Poesia
 

Enviada, simultaneamente, por
Kleber de Conto/Marau e Marcel Francisco Mota
complementada por Ronaldo de Oliveira Silva


Merda, merda, sempre merda

Deus fez tudo que há no mundo,
E foi um serviço brabo.
Fez perna, cabeça e rabo,
Fez o pelo e fez a cerda.
Fez boi, fez carreta lerda.
Baralho e jogo de taiva,
E um dia quando cestiava,
Veio o Diabo e fez a Merda.

Foi aquele reboliço quando apareceu a cuja.
Mais feia do que coruja,
Fedendo que era um perigo,
E desde então é um castigo,
Do qual a gente se nega,
Mas todo o mundo carrega,
Desde que corta o umbigo.

Há vários tipos de merda,
Na falação gauchesca.
Merda fina, merda seca,
Churriu fino, churriu grosso.
O cagalhão e o troço.
Que de soldado a coronel,
Fedem em qualquer quartel

Merda, merda, sempre merda,
Parceira que ninguém gosta.
Seja esterco ou seja bosta,
Dura, mole ou granulenta,
Seja de rico ou seja de pobre
A merda é sempre fedorenta.

Merda em solado de bota,
Merda em roseta de espora,
Merda que se joga fora,
Num desperdício mais cru.
Se um dia ela fosse moeda,
E a merda valesse ouro,
O rico juntava um tesouro,
E o pobre nascia sem cú.


Caro Roberto,

Revendo as poesias obscenas, constatei que a poesia MERDA, MERDA SEMPRE MERDA, está incompleta.

A autoria dessa poesia é de Jaime Caetano Braum e foi escrita num guardanapo durante um dos festivais da Coxilha Nativista de Cruz Alta.

Dentro da barraca da AABB, aqueles que ali estavam fizeram um pedido ao poeta para que ele declamasse uma poesia não divulgada.

Então naquele avançado horário da madrugada chovendo uma enormidade, ele gentilmente foi escrevendo num guardanapo, corrigindo, riscando e no final aprontou ela que a intitulou simplismente de MERDA. Disse-nos que ela estava na sua cabeça, mas não podia divulgá-la nem declamá-la.

Um forte abraço.

Ronaldo de Oliveira Silva

Vila Velha (ES)
17/novembro/2004