Vago é meu pago.
Este que trago,
cicatriz em mim,
Raiz de minhas íntimas origens,
veio subterrâneo de onde vim.
Vago é meu pago.
Este que trago,
em músculos e ossos.
Inteiro como foi porque é memória,
flor de perenidade entre destroços.
Vago é meu pago.
Este que trago,
como sombra e manto.
É meu destino a cruz de sustentá-lo
nos alicerces de vento de meu canto.

Origem: Livro "Pago vago", autoria de Apparicio Silva Rillo. Martins Livreiro Editor. 1981.
Publicado por Roberto Cohen em 29/05/2001.
Editado por Roberto Cohen em 05/01/2004.