Poesia Mate  

Cancioneiro Gaúcho, recolhido por Augusto Meyer

(...)

Dizem que o mate afoga
As mágoas do coração;
Mate sobre mate tomo,
As mágoas boiando vão.

Eu venho lá de longe,
Noite velha adiantada;
Dá-me um mate-chimarrão,
Minha boa misturada.

Senhora dona da casa,
Eu sou muito pedichão;
Mande me dar de beber,
Mas que seja um chimarrão.

Senhora dona da casa,
Dê-me um chimarrão
Com quatro pedras de açúcar,
E queijo e bastate pão.

Do meu canto eu estou vendo
Quantos mates vais chupando;
Quando me chegar a cuia,
Os pauzinhos 'stão nadando.

Eu não quero tomar mate,
Quando os ricos 'stão tomando;
Quando chega a vez dos pobres,
Os pauzinhos 'stão nadando...

Quem quiser que eu cante bem
Dê-me um mate de congonha,
Para limpar este peito,
Que está cheio de vergonha.