Tropilha de Escuros

Autoria: J. O. Nogueira Leiria

Minha parelha de escuros
não tem mancha ou lista branca.
São negros, filhos da noite,
meu pastor, minha potranca.

Ele é sestroso e é indócil,
cheio de ímpetos e arrancos;
ela é nervosa, franzina,
toda tremor pelos flancos.

Quando meu pastor relincha,
sacode a seda das crinas.
E, nos dois, vibra o desejo,
que os faz buflar as narinas.

Acasalados, assim,
não os misturo com outros,
para herdar sua linhagem,
minha tropilha de potros.

E, quando tiver o número
de sete cavalos pretos,
hei de domá-los eu mesmo,
amanunciando-os com jeito.

Hei de metê-los em forma
e fazê-los seguidores,
de modo a poder pegá-los
no campo e nos corredores.

Sem precisar de reponte,
apenas tenha montado,
os outros seis seguirão
o companheiro, a meu lado.

E, com meus sete cavalos,
escuros, filhos da noite,
haverá rumo ou distância
que eu a cruzar não me afoite?

Hão de falar do andarengo
e de seus cavalos pretos,
do que andava pelos campos
ao rumo dos quatro ventos,
sacudindo um pala branco,
que se erguia em meio ao bando
de sete cavalos pretos.

(Mas quem saberá das ânsias
que lhe enfunavam o pala
nessa nuvem de tormenta?...)

Origem: Livro "Rincões perdidos", autoria de J. O. Nogueira Leiria. Editora Sulina. 1968.

Publicado por Roberto Cohen em 29/05/2001.

Editado por Roberto Cohen em 09/01/2004.

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