Poesia Funeral de Tropas  

Moacir D'Avila Severo
gentileza de Jorge Mondin

A tropa aponta na ponta da estrada
Maleva que leva ao Juízo Final.
Ergue-se à poeira, parda bandeira,
Em cerimônia a um funeral.

O berro do boi, o grito do homem,
O assovio do vento no fio do alambrado,
São fundos que marcam a última viagem
De vidas-passagens, destinos traçados.

E o grito de "Hêra"
Ecoando no espaço
Ao lerdo expressa
Mais pressa no passo.

Toda esta tropa se ajunta com a junta
De bois mansos: Pintado e Pitanga,
Do ventre ajojados num mesmo fadário,
De viver e morrer parceiros de canga.

Caminham em silêncio, têm mais experiência,
Pela convivência com o homem-patrão.
Querem mostrar aos que berram em protesto
Que perdão é bom gesto se a morte é razão.

E o grito de "Hêra"
Que ouviam na canga
Ora é grito sentença
Ao Pintado e ao Pitanga.

Outras tropas virão nesta estrada,
Soldados sem armas à luta fatal.
Tombarão como heróis trocando suas vidas
Pela fome do homem em mais um funeral.