que queria que a "Rachel" conhecesse as Missões... Hehehehe, mãe inventa cada uma pra alcançar suas vontades...
No sábado, como de hábito, chacoalhei a tropa das camas e banquei o chato até que todas estivessem de pé. Saímos de casa às 06:30, a tempo de deixar o cachorro num hotel qualquer de beira de estrada.
Entonces, quando o mais que tradicional pingo Lafayette dá a primeira patada na estrada...
Oigalê, a vida se transforma pra esse taura daqui... Estar a caminho de algum pago do Rio Grande é ter a certeza de estar novamente em contato com as origens e o povo bagual dessa terra.
Rumamos pela BR-116 até um pouquinho depois do bairro Mathias Velho, em Canoas onde pegamos a Tabaí-Canoas. Ali de cara, já uma placa dizendo "Missões - 450 kms".
Isso pra nós é coisa michuruca, por que vamos ouvindo música, parando no caminho e coisa e tal. Aprendemos que a viagem em si faz parte do passeio, entonces aproveitamos uma barbaridade.
Chegando na cidade de Lajeado um policial "atacou" o Lafayette e mandou-nos parar. Depois de examinar a documentação e o pedigree do flete, disse que estava tudo OK e que não corresse no caminho.
A la pucha, mas que ignorante!!!
Entonces ele não viu que Lafayette não é um burrico, um muar?
Que isso daqui é animal de cancha reta, de desandar a correr e só parar quando estiver banhado de suor e rasgando a fita da corrida de parelhas?
Que cousa, já estão aceitando policiais que não tem a mínima condiçã (sim, condiçã!) de avaliar um raio dum cavalo desses!
Bueno, cruzamos pelas bandas do Lajeado, da Estrela e em seguidita na estrada já existiam vendedores de cuias. Espia a prenda querida aí embaixo, enfurnada num dia frio no meio das cuias só por que o chato aqui queria registrar o momento.
Aliás, o que apanho na estrada por causa do mulherio é uma cousa impressionante. A qualquer coisa digna de registro, paro o pingo e fotografo. Muitas vezes preciso de modelos, como na foto acima, e quem disse que elas se dispõem a sair do carro para que eu possa ilustrar a viagem? Bah....
Por essas e outras que levo 7 horas pra fazer 450 kms...
O almoço foi num lugar sensacional chamado Restaurante Estrela, a uns 350 kms de Porto Alegre. O local é limpo, bem atendido e comemos um espeto corrido, que pros paulistas é rodízio (aliás, tudo em São Paulo é rodízio... é uma neura por causa da poluição, que os faz trocarem de carros, comprarem chevettes pra ir ao serviço no dia ímpar, e blá-blá-blá...).
Porqueira de software de imagens que deforma todas as faces. A Mimi, bem da esquerda, estava toda sorridente, mas olha como saiu no resultado do scanner?
Feito o rango! De bucho cheio e descansados, chispamos novamente na direçón de Santo ângelo repletos de expectativa.
O horror apareceu no km 370... Um rally de buracos que deu arrepios em toda a família. Até ali, a estrada - toda terceirizada com pedágio - estava excelente... Mas no trecho do km 370... parecia que jogavam golfe com nuestro pingo, de tanto buraco que tinha, com panelões e coisa e tal. Arghhss...
Aquela excitação toda tomava conta da gauchada dentro do carro.
Feito umas baratas tontas, corremos para a Fenamilho ver a feira e coisa e tal.
Hahahahaha... a primeira surpresa... O pessoal nos dissera que a Tertúlia ocorreria na Fenamilho.
Bueno, o meu mulherio achou que seria DURANTE a Fenamilho, entonces poderiam passear entre o artesanato, ver comidas típicas, e coisa e tal.
Mas a Tertúlia acontecia NO PARQUE da Fenamilho, então não tinha nada disso, exceto realmente o grande evento cultural que descrevo em seguidinha, assim que...
suspirares...
tomares mais um tanto de mate e ...
virares a página clicando no sorriso abaixo!