Poesia Horizontes do Pago  

Roberto Osório Júnior
gentileza de Lanes Fernando

I

Quando o sol da manha sobre as colinas,
Lá nos rincões bonitos do meu pago,
Põe a cabeça loira e olhas as campinhas,
Goza a paisagem sensação de afago...

Ó milagre das luzes matutinas!
Ó prodígio de Fébo - artista mago!
Na terra, as varzeas são esmeraldinas...
Em cima, o céu azul é imenso lago...

Doce encanto dos largos horizontes,
Onde os cêrros, nos longes azulados,
Parecem graves, cismadoras frontes...

O campo amplia-se e talvez os céus...
E alma e sentidos de emoção tocados,
Nessa paisagem nós achamos Deus!...

II

Olhar ao longe um horizonte aberto,
Onde ao azul o verde se mistura,
Onde da terra o céu está tão perto
Que Deus abraça a sua criatura...

Agora os coxilhões, logo a planura,
Que se sucedem sem limite certo...
Ver a amplidão, enfim, que configura
O cenário do Pampa descoberto...

Tal o anseio, a aspiração, o anelo
Do guasca filho do Rio Grande altivo
Que tem na gleba o seu ideal mais belo!

Livre, montar o lombo da coxilha
E carregar no peito, redivivo,
O ideal de amor à Terra Farroupilha!