Poesia Prece do Cavalo - versão 1  

Autor Desconhecido
gentileza de Juliana Lima

Ao meu amo, ofereço a minha oração:
Da-me comida e cuida de mim, e
quando a jornada terminar;
Dá-me abrigo, uma cama limpa e seca
e uma baia ampla para descansar em conforto.

Fala comigo, tua voz muitas vezes
significa para mim o mesmo que as rédeas.
Afaga-me às vezes, para que te possa
servir com mais alegria e aprenda te amar.

Não maltratas minha boca com o freio
e não me faças correr ou subir um morro.

Nunca, eu te suplico, me agridas ou
me espanques quando não entender
o que queres de mim,
mas dá-me uma oportunidade de te compreender.

E, quando não for obediente ao teu comando,
vê se algo não está correto nos
meus arreios, ou maltratando meus pés.

E, finalmente, quando a minha utilidade
se acabar, não me deixes morrer de frio
ou à míngua nem me vendas para alguém cruel
para morrer lentamente torturado ou morrer de fome.

Mas bondosamente, meu amo, sacrifica-me
tu mesmo e teu Deus te recompensáreis para sempre.
Não me julgues irreverente se te peço isto,
em nome D'Aquele que também nasceu num estábulo!


Prece do Cavalo - versão 2

Autor Desconhecido
gentileza de Chimarrita

Ouve, atende tu que és meu dono,
quando te imploro:

Dá-me que comer e dá-me que beber,
trata-me com carinho ao terminar o
trabalho diário que me exiges;
proporciona-me um bom alojamento,
cama limpa e sêca, baia larga e espaçosa,
para que eu possa me deitar com comodidade.

Fala comigo.
Tua voz me indicará melhor
o que devo fazer, do que
o teu chicote ou as tuas esporas.

Acaricia-me às vezes senão muitas,
que desse jeito te servirei
com mais alegria e muito mais saberei te amar.

Não puxes inutilmente pelas rédeas,
não me castigues ao subir uma ladeira,
não me obrigues a sofrer
pesos superiores às minhas forças.

Não me castigues jamais quando
te não tenha compreendido;
procura sempre fazer-me
compreender o que de mim queres.

0lha-me com atenção tôdas as vezes
que eu deixar de fazer o que me ordenas;
vê se há alguma cousa que não me convenha
ou me ofenda nos arreios ou nas minhas patas.

Quando vires que evito comer
ou resisto ao bom governo,
examina os meus dentes e as minhas barras,
talvez seja um dente dolorido
ou a existência de ferimentos nas barras.

Não tenhas presa a minha cabeça em posição forçada,
de modo que me prive de deitar,
nem me prives da minha defesa
contra as moscas e mosquitos
aparando—me exageradamente a cauda
e os pelos dos esporões e das quartelas.

Enfim, peço-te me livres do mormo e das esponjas.

Quando se esgotarem as minhas fôrças
para o serviço não me separes de ti
para que eu não morra de fome ou de frio;
não me vendas a um dono cruel
que me vá torturar pela fome
e pelo trabalho que eu não posso mais dar.

Tira-me antes a vida
por meios mais brandos e menos dolorosos.

O teu Deus há de recompensar-te
pela caridade com que tratas
um ser inferior que também
nasceu numa estrebaria.