Poesia Meu Pala  

Ruben Sofildo da Silva
gentileza de Paulo Eleutério

Meu velho pala gaúcho
Nobre traste farroupilha,
Que andaste pela encilha
Junto do guasca farrapo.
E onde, tu, velho trapo,
Foste testemunha de horror,
Quando junto em batalha.
Servindo até de mortalha,
Prá o gaúcho peleador...

Por isso pala franjado
Triste fico quando vejo teus flecos,
Quantas vezes nos botecos
De um corredor de campanha,
Já meio manchado de Canha,
Por um xirú beberrão,
Que gritando; "Oh bolicheiro!
Me encha o copo ligeiro
Ou eu te viro o balcão"...

Quanta humildade meu pala
Te dão nos dias de agora,
Os lindo tempos de outrora
Já se foram a trote largo.
E hoje, só dias amargos
Nos restam prá tradição ,
Mas, nós embora solitos,
Vamos andando ao tranquito
Vivendo de uma ilusão...

Meu velho pano lendário
Que junto andaste no pampa,
Tu guardas na tua estampa
Tantos sinais de nobreza.
Hoje, encaro com tristeza
Quando te vejo em meu rancho,
Anunciando uma desgraça.
Todo furado das traças
Dependurado num gancho...

Por isso, meu pala velho,
Este é um pedido meu,
Já que o destino te deu
A sina de andar comigo.
Eu peço prá todo o amigo,
Que se eu morrer velho ou moço,
E ao me encontrar estirado,
Que me deixem sossegado
contigo atado no pescoço...