Poesia Ibirapuitã  

Moacir D'Avila Severo
gentileza de Jorge Mondin

Cristalinas águas mansas que passavam
Como tropas no reponte ao Ibicuí.
Quantas delas ondularam minha imagem
A zombar da minha pretensão guri.
Que num remanso rondava a linha de mão
No sonho imenso de fisgar um surubí.

Ibirapuitã, Ibirapuitã,
Batizado em tupy,
Abençoado por Tupã.
Ibirapuitã, Ibirapuitã,
Quem bebe da sua água
Não morre com a alma pagã.

Do balneário do Porto dos Aguateiros,
Quando lembro, tanta saudade me dá.
Juntava os "pilas" para alugar um caíque
E, rio acima, numa aventura de piá,
Batia remos até o poço de bombas
Pra ver o encontro das águas do Caverá.

Ibirapuitã, Ibirapuitã,
Batizado em tupy,
Abençoado por Tupã.
Ibirapuitã, Ibirapuitã,
Quem bebe da sua água
Não morre com a alma pagã.

Rio que banha o meu berço alegretense
Que o farrapo em capital transformou.
Rio que foi testemunha de batalhas
De tanto herói que a história consagrou.
Eu quero ouvir tuas cachoeiras murmurando
Teu lindo canto que a cantar me inspirou.

Ibirapuitã, Ibirapuitã,
Batizado em tupy,
Abençoado por Tupã.
Ibirapuitã, Ibirapuitã,
Quem bebe da sua água
Não morre com a alma pagã.