Raízes da Vacaria
VII Encontro dos Municípios Originários de Santo Antônio da Patrulha
Prefeitura Municipal de Vacaria
fone 54.232.1176

A CONTRIBUIÇÃO DE VACARIA PARA O DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO DOS CAMPOS DE CIMA DA SERRA

MÁRIO GARDELIN
Professor. Historiador. Caxias do Sul, RS

1. Iniciarei esta exposição, recordando o poema introdutório de VACARIA DOS PINHAIS de Fidélis Dalcin Barbosa. Faço-o evocando a imagem que, desde minha infância, se gravou em gratas recordações.

"De Vacaria, a grande, a gloriosa, a altaneira.

Da Vacaria de campos largos, àrdegos ginetes e capitaneada por senhores do poder. Da Vacaria de homens valentes. Da fidalguia da terra. Da Vacaria dos Pinhais, de matas ensombradas, de belezas arrebatadoras.

Direi que, acima das periodizações históricas, existe a Vacaria adornada de encantamentos, em que solo e homem se imesmaram. Uma Vacaria que emerge de um passado longínquo, construída no dia-a-dia, no silêncio das vastidões, no armentio a pastar, à luminosidade de um sol fecundo.

A Vacaria da convergência, em que os primeiros se confundem com os últimos e juntos buscam novas metas. A Vacaria heróica e a Vacaria de hoje. Saúdo, pois, a Vacaria de amanhã, adornada pelos perfumes de suas macieiras, novo Eden que floresce nos altipianos rio-grandenses. A Vacaria de sempre.

Todas as coisas mudam e mudar é da essência humana. Transformam-se as sociedades. O solo, porém, permanece para sempre. Não importa que os pinhais hajam sido abatidos. As sementes esperam o solo fértil, para coroar novamente o cimo das coxilhas.

Esplendidamente grande, é impossível olvidá-la; capaz de grandes afirmações, é impossível negá-la; parte substancial de nosso Rio Grande, esplende ao sol."


2. Tema.

Foi- me proposto o tema: "A influência de Vacaria nos aspectos políticos, sociais, economicos e sua contribuição para os Campos de Cima da Serra."

No entanto, antes de chegarmos a ele - face a sugestões recebidas - quero referir-me a alguns aspectos que estão a demandar a sagacidade de nossos pesquisadores.

Também me foi alvitrada a possibilidade de falar a respeito da influência italiana na História de Vacaria. É um belo assunto, que ficará em aberto, para outra oportunidade. Hoje, prefiro a influência dos Campos de Cima da Serra sobre a colonização italiana.

Partirei de um ponto que me parece indiscutível. Vacaria é um centro que se caracteriza pela sua força tradicional: paróquia em tempos do Brasil-português; diocese em nossos dias. Pelo seu poder economico, decorrente da pecuária e, agora, com a fruticultura, elevada à categoria de empreendimento que conta com as bençãos universitárias.

É verdade que CIMA DA SERRA, expressão consagrada pelos anos, se refere a uma extensão vastíssima. Mesmo assim, por séculos, Vacaria sedia o poder religioso que metodicamente visita as famílias dispersas, conforta-as, mantém-nas integradas e participes de um mundo que hoje chamamos "civilização ocidental" e que naqueles tempos poderia ser denominado de "cristandade".

Vacaria é parte integrante da vida que nos veio de Lisboa. E aí está o primeiro assunto, para o qual deveriam, a meu ver, voltar-se nossos pesquisadores. Que significou aquele sacerdote que, aqui aquerenciado, de quando em quando jornadeava pelas fazendas a rezar missa, batizar, casar e confirmar?

Consignarei, assim, meus cumprimentos aos promotores do Raízes de Vacaria I, esperando que haja o II, o III e IV, - pois Raízes vacarianas é que não faltam.


3. Geologia, Arqueologia, Geografia.

Começarei pelo solo, a cujo respeito temos excelentes obras, mas sem especialização. A Petrobrás fez estudos, que infelizmente não conheço. Sei, porém, que existem.

Quanto à Geografia, ímpõe-se a pesquisa, tendo em vista os primeiros povoadores, os índios. São eles que dão as denominações iniciais de muitos acidentes geográficos.

a) Os índios aqui se encontravam desde tempos imemoriais. Recordo as pesquisas, realizadas há pouco mais de vinte anos, pelo Instituto Anchietano de Pesquisas e Universidade de Caxias do Sul, com a Prefeitura de Caxias do Sul, na área de campo de Santa Lúcia do Piaí, As provas de carbono 14 dataram 1336 antes de Cristo, o ano mais antigo de habitação das casas subterrâneas.

b) Quanto aos índios, do tempo dos jesuítas, temos a Coleção de Angelis, repositório de 2.400.000 documentos, cuja cópia se encontra em São Leopoldo. Certamente aí deve haver muita informação de nosso interesse.

c) Recordo aqui alguns fatos elucidativos:

  1. a descoberta, em Nova Petrópolis, no século passado, por Aires do Casal, de um diário, embrulhado em couro cru, perfeitamente conservado, com dados a respeito da região, constantemente percorrida pelos índios e pelos propostos dos padres jesuítas, ao tempo das Reduções. Aires do Casal se refere explicitamente a VACARIA, cujos territórios foram metodicamente devassados. O diário é de alguma personalidade instruída que, antes de 1715, esteve em nossa região. Recordo, ainda, que há muita documentação referente ao Brasil não estudada, nos arquivos europeus. Basta que se diga que o Reino de Nápoles aqui manteve um Ministro, cujos relatórios eram pormenorizados e se referem, em detalhes, ao Rio Grande do Sul.

  2. José Bernardino dos Santos, personalidade de relevo do Partenon Literário, escreveu um romance intitulado SERÕES DE UM TROPEIRO, reportando à vida de Cima da Serra, por volta de 1860. Descreve a natureza, fala do estancieiro, do índio, dos animais selvagens.

    Deixou inédito um drama, intitulado FREI CRISTÓVÃO DE MENDONÇA. Contrariamente ao que o título deixa supor, é uma homenagem ao Padre Cristóvão de Mendoza, introdutor, com Pedro Romero, do gado no Rio Grande do Sul. O drama ainda existe e está em poder dos descendentes de José Bernardino dos Santos, Estas informações constam da HISTÓRIA DA GRANDE REVOLUÇÃO, de Alfredo Varela, Porto Alegre, Globo, 1933, - edição comemorativa do centenário da Revolução Farroupilha.

  3. Devemos ter em mente, ainda, que os CAMPOS DE CIMA DA SERRA foram atravessados pelos bandeirantes, com a figura de destaque de FERNÃO DIAS PAIS LEME, o caçador de esmeraldas, cantado magistralmente por Olavo Bilac. Vacaria, portanto, é cenário do cicio do bandeirismo.

  4. A morte do Padre Cristóvão, por fim, faz parte da história de nossos campos. Aqui veio para salvar os índios.


4. O gado. A Vacaria dos Pinhais.

É a presença do gado que valoriza as campinas rio-grandenses. Os jesuítas fizeram dos Campos de Cima da Serra um criatório-reserva, para alimentar seus índios. É a esse fato que está ligada a VACARIA DOS PINHAIS.

a) O étimo VACARIA. Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa, de Antônio de Moraes Silva, edição de 1813, o significado de Vacaria é "gado vacum". Já VACADA é "manada de vacas". Vacaria também significa "potreiro ligado à estrebaria das vacas."

Em nosso Estado, segundo os dicionários, é "o lugar em que se encontravam quantidades de gado selvagem ou chimarrão". O significado passa a ser geográfico, isto é, nome de uma região onde havia gado bravio. Dizia-se "fazer vacaria" era abater numerosas cabeças, a fim de aproveitar o couro e o sebo.

b) Antes que surgisse a Vacaria dos Pinhais, havia as Vacarias do Mar, ambas nas vizinhanças do Rio Negro, a primeira surgida ao acaso em 1637 e a segunda em 1677.

c) Em 1713, são tangidas 80.000 reses para a Vacaria dos Pinhais. Em oito anos, esperava-se que houvesse de 400 a 500 mil cabeças.

d) Mesmo devastada, na Vacaria dos Pinhais sobrou gado em rincões perdidos. Ele continuará a multiplicar-se e será encontrado pelos posseiros e sesmeiros.

Esse gado merece uma pesquisa aprofundada. Ferdinand Dinis nos deixa numerosas informações a respeito.


5. Os sesmeiros.

Segundo se informa, as primeiras sesmarias foram concedidas em 1752. Trata-se de doações oficializadas. Os posseiros, entretanto, são muito anteriores. É o que se deduz da escritura de venda da Fazenda Souza, hoje distrito de Caxias do Sul.

a) O levantamento das Casas Grandes, sua localização, costumes e modo de vida é da maior importância. São pontos firmes do povoamento. Aí os costumes se mantêm, com mudanças lentas e gradativas. É nelas que se formará grande parte da psicologia do vacariano, homem destemeroso.

b) Não posso avaliar como se pode estudar o posseiro. Vivia mais isolado que o fazendeiro, e sujeito a maiores perigos ainda.


6. Os índios e os povoadores.

Os choques entre índios e povoadores são muito mais cruentos, do que com os alemães. As informações que temos são esparsas. Certamente servirá de fonte a obra do Cel. Afonso Mabilde, homem de formação universitária, que foi prisioneiro deles.

Hoje em dia, uma espécie de arrependimento nacional, busca minimizar a ação dos índios. Tendemos tê-los na conta de injustiçados, o que pode ser verdade. Mas, os primeiros povoadores que tiveram até de ausentar-se da região, temerosos de seus assaltos, sabiam que estavam lidando com um inimigo poderoso. É um assunto que merece aprofundamento.


7. Capela Curada.

O início do povoamento da sede do município de Vacaria, segundo a melhor documentação, é de 1735. A criação da Capela Curada é de 20 de março de 1761, através de portaria eclesiástica. A freguesia ocorre em 20 de setembro de 1768.

Estes fatos têm uma dimensão, que nem sempre é fácil de avaliar. A pequena localidade se firma e se transforma em centro de uma imensa região. Não importa que em 3 de agosto de 1822, a sede da freguesia seja transferido para São Francisco de Paula de Cima da Serra e que aí fique até 1830, quando retorna a Vacaria.

Que significa ter um cura e depois um vigário? Além do ministério eclesiástico, desempenhado na sede, devemos lembrar as visitas ao interior, às casas de fazenda, onde reza missa, batiza e crisma.

O catolicismo não pode ser visto apenas como uma seqüência de atos ritualísticos. Ele traz uma profunda cultura, que influencia toda a vida.

Eis a relação dos párocos de Vacaria:

Pe. João da Costa Barros, 1769-1770;
Pe. João Barbosa de Lima, 1772-1774;
Pe. José Antõnio de Andrade, 1775;
Pe. José da Fonseca Valente, 1780;
Pe. João Ferreira Rodrigues, 1782;
Pe. Inácio de Melo Machado, 1781-1788;
Pe. Inácio Alves Machado, 1789-1793;
Pe. Duarte Mendes de Sampaio, 1794;
Pe. Francisco dos Santos, 1795-1803;
Pe. José Antônio Comes, 1806-1811;
Pe. Marcelino Carvalho da Mota, 1812-1826;
Pe. Antônio Reis Duarte Ribas, 1826-1828, etc.

Em 1897 aparece o primeiro sacerdote italiano: Pe. Augusto Finotti, que foi anteriormente vigário de Caxias do Sul.

A prova da primazia de Vacaria está no fato de que foi aí localizada a sede da Prelazia e, depois, da Diocese. A escolha não foi um ato arbitrário. Obedeceu à conveniência.


8. Vacaria guerreira.

Os vacarianos criaram uma fama coletiva de valentes. Têm uma participação acentuada nos grandes fatos militares de nosso País e do Rio Grande do Sul.

a) Em "Datas Rio-grandenses" de Coruja Filho, encontramos as seguintes efemérides: 2 de novembro de 1754: O comandante do Regimento de Vacaria, à frente de 160 homens, sai em direção a Rio Pardo.

Coruja Filho acrescenta: "A força expedicionária, acampada no ano de 1754, em Vacaria, prestou relevantes serviços durante a Guerra dos 7 Povos das Missões.
Um dos soldados, de nome Manuel Garcia, perpetuou o seu nome por atos de valentia, que serão conferidos em ocasião oportuna (pg.362). NOTA: Não localizamos essa conferência;
b) REVOLUÇAO FARROUPILHA: "Em 31 de outubro de 1837, Vacaria se transforma em acampamento do pavoroso chefe do exército imperial Major Cândido Alano." (F. D. Barbosa in "Vacaria dos Pinhais"). É de notar-se que outras fontes dão ao Major Alano a fama de muito valente.

Em 14-12-1838, combate de Santa Vitória. Presença de José Garibaldi. Participação de Anita Garibaldi.
NOTA: Vacaria deve constituir, a seu tempo, um grupo de estudiosos Garibaldinos, a fim de preservar a memória de José e de Anita Garibaldi. Devem associar-se ao Instituto de Estudos Garibaldinos, de Roma.

F. D. Barbosa afirma que a Revolução Farroupilha causou muitos danos a Vacaria;

c) Revolução de 1893-1895. Em 9 e 10 de outubro de 1894, combate entre as forças de Demétrio Ramos e de Avelino Paim;

18 a 20 de outubro de 1893, passaram por Vacaria as forças de Gumercindo Saraiva e Cel. Salgado;

23 de junho de 1893, as forças de Avelino Paim derrotam os amotinados de Demétrio Ramos, em Ranchinho, Enxovia;

d) GUERRA DO PARAGUAI: vacarianos tombam no campo de batalha;

e) CANUDOS: presença de vacarianos;

f) CONTESTADO: corpo de provisórios comandados por Manuel Fabrício de Oliveira (l9ll-l9l5);

g) Vacarianos nas revoluções de 1923, 1930 e 1932.


9. Os colonos italianos e Cima da Serra.

Os italianos fixam-se nas colônias Caxias, Conde d'Eu (Garibaldi) e D. Isabel (Bento Gonçalves), no ano de 1875.

Sobra-lhes tempo durante parte do ano. Cedo descobrem que podem conseguir algum ganho nos campos de Cima da Serra. Oferecem seus serviços como construtores de taipas.

Este fato é importante para a colônia italiana.

a) Os trabalhadores obtêm dinheiro e, muitas vezes, no retorno, trazem animais cavalares, muares ou vacas de leite.

b) Tomam conhecimento dos costumes e da mentalidade do fazendeiro, e logo descobrem que, tendo ele dado a sua palavra, a cumprirá. Não há necessidade de papéis ou testemunhas.

c) O fazendeiro é homem que vai a cavalo e se apresenta, aos domingos, com apuro de trajes. O homem, na Itália, que vai a cavalo, é o nobre, o potentado, o poderoso. O colono passa a ter estima, apreço e bom conceito a respeito do serrano. Isso favorece a integrarão.

d) Através do Conselheiro Dantas, verifica-se uma influência expressiva. Angelo, filho de Ana Rech, retrata-se de pala, com o chicote à mão. Stefano Crippa e Tommaso Radaelli também têm seus retratos em trajes gauchescos. Joana Rech, a formosa filha de Ana, casa com o Custódio.

e) Não há restrições étnicas. Nos primeiros anos, a divergência é cultural, especialmente em relação ao trabalho.

Os Campos de Cima da Serra exercem uma grande influência.


10. A ponte do Passo do Korff.

Um dos assuntos que apaixonaram a região, foi a ponte do Passo Korff. Não entro nos detalhes iniciais, que são conhecidos. Antônio Prado desejava a ponte no Passo do Zeferino, no Rio das Antas. Caxias queria-a no Passo do Korff.

Em 18 de outubro de 1904, a Associação dos Comerciantes de Caxias reuniu-se a firn de tratar do assunto. Entendiam os comerciantes caxienses, que a ponte deveria ser construída onde fora determinado. Aceitar sua transferência para o Passo do Zeferino seria desastroso. Na ata da reunião, realizada nesse dia, lemos: "... vem prejudicar grandemente os interesses de Caxias, pois ficaria cortada fora do movimento comercial".

Tratou-se, então, de falar com o Presidente do Estado Dr. Antônio Augusto Borges de Medeiros. Aproveitou-se o momento que se afigurava oportuno: as homenagens a serem prestadas à memória de Júlio de Castilhos. Uma comissão composta por Ferreira da Costa, Hugo Ronca e Joaquim Mascarello, este de Nova Trento, representaria Caxias, falando em nome da Associação. A decisão foi tomada pelo que havia de mais representativo no comércio.

A comissão prestou contas na reunião de 12 de novembro seguinte, dia de Todos os Santos. Foi lido, então, o memorial entregue. A ata diz: "depois da discussão sobre o assunto, não tendo a comissão aludida podido obter do governo o nosso desideratum, a diretoria resolveu dirigir-se em ofício ao Sr. Cel. AVELINO PAIM para que juntamente ao nosso intendente municipal insista também junto ao Governo do Estado e que a nossa Associação está solidária em coadjuvá-lo enquanto está ao nosso alcance."

O Governo do Estado havia resolvido transferir a construção da ponte para a Passo do Zeferino. Avelino Paim, o nosso vacariano, assumiu a causa. De seus contatos com o presidente do Estado guardam-se até frases folclóricas. A ponte saiu no Passo do Korff. A Associação Caxiense deu ao Coronel Avelino o título de Sócio Honorário e tributou-lhe, em reconhecimento, uma recepção triunfal.


11. Revolução de 1923.

Na Revolução de 1923, tropas do General Firmino Paim Filho, fortes de 3.000 homens, segundo guardou a tradição oral, esteve em Caxias, acampando nas imediações da cidade.

Vacaria evidenciava, nestes fatos, o grande poder que detinha.


12. Centro Cultural.

Os anos de 1910 a 1923, na História de Vacaria, são apresentados simplesmente como gloriosos. O prestígio político de seus líderes era acompanhado por uma imprensa que, em seus aspectos internos, se destacava pela linguagem, conceitos, excelente impressão e colaboradores qualificados.

Evidentemente, pouco tinha a ver com o jornalismo, como o entendemos hoje. Os periódicos eram doutrinários, em sua quase totalidade. A "coluna" era um ponto alto e a expressão "coluna" ainda é mencionada por pessoas da época. Aí está o seu valor. O leitor comum (e era em número reduzido) apreciava a linguagem perfeita, o raciocínio direto e a segurança dos conceitos. E, de quando em quando, uma boa polêmica vinha vivificar a rotina da existência.

VACARIA passa a ser um centro cultural. Seus jornais são lidos nas fazendas, nas sedes distritais, em toda CIMA DA SERRA e municípios vizinhos.

Cassiano Ricardo, André Carrazoni, Manuel Duarte, Ceci de Freitas Castro, Paula Ferreira, Diana Terra, Nabor Moura de Azevedo, Hermínio Santos e Henrique Córdova são os nomes mais citados.


13. jornais de mais destaque.

O IMPARCIAL, semanário de quatro páginas, fundado em 191 1. Diretor: Augusto Diana Terra; gerente, Aluísio Ferreira de Sousa. Colaboradores: Dr. Nabor Moura de Azevedo, Herrnínio Santos, Flores de Assunção e Luís Guedes da Fontoura.

O MARTELLO, literário e crítico, fundado em 1912. Diretor: Elói Teixeira. Colaboradores: Manuel Quintela, Hermínio Santos, Dr. José Michel, Francisco Spinelli e Paula Ferreira. Era semanário, com quatro páginas.

O TEMPO, independente, fundado em 01 de janeiro de 1915, tendo como Redator-Chefe Henrique Continentino de Córdova; gerente Orestes Santos. Colaboradores: Paulo Ferreira, Edmundo Schüller, Hermínio Santos. Semanário, grande formato.

O REPUBLICANO, fundado em 1915. Diretor: Nabor Moura de Azevedo; gerente, Aluísio Ferreira de Sousa. Colaboradores: Paulo Ferreira e Eudóxio Teodoro dos Santos. Era porta-voz do Partido Republicano Rio-grandense.

A PÁTRIA. É fundado em 3 de abril de 1921 por Cassiano Ricardo, poeta, escritor e advogado. Órgão do Partido Federalista (é o que lemos). Sai aos domingos. É o cenário de estréia de André Carrazoni, que, mais tarde, dirige o Correio do Povo.

Augusto Diana Terra é o fundador do primeiro jornal de Caxias do Sul, O Caxiense.

Cassiano Ricardo escreveu um poema de exaltação do imigrante. Alguns de seus versos estão gravados na porta do Monumento Nacional, em Caxias do Sul.

Cassiano Ricardo, residindo em Vacaria, tomou conhecimento direto do papel representado pela imigração.

RECOMENDAÇÃO: Coletar e reproduzir graficamente todos os jornais de Vacaria, e de modo especial deste período. Deve haver muitos exemplares guardados em velhas casas de fazenda.


14. Vacaria, centro de ensino.

Por muitos decênios, a alfabetização, nas casas de fazenda, esteve a cargo de professores ambulante. Perduraram, nas áreas afastadas, até começo deste século. Pessoalmente, conheci-os. A alfabetização na casa grande permite à elite vacariana (de Cima da Serra) a obtenção de conhecimentos que, para o homem comum, eram inacessíveis. Este é um assunto digno de pesquisa.

As primeiras escolas de Vacaria são de 1847 e 1862. De 1885 a 1887, houve um internato de meninos. Estas são apenas datas de referência.

Em 1907 estabeleceram-se em Vacaria os irmãos lassalistas que, face às circunstâncias adversas, têm de retirar-se. Este é um fato negativo. Na ausência de uma escola dessa linha, os fazendeiros mandavam estudar seus filhos em Porto Alegre, Garibaldi, Bom Princípio e outras cidades. Este fato tem um significado específico: o vacariano tinha uma visão do mundo muito maior do que a proporcionada pela Rua do Vinagre...

Os maristas passam a manter um estabelecimento a partir de 1934.

Os estudos universitários iniciam em 1970.

Vacaria, no ensino, possui instituições que exercem grande influência, assegurando-lhe, em CIMA DA SERRA, uma posição de primazia.


15. Vacaria do futuro.

Novos horizontes se desenham na história local, com a fruticultura, contemplada com um curso superior de tecnologia, de parte da Universidade. O êxito está relacionado diretamente ao crescimento demográfico da região e do país. A maçã é apenas o primeiro caminho aberto. Há outras culturas, muito rendosas, esperando um espírito empreendedor.

A pecuária, com raças apuradas, poderá ser ampliada com o criatório de ovelhas.

Em 1958, uma comissão de técnicos japoneses percorreu o Estado e se deteve em Vacaria. Segundo eles, aqui estão todas as condições para produzir uma fibr de lã igual ou ou superior às melhores do mundo.

O turismo, aproveitando uma região maravilhosa, é outra realidade, para a qual devemos nos preparar.

Por último, para encerrar, recordarei que, no campo literário, Cima da Serra e nomadamente Vacaria, possuem um passado que deverá, cedo ou tarde, ser transformado em romances, filmes e entretenimento. Os que me escutam são suficientemente jovens para ver a nova realidade que surge.


PARA A HISTóRlA DA CIC, de Mário Gardelin, 2a edição, EST, Porto Alegre, RS.

9

Um dos assuntos que mais sacudiram a região, nos começos do século, foi a construção da Ponte do Korff, ponte feita de aço alemão Krupp e cuja localização apaixonou a nossos antepassados. A ponte poderia ser localizada no Passo do Zeferino, segundo me narram as pessoas idosas. Forças poderosas, entretanto, intervieram para que isso não ocorresse. O assunto, sem dúvida alguma, haveria de explodir dentro da Associação dos Comerciantes. Não posso dizer que ao evocar os episódios ocorridos nossos amigos de Antônio Prado, fiquem muito satisfeitos. Mas, passados 72 anos, o fato é rigorosamente histórico, está incluído entre aqueles pelos quais se interessam apenas os que sentem prazer em enfrentar o pó irritante dos arquivos. A Associação reuniu-se a 18-10-1904, às 2 da tarde para tratar sobre o negócio da Ponte do Korff no rio das Antas, assim expresso na ata:

"Aberta a sessão pelo Presidente Sr.Hugo Ronca fez uma exposição do motivo da reunião que era de fazer todos os esforços junto ao Governo do Estado a fim de obter que a ponte do Korff seja concluída no lugar previamente estabelecido porque diversamente além de perder-se a grande quantia que alcança a cerca de 400 contos de réis, vem prejudicar grandemente os interesses de Caxias, pois ficaria cortado fora do movimento comercial."

A Associação pleiteava a localização da ponte além da Criúva, onde hoje ele acha. Continua ata: "Tomando em seguida a palavra o Sr. Italo Bersani propôs que a mesma Comissão incumbida de representar Caxias nas cerimônias em homenagem ao falecido Dr. Júlio de Castilhos que se realizam em Porto Alegre, composta do Sr. Dr. Ferreira Costa, Hugo Ronca e Joaquim Mascarello, fosse também encarregada de representar junto ao Governo do Estado sobre o assunto da Ponte, como também representar a Associação dos Comerciantes à Romaria ao Dr. Júlio de Castilhos, o que foi unanimemente aprovado assim como aquelas despesas que a Comissão pudesse encontrar na demora na capital do estado e para a compra de uma coroa."

Esta ata foi assinada por: Hugo Luciano Ronca, I. Bersani, Guido Livi, Antônio Ganna, Luiz Pieruccini, Romano Lunardi, Francisco Balen, Domenico Bersani, Santo Canali, Umberto Pasetti, Francisco Maineri, Antônio Moro, Angelo Manfro, Israele Corrá, Abramo Eberle, Annuccio Clngareti, Antônio Manfro, Ludovico Sartori, Vicente Rovea, Francesco Dai Prá e José Chiaradia.

A 01 do 11, Dia de Todos os Santos, a diretoria passa a reunir-se para ouvir a prestação de contas de parte da Comissão que esteve em Porto Alegre para tratar da Ponte do Korff, composta pelo Dr. Gonçalves da Costa Ferreira, Hugo Luciano Ronca e Joaquim Mascarello. Além da exposição verbal, houve a leitura do memorial e anúncio das despesas feitas. Vamos à transcrição:

"Depois discussão sobre o assunto não tendo a comissão aludida podido obter do governo o nosso desideratum, a diretoria resolveu dirigir-se em ofício ao Sr. Cel. AvelinoPaim para que juntamente ao nosso intendente municipal insista também junto ao Governo do estado e que a nossa Associação está solidária em coadjuvá-lo em quanto está ao nosso alcance".

No Governo do Estado já se havia decidido que a ponte fosse localizada no Passo do Zeferino, contra o que manifestava a Associação. O pedido formulado ao Presidente do Estado dera em nada. Recorreu-se então a Avelino Paim nosso vizinho aqui da Vacaria. E o Paim haveria de mostrar sua força que não era pouca. Foram admitidos como sócios Andrea Fossati e Joaquim Mascarello.

Em 28-11 há nova reunião da Diretoria. A ata não é específica. Fala porém que foi lido um ofício de agradecimento do Cel. Avelino Paim. Não diz exatamente os termos e nem porque o ofício foi expedido. Complementa-se a reunião com a aprovação das contas da Comissão que foi a Porto Alegre representar a entidade nas homenagens a Júlio de Castilhos e pleitear o assunto da ponte. Total da despesa: 148 250. Resolveu-se ainda agradecer aos componentes da Comissão por ofício, pelos bons serviços prestados.

Vê-se como se usava poderosamente a política. Seguramente, a Associação movimentou o Partido Republicano a que pertenciam vários elementos de prol. Avelino Paim fazia seus contatos em Porto Alegre. E que contatos! A 19-12-1904, a diretoria volta a reunir-se e não esconde o seu entusiasmo. Sente-se realmente feliz e exjtosa com o que conseguiu em relação à ponte. Aliás, não mais se escreve Corfe, mas sim Korff. São anunciadas cerimônias e manifestações. Admirável capacidade de luta da Associação.

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Dizíamos que a 19-12-1904 a diretoria se reunira jubilosa. Vejamos as decisões tomadas: "Em primeiro lugar, consignar em ata um voto de reconhecimento ao distinto Cel. Avelino Paim pela vitória alcançado perante o Governo do Estado com a construção do Passo do Korff, desempenhando assim brilhantemente o nosso pedido, conforme ofício n. 56. Tratar imediatamente, conforme telegrama do mesmo Sr. Coronel de enviar 4 carretas a São Sebastião por conta da Associação além das que serão enviadas por outros para dar princípio ao transporte da ponte metálica, podendo mais tarde a nossa Associação tomar novas resoluções no sentido de auxiliar o transporte da ponte, consultando para isso a Assembléia Geral. Convidar sócios e mais habitantes de Caxias para tomarem parte da recepção solene que se está preparando a chegada do mesmo Coronel Avelino Paim."

O 42 item refere-se a um caxiense falecido prematuramente. É consignado um voto de pesar pelo falecimento do sócio, estimado comerciante Caetano Costamilan que deixou de existir hoje às 2 horas da manhã e enviada uma Comissão composta dos Srs. Luiz Pieruccini, Ludovico Sartori e Antônio Moro que levarão o estandarte da Associação e depositarão uma coroa sobre o túmulo do extinto sócio.

A 28-12, a diretoria decide:

"Em vista da necessidade que alguma pessoa habilitada e de boa vontade seja encarregada pela condução das ferragens pela ponto do Korff a diretoria unanimemente nomeia os Srs. Vicente Rovea e Francisco Maineri para angariar donativos do comércio em geral e dar as mesmas providências, certa de que os 2 sócios aceitarão a incumbência por quanto pesada, mas patriótica e de grande interesse pela Associação e pata o Comércio em geral de Caxias."

Por último marcava-se para o dia 23-1-1905 a eleição da nova diretoria. Estava, assim, encerrando mais um ano de grande movimento para a Associação. Recorde-se sua vincularão direta ao Partido Republicano, então detentor do poder.

A Assembléia extraordinária de 23-1-1905 realizou-se na Sociedade Principe di Napoli, iniciando-se com a leitura do relatório, feito pelo Presidente Hugo Luciano Ronca, em que se tratou da situação moral e financeira da sociedade. Tudo que foi adequadamente aprovado. E em seguida foi proposto e aceito como sócio honorário o Cel. Avelino Paim, pela vitória alcançada pela construção da Ponte no Passo do Korff. Depois de consignado em ata um voto de louvor à Diretoria que acabava o seu mandato, Italo Bersani propõs que a Associação tomasse a si a iniciativa de concorrer à Exposição-Feira que se realizaria em Porto Alegre, em março desse ano e para este fim, pediu ao Presidente que oportunamente fosse nomeada uma comissão para angariar produtos e artefatos que deveriam figurar na dita Exposição da qual era promotor o Centro Econômico do Rio Grande do Sul. Propôs-se e decidiu-se que a Associação se fizesse sócia do Centro em questão e tratou-se da participação na Exposição.

Em seguida foi eleita a Nova Diretoria que ficou assim constituída: Hugo Ronca, Presidente, com votos 26. Vice-Presidente, Italo Bersani com votos 23. Germano Parolini, Tesoureiro com votos 25. Mário Marsiaj, 12 Secretário com votos 28. Ludovico Sartori, 2£1 Secretário com votos 23. Antõnio Moro, Romano Lunardi, Annuccio Ungaretti, Vicente Rovea, Luiz Pierucini e João Paternoster, como Diretores. Comissão de exames de contas Felice Laner, Francisco Maineri e Antõnio Ganna. Suplentes: Cincinato Ávila, Guido Livi, Angelo Manfro, Mauricio de Almeida, Alberto Sartori, Samuel Alovisi. Aparece como porta-estandarte José Jaccone.

Ao final, a Assembléia Geral, por proposta de ltalo Bersani, consigna um voto de pesar pelo falecimento de Clemente Fonini, Caetano Costamilan e José Crivelato. Assinam a ata da Assembléia: Hugo Ronca, ltalo Bersani, Ludovico Sartori, Luiz Pieruccini, Angêlo Manfro, Antônio Ganna, Guido Livi, Francesco Dai Prá, Felice Laner, Cincinato de Avila, Nicoletti e Irmão, Annuccio Ungaretti, José Jaconi, Vicente Rovea, Antônio Moro, Francisco Maineri, Germano Parolini, Henrique Cantergiani, Frederico Costamilan, Mário Pezzi, Rossi Amedeo, Romano Lunardi, Domenico Bersani, Alberto Sartori, Samuel Alovisi, Bonato Antõnio, Maurício de Almeida e Mário Marsiaj.

Em 25-2 a diretoria reuniu-se para nomear a Comissão que coletaria produtos destinados à exposição. Ficou ela assim composta: Vicente Rovea, Germano Parolini, João Paternoster e Annuccio Ungaretti. A Associação estava em plena atuação comunitária.

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A 27-4-1905, a diretoria esteve reunida com a finalidade de promover uma moção de solidariedade ao atual Juiz de Comarca, Dr. José Gonçalves Ferreira Costa, louvando e aprovando a maneira pela qual ele até agora se houve no dispensar a justiça aos seus jurisdicionados e pautando todos os seus atos tanto oficiais como particulares pelo modo mais correto, tornando-se, por isso, digno de todos os louvores, fazendo votos para que ainda, por muitos anos, continue no seu posto nesta localidade". Na mesma sessão foi lida uma carta de agradecimento do Cel. Avelino Paim, deputado estadual, pela sua nomeação para sócio honorário. A ata está assinada por Mário Marsiaj.

A 2-6, a diretoria está novamente reunida, para "tratar sobre o inconveniente que se está dando em Porto Alegre com os recipientes de vinho que são agora recolhidos a um depósito, com pesadas despesas aos exportadores". Decidiu-se oficiar ao Presidente do Estado, a fim de expor o impasse. Na sessão de 7-7 veio a resposta, e para tomar conhecimento dela, a diretoria foi convocado. Resolveu-se "cientificar os exportadores da resolução firma do governo de manter o depósito sendo mais garantida a fiscalização dos vinhos". Vê-se como a Associação prestigia e concorda contra toda manobra que venha adulterar os vinhos locais. Trata-se de um ponto de grande interesse para a história da viticultura e enologia.

Tomou-se conhecimento do ofício do Prof. Humberto Ancarani sobre a próxima exposição internacional de Milão. Também foi lido um ofício de propaganda da mesma Exposição e a Associação resolveu pôr-se em campo, a fim de fazer propaganda e obter o concurso da colônia. Por último, Mário Marsiaj informou que estava demissionário do cargo de secretário, devendo transferir-se para Santa Maria. Passaria a ocupar o posto de 252 secretário, Ludovico Sartori.

Em ll-9, Assembléia Geral Extraordinária. Tito Rossi, o incansável cobrador, estava achando dificuldades. Havia sócios duríssimos em desembolsar a contribuição. Diversos sócios alegavam que "tendo pago a quantia mensal de 500 réis não concordavam com o estatuto que manda pagar um mil réis". A questão foi a plenário. Francisco Maineri propôs que os sócios pagassem a mensalidade de um mil réis, visto a sociedade necessitar de um fundo de reserva. Ao contrário, o sócio Santo Canalli propôs 500 réis. Por isso, o Presidente pôs em votação secreta as duas propostas". Resultado: dos 25 sócios presentes, 15 votaram por um mil réis e 10 por 500 réis.

Germano Parolini lançou uma proposta, que nos lembra o SPC:

"Foi proposto pelo sócio Germano Parolini, a bem da comunidade, que todos os sócios fornecessem, querendo, todos os meses, uma lista dos que desfrutam o comércio e que por vício não paguem as suas dívidas, com o escopo de fazê-los conhecidos e poder livrar-se indiretamente de uma praga tão runha para os comerciantes."

Não se usavam meias palavras com os caloteiros contumazes. A aprovação foi unânime e a diretoria ficou de elaborar a lista desses indesejáveis. Joaquim Mascarello também fez uma proposta:

"Foi aceita por unanimidade proposta do sócio Joaquim Mascarello pela qual todos os sócios são obrigados de colocar uma tabuleta avisando a própria freguesia que todas as compras devem ser pagas no prazo de 3 meses, passados os quais não tendo liquidado pagará 1 mensal. Esta tabuleta será impressa pela Associação e fornecido a cada sócio."

Francisco Maineri propôs que a Associação

"se interesse em todas as maneiras a fim de que não seja aberta a estrada que desta vila conduz ao Desvio do Morro, passando pela 52 Legua, Travessão Solferino." (É uma estrada que interessava a Galópolis).

Antes de encerrar a histórica ata, veja-se que o sócio que não conservar exposta a tabuleta a que se refere na proposta Joaquim Mascarello, "será multado na quantia de lO mil réis a favor da sociedade". O documento foi assinado pelos sócios: Hugo Luciano Ronca, Francisco Maineri, Vicente Morganti, Joaquim Mascarello, Antônio Rossatto, Pietro Toni, Luigi Luchese, Domenico Tronca, Andreazza Davide, Aristjdes Germani, Domenico Bersani, Romano Lunardi, Alberto Sartori, Amedeo Rossi, Storchi Giovanni, João Paternoster, Artico Antônio, Giacomo Zatti, Santo Canalli, Antônio Florian, Vicente Rovea, Angelo Manfro, Abramo Eberle, Antônio Moro, Samuel Alovisi (secretário interino) e Germano Parolini, um sócio cujo nome é ilegível. A 19-9, reunião da diretoria, que não se concretiza por falta de número.

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A 21-9, reúne-se a diretoria sob a presidência do Vice ltalo Bersani:

"0 motivo da reunião era de tratar sobre um escrito aparecido no numero 39 do jornal Independente, atacando a reputação de nosso digno presidente, Sr. Hugo Luciano Ronca e do sócio Diretor, Luiz Pieruccini".

Decidiu-se passar um telegrama à imprensa da capital, nos seguintes termos:

"Diretoria Associação Comerciantes, em reunião de hoje deliberou unanimemente protestar contra pérfidas insinuações publicados na seção Em palestra do Jornal Independente, número 39 contra seu digno Presidente, Hugo Luciano Ronca e sócio Diretor, Luis Pieruccini."

A 16-1O, nova reunião da diretoria. A Calábria fora atingida por um terrível terremoto. Hugo Luciano Ronca recebera um apelo para angariar recursos e a Associação forrnou uma comissão composta de Italo Bersani, Francisco Maineri e Luis Pieruccini. Annuccio Ungaretti propôs que se solicitasse do Presidente do Estado a vinda de um médico, a fim de promover medidas sanitárias contra os variolosos do 3 Distrito. Pediu-se também linfa vacínica.

Nessa sessão de 16-10-1905, há uma notícia alviçareira. Samuel Alovisi propõe para sócio e é aceito por unanimidade... imaginem quem? O caríssimo Angelo de Carli, que a essa época era comerciante na Boca da Serra. Assinaram nesta reunião: Hugo Luciano Ronca, Romano Lunardi, Annuccio Ungaretti, Antônio Moro e Samuel Alovisi. Conclui-se o ano de 1905.


Apêndice

Nos primeiros anos da década de 1930, trabalhou-se, no Rio Grande do Sul, na elaboração de um Álbum de personalidades de maior destaque, na vida política do Partido Republicano Castilhista. Por volta de 1934, foi editado, em circunstâncias desfavoráveis, o ÁLBUM ILUSTRADO PARTIDO REPUBLICANO CASTILHISTA - RIO GRANDE DO SUL, Ed. Selbach, de grande formato, com mais de 800 páginas, profusamente ilustrado.

Contém basicamente biografias e informações sobre os municípios de então. Os que figuram evidentemente arcaram com sua parte de despesas. Mesmo assim, é um documento de grande valor. Merecem atenção especial os dados biográficos, a posição política dos participantes e o destaque do município entre seus congêneres.

Vacaria consta com 14 páginas, uma das médias mais altas. E, o momento, como se disse, não era dos mais favoráveis.

Na apresentação do volume, afirma-se: "... são postos em evidência, embora com justiça, unicamente os elementos de grande projeção na política. Foi esquecido sempre o cooperador anônimo; aquele que vem para a arena nos momentos precisos; aquele que deixa os aprestos campeiros ou ferramenta rural para tomar do título eleitoral ou da carabina nas campanhas pacíficas ou armadas; tem-se falado nas altas patentes e esquecido o soldado. Quanto valor, quanta bravura, quanta dedicação, quanto patriotismo, quanto ardor partidário fomos descobrir escondidos na modéstia do homem do campo, do lavrador, do tropeiro, do pequeno funcionário público. Quantas vezes a sorte do partido esteve nas mãos destes heróis que, tão pronto alcançam a vitória, tornam aos seus penosos trabalhos para engrandecimento do Rio Grande! Estes, orgulho de uma raça, o ÁLBUM procurará fazê-los conhecidos."

Anote-se a posição do Homem do Campo!
Vacaria ocupa um dos primeiros lugares.

Municipio de Vaccaria

NOTA DO COHEN: muitas grafias estão diferente do nosso português atual e algumas até incorretas... mantive tal qual estavam para não deturpar o conteúdo.)

A creação do Municipio de Vaccaria foi originada pela lei nro 185, de 22 de outubro de 1850, baixada pelo presidente da Província do Rio Grande. No decorrer do espaço que vae de 50 a 1878, passou por muitas e sérias vicissitudes, sendo neste anno reinstallado o seu governo.

Situada ao nordeste do Estado, confina com os municípios seguintes: Bom Jesus, São Francisco de Paula, Antônio Prado, Alfredo Chaves e Lagoa Vermelha; e ainda com o Estado de Santa Catharina, pelo rio Pelotas. A pecuaria é a sua maior riqueza, não só pela densidade de seus rebanhos como tambem pela qualidade dos mesmos e dos campos.

A fundação da villa data de 1761, dividindo-se o territorio em dez districtos. A sua administração tem estado nas mãos de homens experimentados e de raras qualidades publicas e privadas. Até 2 de setembro de 1928 e por espaço de quatro annos dirigiu os negocios publicos, havendo realizado obras de assignalado vulto, o coronel Theodoro dos Santos Camargo. Em maio de 1930, o governo municipal estava assim constituído:

Intendente, capitão Severiano Borges Pereira; vice-intendente, tenentecoronel Avelino Paim Filho. Conselheiros: Julio de Campos, presidente; Samuel Guazzelli Filho, vicepresidente; Vespasiano Julio Veppo, secretario; Camillo Marcantonio, Henrique de Souza Duarte, Aristydes Araldi, Adão Paim de Andrade, João Tavares de Carvalho e Lucidio Corrêa.

Funccionarios municipaes: Alcides do Amaral Quintella, secretario; Octavio dos Santos Roxo, thesoureiro; Oliveira Pereira Bueno, auxiliar da thesouraria; José dcrs Santos Camargo, sub-auxiliar da thesouraria; Fausto Viterbo de Oliveira, advogado da municipalidade; Francisco Guerra, medico; Carlos Jorge Schüller, fiscal geral; José Boisoni, director das Obras Municipaes; Liborio Paim de Andrade, porteiro.

Sub-intendentes: 12 districto (Villa), Ricardo Borges Caon; 21' districto (Vista Alegre), Octaviano Alves Pereira; 3!2 (Capão Alto), Samuel Guazzelli; 42 (São Luiz), Laurentino Rodrigues de Abreu; 5Q (São João), Manoel Antonio Nunes da Silva; 6' (São Pedro), Florindo Caon; 71' (Muitos Capões), Francisco Fernandes de Oliveira; 82 (N. S. da Luz), José Gemiliano de Souza; 99 (S. Pedro do Ypiranga), Ramiro Alexandre de Souza; 102 (S. José do Pinhal), João Antonio da Costa.

Coronel Avelino Paim de Souza

Vulto de inconfundível valor pessoal, o coronel Avelino Paim destacou-se na vida política riograndense, principalmente após o acontecimento historico de 89. Republicano dos tempos da propaganda, participou do memorável "Club dos 29", de Vaccaria, ao lado de Laurindo Paim, Amandio Duarte, Luiz Barcellos e tantos outros sonhadores do ideal democrático. E, ao deflagrar a Revolução Federalista, quando os clarins castilhistas soaram no topo das coxilhas, foi dos primeiros a reunir os correligionários, tendo commandando o invencível 65' Corpo Provisório organizado em Vaccaria. Operou decisivamente à frente de sua gente no planalto nordestino e praticou feitos de bravura indomita em defesa da legalidade.

Varias e importantes diligências desempenhou esse valoroso republicano, naquella campanha homerica; e uma das que mais o prestigiou foi a ligação que a sua força estabeleceu entre a Divisão do Norte, que retomava de ltajahy, e o Governo do Estado, cooperando dessa fôrma para a definitva victoria das armas legalistas.

Terminada a revolução de 93, o coronel Avelino Pajm consagrou-se à reorganização administrativa de Vaccaria, cujos destinos dirigiu em dois quatriennios. Fundou o Partido Republicano municipal e o chefiou com superior visão até 1917. Nessa época, sentindo-se doente entregou a direcção aos seus melhores auxiliares, nominalmente apontadas à suprema chefia riograndense.

Como deputado à Assembléia Estadual, o coronel Avelino Paim tambem se revelou um riograndense extremado, ao discutir os problemas de elevada transcendencia à vida administrativa do Estado.

O inolvidável coronel Avelino Paim nasceu a 17 de junho de 1856 e faleceu a 20 de abril de 1920. Chefe de família exemplar; o seu lar foi uma verdadeira escola de austera virtude e civismo, de amor e brandura affectiva, de cujos cimos poude exercer expontanea influencia em todo o Nordeste. Assim, durante a sua intensa existência o coronel Avelino Paim desempenhou actividade bemfazente e inspifou duas gerações nos mais acrisolados exemplos de civismo, lealdade e dedicação ao berço natalício que elle nobilitou e engrandeceu a alturas difficilmente superadas, tornando-se dos mais authenticos vultos representativos do Rio Grande.

Individualmente, dotado dos mais raros requisitos de lidimo conductor de homens, r.nixto de ennergia e de acção, de bondade e civismo, de coração e lealdade, vontade e desprendimento pessoal o coronel Avelino Paim foi um chefe authentico, fundando e dirigindo, com os mais estreiros liames de estima recíproca e accôrdo expontaneo de vontades, o mais poderoso partido na historia politica do Rio Grande, para desapparecer consagrado de homenagens e respeito geral.

Em sua vida, realisou a trajectoria idela que vae, na sua recta impeccavel, da honra à inflexível certeza do dever cumprido.

(N. da R. - Devemos esta nota à gentileza do sr. Manoel Duarte, republicano de firmes convicções, grande amigo de vaccaria e um dos mais sinceros admiradores das qualidades civicas e moraes do coronel Avelino Paim, a cuja memoria presta reverente homenagem).

Capitão Severiano Borges Pereira

O capitão Severiano Borges Pereira é criador, em grande escala, no quinto districto de Vaccaria.

Tem ali o seu estabelecimento pastoril, denominado "Fazenda do Frade."

A sua actividade, porém, não se tem restringido somente aos mistéres dos interesses individuaes, por isso que o seu nome está ligado à vida administrativa do município, e não menos ao Partido Republicano, na qualidade de um de seus destacados membros.

É filho de Pedro Borges Pereira, tendo nascido neste município de Vaccaria, a vinte de abril de 1872.

Do seu consorcio com a exma. sra. Christina Caetana de Oliveira, effectuado ainda nesse mesmo município, no anno de 1893, tem dous filhos: Pedro Pereira e d. Felisberta, casada com o sr. Protasio Bueno.

O capitão Severiano Borges Pereira administrou o município, tendo sido eleito no dia dois de julho de 1928, e empossado a dois de setembro do mesmo anno. E esse suffragio diz bem do acatamento que tem merecido, por parte de seus conterraneos.

Alem de outros cargos políticos e administrativos, tem ocupado, prestigiosamente, a alta posição de director da política, no Municipio.

Coronel Avelino Paim Filho

Descendendo de um ardoroso propagandista da Republica e que foi chefe de alto prestígio do partido castilhista vaccariano, o coronel Avelino Paim Filho tem sabido honrar os ensinamentos paternos, como orientador de seus correligionários. Natural de Vaccaria e nascido a dois de agosto de 1893, a sua actuação politica se vem processando nesse município nordestino.

Em 1923, por occasião da revolta do Partido Libertador, Avelino Paim destacou-se entre os seus conterraneos pelo devotamente à causa da legalidade entregue ao Partido Republicano Rjograndense.

Foi o commandante do 352 Corpo da Brigada do Nordeste, em cujo posto teve opportunidade de pôr em evidencia não só rara coragem, como ainda grande devotamente à causa e invulgar tino militar. Ao tornar às lides do campo, a que se dedica, de volta da campanha, a aos interesses de seu partido, tinha o seu prestígio augmentado.

Eleito vice-intendente, mais tarade entrou no exercício do cargo que desempenhava a contento geral ao verificar o acontecimento nacional de 3 de outubro de 1930. Nomeado Prefeito pela lnterventoria Federal, mantem-se nessa elevada investidora administrativa executando programma de vastas realisações.

O coronel Avelino Paim é filho do fallecido coronel Avelino Paim de Souza e dona Rita Paim de Souza. A seis de junho de 1914 desposou a exma. sra. d. Mauricia Guazelli, não havendo descendência desse enlace.

É criador, proprietário da "Fazenda do Capão Alto"- terceiro districto de Vaccaria.

Tenente-coronel Emilio Carneiro Borges

O tenente-coronel Emilio Carneiro Borges nasceu no município de Vaccaria, no dia quinze de novembro de 1873, filho de Egydio Carneiro da Silva Lobo, e neste mesrno município casou, em 1900, com a exr-na. sra. Antonia Duarte Borges.

Dedica-se à industria pastoril, criando e invernando em campos de sua propriedade, e tendo residência na séde de seu estabelecimento, denominado "Fazenda do Lageadinho", situada em São João, quinto districto.

Como fazendeiro adiantado e progressista, que e, tem introduzido em seus rebanhos varias raças finas, contribuindo, assim, para grande melhora de seus gados, vaccum, cavallar, lanigero e muar, necessariamente, já apurados, senão em via de apreciável selecção.

O tenete-coronel Emilio Carneiro Borges, filiado ao Partido Republicano desde muito jovem, ainda não ha muito - por isso que desde 93 se expoz aos rigores da campanha, em defesa do regime - de novo pegou ern armas, pela mesma causa, quando dos ultimos movimentos revolucionarias: em 1923, organisando e commandando o 4Q Corpo Auxiliar da Brigada do Nordeste; em 24, o 8, pertencente a essa mesma Brigada. Revela, porém, notar: Em 93 ingressara como sargento, para attingir o porto de 1 Tenete.

Dentre os cargos que tem exercido, notam-se Avaliador do Forum; sub-intendente do quinto districto, sub-delegado de policia.

Sómente deixou o exercício dos mesmos, que vinha occupando desde 1905, para pegar em armas, em 23. Vaccaria, março de 1930.

Tenente-coronel Samuel Guazzeli Filho Samuel Guazzeli nasceu no município de Vaccaria, a vinte de outubro do anno 1895, tendo por progenitores o ardoroso republicano sr. Samuel Guazzeli e sua exma. esposa dona Maria José Guazzeli. Em 191 7, contrahiu casamento corn a sra. Virginia duarte e hoje existem desse consorcio cinco filhos - srs. Austregesilo, Protasio e Sinval Sebastião Guazzeli; dd. Maria José e Therezinha Duarte Guazzeli.

A sua actividade particular é dedicada à pecuaria, sendo um dos fazendeiros mais progressistas do município de Vaccari@. "Fazenda do Sobradinho" denomina-se a sua propriedade, e está localisada no terceiro districto, lugar denominado Capão Alto. E' um estabelecimento modelar, cujos campos se acham occupados por gados de apurada mestiçagem, das raças vaccum, cavallar, lanigera e muar. Os negocios são attendidos directamente peloa tenente-coronel Samnuel Guazzeli Filho, que é um estancieiro moderno em todas as modalidades dessa importante industria riograndense.

Politica: - Samuel Guazzeli Filho bem jovem ainda já se achava filiado ao Partido Republicano Castilhosta e ao mesmo vem dedicando todo o seu enthusiasmo civico. No movimento revolucionaro de 1923 e subsequentes, tomou de armas e formou ao lado dos correligionários, prestando serviços de guerra não só no Rio Grande como tambem nos estados visinhos. De inicio foi-lhe dado o posto de 1o tenente e incorporado ao 52 Corpo Auxiliar pertencente à Brigada do Nordeste. Gradativamente e por acto que o fizeram credor da estima geral, conquistando a confiança dos seus superiores, recebeu as diversas promoções da hierarquia militar, attingindo o posto de tenente-coronel, quando occupou o comando do 32o Corpo Auxiliar, tambem pertencente à Brigada do Nordeste.

Na politica e na administração de Vaccaria tem desempenhado cargos de importância e responsabilidade, destacando-se como vice-presidente do Conselho Municipal e como chefe da familia castilhista do 32 districto, onde as suas deliberações são acatadas sem vacinações.

Vaccaria, março de 1930.

Capitão Egydio Carneiro Borges

O capitão Egydio Carneiro Borges reside com sua familia na séde de seu estabelecimento pastoril, situado no quinto districto de Vaccaria, São João, e denominado "Fazenda do Lageadinho". Dedica, pois, sua actividade à pecuaria, criando, com excellentes resultados, em especial as raças Hollandeza e Durham.

Cria tambem gado cavallar, muar e lanigero, e é, de igual passo invernador.

Natural desse município, onde nasceu no dia 1' de novembro de 1875, desposou em mil de novecentos, em sua terra natal, a exma. sra. Maria Duarte Borges.

Desse enlace houve seis filhos: sr. João Carneiro Duarte, funccionario do Banco Rural, na capital do Estado; sr. Theodoro Carneiro Duarte, professor no quinto districto; dona Sebastiana, casada com o sr. Francisco Silva Dutra; dona Virginia, casada com o sr. Franklim Correia dos Santos; Amadio e Anatolio, estudantes.

Republicano de todos os tempos, por isso que desde a juventude milita nas fileiras do Partido, já em 93, defendendo a legalidade, serviu o capitão Egydio Carneiro Borges, sob as ordens do coronel Avelino Paim de Souza. Dentre cargos que desempenhou, exerceu no quinto districto, o de Juiz Districtal.

E' pessoa de destacada posiçao na sociedade vaccariana.

Vaccaria, março de 1930.

Tenente-coronel Severiano Antonio Boeira

Severiano Antonio Boeira já em 1893 deu o testemunho de suas convicções políticas como soldado castilhista decidido: alistou-se no 65' Corpo Auxiliar commandado pelo bravo coronel Avelino Paim de Souza e fez a campanha de principio a fim. Em todos os combates de que participou, portou-se dignamente, revelando coragem invulgar.

Em 1923, contando então já perto de sessenta annos de idade, ainda attendeu ás solicitações do Partido Republica e foi mostrar na coxilha, à frente do 52 Corpo Auxiliar, que conservava - como conserva ainda - aquelle enthusiasmo e aquelle ardor com que pelejara em moço. A sua unidade fez parte da Brigada do Nordeste e com ella permaneceu em constante contacto com o adversário.

Nos levantes subsequentes, que se estenderam a outros Estados, este distincto vaccariano ainda prestou o seu concurso em pról da ordem publica.

O tenente-coronel Severiano Antonio Boeira nasceu em Vaccaria, a nove de agosto de 1856, filho de João Domingos Boeira. Em sua terra natal é muito bemquisto, assim como a sua numerosa familia, composta de nove filhos: srs. Prudente Rodrigues Boeira, Antonio Rodrigues Boeira, Virgilio Rodrigues Boeira, Fabio Rodrigues boeira e João Rodrigues Boeira; sras. Alfina, Sabina, Avelina e e Lucia Rodrigues Boeira.

E' fazendeiro de vastos recursos no oitavo districto de Vaccaria, denominando-se o estabelecimento "Fazenda da arvore só". Cria e inverna.

Vaccaria, março de 1930.

Tenente Virgilio Rodrigues Boeira

E'um vaccariano de valor no seio do Partido Republicano. Filho do valoroso tenente-coronel Severino Antonio Boeira, nasceu a onze de março do anno 1889 e em 1911 constituiu familia, desposando a exma. sra. Marcolina Silveira dos Santos.

Como seu venerando progenitor, dedica-se à industria pastoril, no oitavo districto.

Desde que se fez eleitor, Virgilio Rodrigues Boeira vem trabalhando pelos primeiros castilhistas, tendo ao mesmo prestado o seu tributo de guerra, na revolução de 1923 e movimentos subsequentes.

Foi o tenente-secretario do 52 Corpo Auxiliar, da Brigada do Nordeste, commandado pelo tenente-coronel Severino Boeira.

Em todo o terreno e em todas as emergências, o tenente Severino tem sabido honrar o partido político a que se acha filiado.

Florindo Caon

Vaccaria, maio de 1930.

Florindo Caon, como seus maiores, é republicano de todos os tempos, e, em toda e qualquer emergência, o servidor de seu partido.

Exerce os cargos de sub-intendente e sub-delegado de policia no sexto districto de vaccaria, Capella São Pedro.

E', outrosim, abastado fazendeiro, residindo em sua propriedade "Fazenda do Pacegueiro", no Passo dos Gatos. Possue ainda outra fazenda, no lugar denominado Carvalhaes.

Em sua criação de gado vaccum, adopta especialmente as raças "Durham" e "Normanda", e entre lanigeros, a Lincoln.

E'criador tambem de gado muar.

Florindo Caon nasceu em Caxias, a dezeseis de dezembro de mil oitocentos noventa e cinco, filho de Antonio Caon e d. Virginia Lorenzzetti.

Casou no município de Vaccaria, em mil novecentos e dezesete, com dona Malvina Borges dos Santos, de cujo enlace houve um filho, Plinio Borges Caon.

Tendo vuivado, casou em segundas nupcias, em mil novecentos vinte e quatro, com dona Maria Fernandes Borges, havendo deste matrimonio, quatro filhos: Casemiro, Alceu, Jayme e Leonina.

Simphronio Corrêa de Carvalho

Criador no sexto districto de Vaccaria, o sr. Simphronio Corrêa de Carvalho tem occupado já, por varias vezes, cargos publicos municipaes e estadoaes, pois que, de longa data, ou antes, em todos os tempos, desde sua mocidade, vem prestando ao regime, nas fileiras do Partido Republicano, o seu assiduo concurso.

Casou-se no município de Vaccaria, em 1900, com a exma. sra. d. Anna da Silva Chaves que veio a failecer, tendo havido do casal os filhos: Agostinho C. de Carvalho, supplente de Juiz Districtal em exercício, no sexto districto, e dona Maria Nilia.

Casado em segundas nupcias, no anno de mil novecentos e cinco com a exma. sra. d. Eva Rodrigues Baptista, contam-se desse matrimonio os seguintes filhos: Amancio, Horencio, Livino, e donas Joanna. Petronilla e Zulmira.

Reside o sr. Simphronio Corrêa de Carvalho, com sua exma. familia, da séde de sua propria fazenda, denominada de São João, e situada no sexto districto.

Conquanto partidário da raça Zebú, o adeantado fazendeiro, que é o nosso biographado, cria, igualmente, as raças Hollandeza e Devon, e dentre os lanigeros, a Lincoln.

E'natural desse município, tendo nascido a vinte e seis de junho de 1867m filho de João José de Carvalho.

Ardoroso castiihista, e ainda bem moço, empunhou armas durante a revolução federalista de 93.

Vaccaria, maio de 1930.

Francisco Spinelli

Quando a serviço deste ÁLBUM percorremos o Estado, Francisco Spinelli occupava o cargo de Secretario da Municípalidade de Bom Jesus e, nesta mesma villa, era o correspondente do Banco Rural do Rio Grande.

Ali, não só em virtude das funcções a seu cargo como tambem e principalmente ou consequencia dos seus predicados, desfructava então a amizade geral occupando lugar de destaque na sociedade.

Em Bom Jesus, sua terra adoptiva contrahiu casamento, fixando definitiva residência. E', porém natural de Vaccaria, filho do finado sr. José Spinelli e dona Amalia Spinelli.

Como republicano castilhista militante a sua acção vem sendo desenvolvida de modo a occupar posição de destaque no seio dessa aggremiação politica.

Em todas as campanhas, o seu lugar tem sido na vanguarda dos correligionários e o seu enthusiasmo civico é dos mais sadios.

Cavalheiro distincto sob todos os pontos de vista, tanto em Vaccaria como em Bom Jesus é estimado e tem sabido corresponder a essa sympathia.

Major Firmino Borges Pereira

Em Capela de São Pedro, sexto districto de Vaccaria, Firmino Borges Pereira desenvolve a sua actividade politica e industrial como chefe castilhjsta e fazendeiro de vastos recursos. Ahi possue grandes extensões de terras - campos e mattos - residindo na séde do estabelecimento pastoril, que se denomina "Fazenda da Cachoeira". E'modelar e muito bem povoada. Os rebanhos são de alta mestiçagem e cuidadosa selecção. A principio foram as cruzas feitas com reproductores Zebú e Normando, especies rusticas e precoces. Actualmente, com os progressos da pecuaria, a "Fazenda da Cachoeira" adopta as raças Durham e Hollandeza, animaes delicados e de maior utilidade pratica por serem especialisados à producção da bõa carne e do leite.

Aos 17 annos de edade este nosso biographado ingressou nas fileiras do Partido Republicano, servindo-o pelas armas. Isso foi em 1893, quando da revolução federalista. Incorporado ao 652 Corpo de Patriotas commandado pelo coronel Avelino Paim de Souza participou de toda a lucta, tendo conquistado o posto de tenente.

Ha varios annos vem sendo o chefe da politica republicana do sexto districto, tendo declinado de convites para o exercício de cargos publicos, em virtude de seu temperamento modesto.

Desempenhou, porém, por disciplina partidária, as funcções de Conselheiro Municipal e foi o presidente dessa corporacão, o que por si só basta para julgarmos de seu prestígio.

Firmino Borges Boeira é natural do município de Vaccaria, onde nasceu a onze de outubro de 1873. Foram seus paes o sr. Pedro Borges Pereira e dona Felisberta Telles de Souza, ambos fallecidos.

Constituiu familia em sua terra natal, desposando dona Emilia Teixeira Borges, no anno 1899. Oito são os filhos desse matrimonio: Pedro e Waldomiro Teixeira Borges; d. Felisberta, casada com o sr. Juvenal Alves Peixoto; d. Arlinda, casada com o sr. Brasilino Alves Peixoto; Plinio Borges Pereira; d. Alzira, casada com o sr. Archimino Teixeira Borges; Herminio e srta. Alice Borges Pereira.

Vaccaria, março de 1930.

Coronel Bernardo Moreira Paz

Bernardo Moreira Paz, mais conhecido por Major Duca, foi um dos mais populares fazendeiros do município de Vaccaria, muito estimado por todos, pois a sua preocupação maxima na vida foi a pratica do bem. Em seus estabelecimentos ruraes, a porta de sua residência estava sempre aberta ao viandante fatigado e a sua bolsa pertencia aos necessitados.

A' sua mesa nunca faltaram convivas, aos quaes o major Duca tratava com fidalguia. Pelo seu genio alegre, coração generoso, alma pura, sempre viveu rodeado de bons amigos e, por isso, a sua morte repercutiu dolorosamente em todo o município de Vaccaria.

Foi casado com a exma. sra. d. Emilia Paz. Não havendo filho desse matrimonio, o casal dedicou todo o seu affecto ao sr. João Borges Duarte, de criação, que é filho legitimo do tenente-coronel Fabio de Souza Duarte.

O coronel Bernardo Moreira Paz sempre se dedicou à pecuaria e foi um dos mais adeantados criadores e invernadores do município de Vaccaria, em campos de sua propriedade e arrendados ao sr. Theodoro de Souza Duarte.

Veterano da Guerra do Paraguay enchia-se de justo orgulho ao relatar feitos dessa campanha, na qual servira. "Fui um simples soldado - dizia ele - mas acima de tudo fui um soldado cumpridor do meu dever de patriota, respeitado como a mais alta patente... pelas balas de Solano Lopez."

Proclamada a Republica, em cuja campanha se envolvera, filiou-se ao Partido Republicano Riograndense. Ao lado do coronel Avelino Paim de Souza, um de seus bons amigos, não poupou sacrificios a bem de Vaccaria e de sua aggremiação politica.

Em 1893 formou ao lado dos correligionários, tendo sido o Major fiscal da força do coronel Paim, organizada com elemento vaccariano e que tão bons serviços prestou à causa da legalidade.

Ainda hoje, o nome de Major Duca é pronunciado com respeito e saudade por quantos o conheceram e comprehenderam aquelle coração bondoso e nobre.

João Moreira Duarte

Reside no terceiro districto de Vaccaria, Capão Alto, o nosso biographado, João Moreira Duarte.

Caso em Antonio Prado, com a exma. sra. dona Mathilde Martins Duarte, no anno de mil novecentos e vinte, fez seu domicílio em aprazivel vivenda, na séde de seu estabelecimento pastoril, pois é um criador progressista e invernador.

Notam-se em seus gados as melhores mestiçagens, por onde se infere, naturalmente, dos adiantados conhecimentos e interesses particularmente apreciáveis do criador moderno.

Como elemento do Partido Republicano, é-o desde muito jovem, e pois, de muito lhe vem prestando o ardoroso concurso. Exerce o cargo de Juiz no terceiro districto.

João Moreira Duarte é natural de Vaccaria, e nasceu no dia vinte e oito de fevereiro de 1900, sendo seus paes Fabio de Souza Duarte e dona Maria Boeira Duarte.

De seu enlace com dona Mathilde Martins Duarte, acima referido, ba duas filhas: as galantes meninas Maria Emilia e Celia de Lourdes Martins Duarte.

Vaccaria, março de 1932.

Capitão Manoel Antonio Nunes da Silva

Fazendeiro em São João, quinto districto de Vaccaria. Ahi, em campos de sua propriedade, tem o seu estabelecimento, em cuja séde reside, desenvolvendo a industria pastoril. Os seus rebanhos apresentam excelientes mestiçagens, notando-se entre outras, no gado vaccum, as raças Zebú e Hollandeza.

Cria tambem gado cavallar, lanigero e muar e é, egualmente, adeantado invernado A estancia, que é propria, denomina-se "Fazenda do Pinhal", sendo uma das m s bem cuidadas do município.

Na politica, o capitão Manoel Anton;o Nunes da Silva seque os principies norteadores da familia republicana, desde bem moço, e não têm sido poucos os serviços prestados ao seu Partido.

Já em 1893, ainda adolescente, pois contava apenas dezeseis annos de idade, iniciara-se, galhardamente, desfraldando a bandeira do seu ideal incorporado ao 65' Corpo Auxiliar, sob as ordens do saudoso coronel Avelino Paim de Souza.

Fez toda essa campanha contra o Partido Federalista, firmando a reputação que hoje desfructa de bravo e leal soldado castilhista.

Actualmente occupa os cargos de sub-prefeito e sub-delegado de policia no quinto districto de Vaccaria - São João. Já foi: Fiscal do Municipio, supplente de Juiz Districtal durante quatro annos e Juiz effectivo por espaço de doze annos.

O capitão Manoel Antonio Nunes da Silva nasceu no município de Lagõa Vermelha, a treze de junho do anno mil oitocentos setenta e sete, sendo seus paes o sr. João Nunes da Silva e dona Maria Ribeiro de Lara.

De seu consorcio com a exma. sra. dona Maria Francisca de Jesus tem os sete filhos seguintes: sras. Patrocinia e Sebastiana; Antonio Nunes da Silva Primo; donas Zilda, Alice, Joanna e sr. Theodolino Nunes da Silva.

Seu filho Antonio, que nasceu em 1900, tambem é um republicano castilhista para todo o terreno; incorporado ao 82 Corpo Auxiliar, que pertenceu à valorosa Brigada do Nordeste, prestou bons serviços de guerra. Actuou com a sua unidade não só no territorio gaúcho como ainda nos Estados de Paraná e Santa catharina, destacando-se entre os seus companheiros de armas.

A familia Nunes da Silva é muito benquista em todo o município de Vaccaria e principalmente em São João.

Vaccaria, maio de 1930.

João Antonio da Costa

O capitão João Antonio da Costa desempenha em São José do Pinhal, decimo districto de Vaccaria, as funcções de sub-intendente e sub-delegado de Policia, desde o anno de mil novecentos e vinte e quatro.

Demais, é ainda o denodado e prestimoso republicano, a um tempo, cordenador e dirigente da aggremiação local.

Companheiro indefesso, vem, de longa data, prestando reaes serviços, quer ao partido, quer à causa da legalidade, tendo servido no 3' Corpo Auxiliar, ás ordens do tenente-coronel Avelino Paim Filho.

O nosso biographado é natural deste município de Vaccaria, filho de Joaquim Antonio da Costa, e nasceu a dez de abril de 1876.

Casou com dona Silvana Alves da Costa, em 1896, de cujo enlace ha treze filhos: lsolina, Maria Joaquina, Alcides e lgnez; Emilio, Luiz, Paulino, Maria Luiza e Maximilia; Olympio, Joaquim Pedro, Cecília e Lucinda.

O capitão João Antonio da Costa, cria e inverna em campos de sua propriedade "Fazenda do Capão Alto" - e reside, com sua familia, na séde de seu estabelecimento.

Dentre as raças que com muito bons resultados adopta, notam-se a Hollandez e a Zebú.

Vaccaria, maio de 1930.

Major João Alves da Silveira Sobrinho

O major João Alves da Silveira Sobrinho nasceu neste município de Vaccaria a oito de outubro de mil oitocentos setenta e dois, sendo seus progenitores José Alexandre, já fallecido, e dona Appolinaria Ribeiro Santiago.

Em mil enovecentos desposou, em Lagõa Vermelha, a exma. sra. d. Maria Luisa Nunes, e do enlace houve os seguintes filhos: Argina, Aurelio, Jovina, Juvenal, Adelaide, Maria, Alcino, Eugenio, Oswaldo, Waldomiro, Olavo, Olyntho e Hilda.

Reside o nosso biographado no decimo districto de Vaccaria, São José do Pinhal, em cujo meio gosa da maior estima e real prestígio político, como elemento destacado do Partido Republicano, a que sempre foi filiado e, de igual passo, dirigente no districto alludido.

Anteriormente, exercêra o cargo de Juiz Districtal.

O major João Alves da Silveira Sobrinho é criador e invernandor, em campos de sua propriedade - "Fazenda da Ilha" - e possue no mesmo districto, além dessa, demais propriedades de excellentes campos e mattos, sobremodo apreciáveis para a agricultura.

Vaccaria, maio de 1930.

Capitão José Gemiliano de Souza

O nosso biographado, Capitão José Gemiliano de Souza filiou-se, ainda bem jovem, ao Partido Republicano e, já em 1893 prestou serviços à causa da legalidade.

Dedica sua actividade à industria pastoril, criando e invernando em sua fazendo, denominada "Rincão da Esteira", no oitavo districto de Vaccaria.

Nesse districto, como tambem em geral, desfructa o capitão José Cemiliano de Souza do melhor conceito, quer político, quer social, exercendo, com todo o zelo pela causa publica as funcções de Sub-Intendente do referido districto.

Exerceu anteriormente o cargo de Juiz Districtal, o que bem significa sua actuação em todos os tempos, na paz e na guerra, porquanto, ainda por occasião dos movimentos revolucionarmos de nosso e visinhos Estados serviu na Brigada do Nordeste, no 162 Corpo Auxiliar.

Nasceu o capitão José Cemiliano de Souza no município de Vaccaria, no dia dezesete de dezembro de mil oitocentos e setenta, e é viuvo da exma. sra. Catharina Domingues Boeira, com quem contrahira nupcias em mil oitocentos noventa e cinco.

Desse consorcio houve onze filhos: Antonio, João, Bernardo, Francisco, Pedro, José, Altino, Assis, Compertino, e snras. Lucia e Hirisia.

O capitão Gemiliano é filho de Eugenio Francisco de Souza e de dona Maria Joaquina de Souza.

Franklim Teixeira dos Santos

Nasceu este nosso biographado no município de Vaccaria, no diz dezesete de dezembro de mil novecentos e dois, sendo seus paes o sr. Paulino Corrêa dos Santos e dona Marcolina Luisa Teixeira.

Casou, tambem nesse município, com a exma. sra. d. Virginia Carneiro Duarte, no anno de mil novecentos vinte e seis, contando o casal os filhos Zely, Aracy e Oswaldo.

E' residente em São João, quinto districto, onde exerce os cargos de Escrivão e Notariado, desfructando, com sua familia, do melhor conceito social.

Franklin Teixeira dos Santos filiou-se ao Partido Republicano desde muito jovem, e gosa em seu seio de muita sympatliia, pelo acendrado ardor civico que sempre o animou.

O estimável cidadão dedica ainda a sua actividade à industria pastoril, criando gado vaccum, em campos que tem arrendados, no referido districto.

Vaccaria, maio de 1930.

Luiz de Souza Machado

Reside Luiz de Souza Machado em São João, quinto districto de Vaccaria, onde é proprietário da "Fazenda do Gaubijú".

Emprega sua actividade à industria pastoril, como criador e invernador, notando-se acurado cuidado em seus rebanhos, de boas mestiçagens.

E' natural do Estado de Santa Catharina, tendo nascido em mil oitocentos oitenta e seis, transferindo-se para o Rio Grande, onde em mil novecentos e onze contrahiu nupcias com dona Rita Rocha de Cassia, de quem enviuvou.

Casou-se novamente ainda neste município de Vaccaria, com a exma. sra. d. Alzemira Pareira de Souza, no anno de mil novecentos e vinte e oito.

Fervoroso adepto das idéias castilhistas, conta-se Luiz de Souza Machado como elemento de todo prestigimoso, no seio do Partido Republicano.

Vaccaria, maio de 1930.

Capitão Delfino Borges de Oliveira

O capitão Delfino Borges de Oliveira, criador e invernador adiantado, reside com sua família no quinto districto de Vaccaria, na séde do seu estabelecimento pastoril, denominado "Fazenda São João da Vista Alegre".

Animado de espírito progressista, de logo resalta essa característica, attentas as excellentes cruzas observadas em seus rebanhos: Normandos, Charoleses e Zebús.

Nasceu o capitão Delfino Borges de Oliveira no município de Vaccaria, a 2 de janeiro de 1882.

Seus paes: Joaquim Caetano de Souza e dona Anna Soares Borges.

Em mil novecentos e doze contrahiu nupcias com a exma. sra. d. lgnacia Duarte Borges, havendo do matrimonio quatro filhos: Joaquim, João, Olivia e Misael.

Filiado ao Partido Republicano, vem-lhe prestando sempre o mais valioso concurso, o capitão Delfino Borges de Oliveira.

Vaccaria, maio de 1930.

José Firrnino Lopes

José Firmino Lopes nasceu em São Francisco de Paula de Cima da Serra, a vinte e cinco de setembro de 1891, e são seus paes Manoel Pereira Lopes e d. Maria Borba de Jesus.

E' casado com a exma. sra. d. Emma Stella de Aguiar, tendo se effectuado o seu consorcio em S. Francisco, em mil novecentos e doze, e tem sete filhos: Esther, Arlindo, Celyra, Nelson, Dilon, Mario e Nadyr.

Politicamente José Firmino Lopes pertence ao Partido Republicano, e não poucos têm sido os serviços prestados a essa aggremiação.

Por alguns annos, e ainda em periodos anormaes, exerceu os cargos de subintendente e sub-delegado de policia, no município de São Francisco de Paula.

Em estabelecimento proprio, a fazenda de nome "Rincão das Flores", no oitavo districto de Vaccaria, e onde reside, cria e inverna gados de apreciáveis qualidades.

Vaccaria, maio de 1930.

Tenente Claro João Pereira

Residente o setimo districto de Vaccaria, em Muitos Capões, o tenente Claro João Pereira, que é natural deste município, desfruta ahi estima geral.

Nasceu a vinte e sete de dezembro de mil oitocentos e oitenta, filho do sr. Raymundo Pereira dos Santos e de dona Joanna Maria de Lima. Casado com a exma. sra. d. Celuta Alves Pereira, no anno de mil novecentos e oito, ha uma unica filha do casal, dona Itamyra Pereira.

E' criador adiantado o tenente Claro João Pereira, e exerce, actualmente, os cargos de Escrivão e Notario, no referido districto, além de Delegado Escolar.

Filiado ao Partido Republicano, desde jovem, ainda não ha muito, em periodo anormal, alistou-se em um corpo da Brigada do Nordeste, fazendo toda a campanha.

Não somente no seio da familia castilhista como na sociedade de Vaccaria é elemento de destaque. Vaccaria, maio de 1930.

Samuel Guazzeli

Samuel Guazzeli é natural da ltalia, filho de Francisco Guazzeli, tendo transferido sua residência para o nosso Estado, no anno de mil oitocentos oitenta e um, aos vinte e tres annos de idade.

Casou com a exma. sra. d. Maria José Guazzeli, no município de Vaccaria, em rriil oitocentos noventa e quatro, e desse enlace contam-se nove filhos: Francisco, dona Mauricia, casada com o tenente-coronel Avelino Paim Filho; o tenente-coronel Samuel Guazzeli Filho; dona Amabile, casada com o sr. Juvenal Paim; Dorval, Zelia, Jonathas, Leovegildo e Alina.

Desde 89, como ardoroso republicano, presta à causa, com incontrastavel prestígio, o mais accentuado concurso. Por isso, e demais, pelos meritos pessoaes, não poucas vezes tem sido conduzido ao exercício de cargos varios, administrativos, policiaes e políticos.

Conselheiro municipal em multiplos mandatos, exerce, agora, interinamente, o cargo de Delegado de Policia do Municipio, e effectivamente, os de sub-intendente, e subdelegado do terceiro districto, Capão Alto.

Tem sua residência no districto, em magnífica vivenda, enriquecido de bellissimo pomar. E' ainda o nosso biographado, operoso commerciante.

Vaccaria, maio de 1930.

Tenente Luiz Bittencourt

O primeiro tenente Luiz Bittencourt exerce no oitavo districto, - Cap. da Luz, - os cargos de Escrivão Districtal e Notario, e é tambem adeantado criador dos gados vaccum, cavallar, muar e lanigero, em campos que possue nesse mesmo local.

Pertencêra tambem ao magistério publico do Estado.

Bem moço ainda, o tenente Luiz Bittencourt já prestava à causa republicana, como ardoroso e disciplinado soldado do Partido os bons serviços, aliando à fé partidária, apreciável senso de independência.

Nos movimentos de 23 e 26, serviu no 33o Corpo Auxiliar, pertencente à Brigada do Nordeste.

E' filho do finado tenente João Baptista Lisboa Bittencourt, que servira ao regime, em 93, sob as ordens do saudoso coronel Avelino Paim de Souza. Sua progenitora, dona Sebastiana da Silva Bittencourt. Casado em 1912, no município de Bom Jesus, com a exma. sra. Maria de Oliveira Paim, gozam o casal e familia de todo conceito social.

Do enlace ha os filhos: Almedorina, Maria Benta, Alda, Waldomira, Theresinha e José. Nasceu o tenente Luiz Bittencourt neste município, no dia 21 de fevereiro de 1889. Vaccaria, março de 1932.

Tenente Joaquim Claudino Goulart

o tenente Joaquim Claudino Goulart dedica sua actividade à pecuaria e ao commercio, no oitavo districto de Vaccaria, onde tem estabelecido sua casa de negocio e montado o seu estabelecimento pastoril.

E' natural do município de Vaccaria, tendo nascido a sete de janeiro de mil oitocentos noventa e tres, filho de José Claudino Goulart.

Em mil novecentos e quinze desposou a exma. sra. d. Guilhermina Sant'Anna Goulart, de cujo consorcio ha sete filhos: José, Garibaldi, Daniel, Aryovaldo, João Alceu, Therezinha e Gioconda.

Durante o movimento revolucionaria de mil novecentos e vinte e tres prestou valiosos serviços à causa da legalidade, merecendo, em poucos mezes, crescentes e sucessivas posições, ora junto ao Estado-major da 42 brigada, ora como combatente, em varios encontros, dentre outros, os de Rio do Peixe, Cerquinha e Rio das Contas.

A um tempo, denodado e convicto o nosso biographado!

Vaccaria, maio de 1930.

Firmino da Silva Rosa

Proprietario de varias fazendas, reste Estado e no de Santa Catharina, é Firmino da Silva Rosa abastado e adiantado criador.

Numa dellas, situada no primeiro districto de Vaccaria, e a tres leguas da séde, denominada "Fazenda do Soccorro", exerce directa administração, pessoalmente.

Rebanhos seleccionados povoarn os seus campos, e é de ver como não poupa esforços o progressista fazendeiro, que o é, dados os excellentes reproductores, das varias raças Devon, Hereford, Hollandez, Zebú Gil, e, dentre os lanigeros, Lincoln e outras.

Na apourada criação de animaes cavallares, emprega reproductores Inglez e Arabe.

Tres são as suas fazenda em Santa Catharina: a do "Gateado", - a do "Paequerê" e a da "Guarda-mór", respectivamente, nos municípios de Campo Bello, Capão Alto e Coxilha Rica. Possúe aqui no Estado, além da do Soccorro, outra fazenda em Antonio Prado.

Firmino da Silva Rosa nasceu em São Francisco de Paula, a cinco de junho de 1863, filho de Francisco José da Rosa, já fallecido.

Em 1884 desposou, em Santa Catharina, a exma. sra. d. Balbina Camargo Rosa, cujo retrato se vê à direita.

E' filiado ao Partido Republicano, ao qual tem prestado o seu valioso concurso.

Vaccaria, maio de 1930.

Coronel Velocino Paim de Andrade

Reside no segundo districto de Vaccaria, Vista Alegr propria séde de seu estabelecimento pastorial, a "Fazenda dc Morro Grande". Igualmente, como costuma fazer, passa a residir na séde do Municipio, em lar proprio, durante a estação invernosa.

E' o acatado chefe politico no districto, onde desfruta, tambem, alias, em todo o município, do melhor conceito social.

O coronel Velocjno Paim de Andrade é republicano da propaganda, e grande é a sumula de serviços prestados ao Partido.

Não raro, tem sido instado para o desempenho de altas investidoras, recusando-se, já por modestia, ja por circunstancial de todo particulares, sempre justificáveis.

Conselheiro municipal, em dous mandatos, cooperou assiduamente na obra administrativa.

Não menos intensa tem sido a sua actividade, como criador adiantado, sendo seus gados de optima qualidade, apurada pelas melhores selecções.

O coronel Velocino Paim de Andrade nasceu no município de Gravatahy, a tres de agosto de 1861, sendo seus paes Maximo Paim de Andrade e d. Joaquina Pedroso de Moraes, já fallecidos.

Transferindo sua residência para Vaccaria, ahi desposou d. Hortencia Paim de Souza, no anno de 1884, e desse enlace tem dous filhos: d. Candida e Theophilo.

Tendo vuivado, casou em segundas nupcias com a exma. sra. Lucia Meirelles Martins, havendo nove filhos: Alcina, Adeodato, Theresa Alayde, Hortencia, Alfredo, Olga, Mucio, Julio Symes e Noemia.

Referências bibliográficas: 1. ALBUM ILUSTRADO DO PARTIDO REPUBLICANO CASTILHISTA - Rio Grande do Sul - Seibach - 1934 - R Alegre RS

2. BARBOSA, Fidélis Dalcin. A Diocese de Vacaria. EST. EDUCS, 1984. Porto Alegre - Caxias do Sul.

3. BARBOSA, Fidélias Dalcin. Vacaria dos Pinhais. EST. EDCICS 1978, Porto Alegre - Caxias do Sul.

4. BORGES FORTES e WAGNER. História Administrativa, Judiciária e Eclesiástica do Rio Grande do Sul. Globo, 1963, Porto Alegre.

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6. FARIA, Otávio Augusto de Faria. Dicionário Geográfico, Histórico e Estatístico. Globo, 1914, Porto Alegre.

7. FERNANDES DE OLIVEIRA, José. A Rainha do Planalto. Editora São Miguel, caxias do Sul, 1959.

8. GARDELIN, Mário. Para a História da ClCs. 22 Edição, Edições EST-1995, Porto Alegre.

9. VARELA, Alfredo. História da Grande Revolução. Globo, 1933. Porto Alegre, RS.