Poesia Elegia à Pátria Amada  

Loresoni Barbosa
gentileza de Paulo Roberto Vargas

Sombreando a beira da estrada
passam os filhos bastardos
que a pátria mãe esqueceu,
buscam a parte que cabe
a cada cristão que vive
a semear no que não é seu.

São rudes homens no arado
mas por dentro mutilados
com vergas no coração,
pleiteando chão para enxada
que descansada faz covas
nos duros ombros do peão.
É sol que arde na cara
ressecando os sonhos pobres
desses eternos andejos,
é a chuva fria e calma
varando os forros da alma
que já tem tantos remendos.

Quando a noite abriga os sonhos
dos afilhados da sorte
nessas favelas rurais,
a Deus confiam suas preces,
pois logo o dia amanhece
e a estrada não se desfaz.

Num frágil rancho de lona,
o vento passa enticando
co’a chama da lamparina
que se ladeia faceira,
e atrás da rala cortina
uma doce lágrima rola
quando a parteira apara
mais um rebento pra vida.

É pena que outras bandeiras,
venham buscar nas vielas
votos sem terra e sem nome.
a inocência trai os pobres,
que empossam bandeiras nobres
empunhadas por algozes
que trocam trapos por ternos
e viram os pratos da fome.

Quem sabe n’outro poema
não mais veremos as cenas
que decompõem tristes versos
nesse louco amor transitório,
onde ambos vivem juntos,
a terra terna desnuda
sempre a esperar a muda
do beirador de alambrados.

Quando a poeira se levanta,
turvando as lágrimas puras
que regem as esperanças
dos moradores da estrada,
crianças pôem-se a cantar,
tentando ensinar pra gente
que a terra no cio é a amante
que o semeador quer amar.

Mas as canções não tem asas
como as calhandras cantoras,
ecoam pelas lavouras
mas morrem pelas calçadas.
São como a flor distraída
que nasceu linda pra vida
mas sufocou-se co’as nuvens
sem perfumar alvoradas.

Salve esses homens da estrada,
soldados sem farda
margeando o asfalto,
cruzando o Brasil,
cantando a pátria adorada
que não dá morada
a quem passa co’arado
a enxada e o canzil.

Pois é tempo de semeadura,
de terra nua, esperança
do peão que nunca se cansa
esperando o solo e o grão.
Menos mal que Deus habita
pelas minguadas marmitas
desses humildes artistas
que pintam sonhos no chão...