Poesia Mensagem de Milongas  

Moacir D'Avila Severo
gentileza de Jorge Mondin

Quando debatem guitarras
Nas farras de pulpeiras,
A milonga chega calma,
É alma destas porfias.
E o eco de uma garganta
Se implanta nas pradarias.

Eu sou cantor de milonga,
Seu galope me fascina.
Nela eu mando meus chasques
- Mensagem de amor a china -
Milonga nasceu no Prata,
Cresceu e se fez latina.

Milonga é do milongueiro
Parceria de mil jornadas,
Porta-voz dos oprimidos
Quando as ambições armadas
Ditavam na pampa "gaúcha"
Com baionetas caladas.

Num clamor por liberdade
Milongas traziam a força
Nas gargantas exiladas
Como as de Mercedes Sôsa,
As de Ataualpa e Horácio,
De Cafrune e Zitarrozza.

E por denunciar sistemas
Se fez história também.
Hoje manda em seus versos
Conselho aos homens de bem:
- Bom senso aos que tem muito,
Consenso aos que nada tem.

Milongas e milongueiros
Parceiros de um canto mor,
Ela é consciência pura,
Mistura de pranto e suor.
E ele diz o que sabe
Num grave de Dó Maior.