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Não sei porque nesta noite |
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Aureliano de Figueiredo Pinto escreveu no isolamento das pequenas cidades do interior, afastado dos grupos literários, e permaneceu desconhecido em sua época. Foi lido só no círculo restrito de amigos entre os quais os escritos passavam de mão em mão. Apenas em 1959, ano de sua morte, a poesia surgiu impressa num livro - Romances de Estância e Querência. Verificou-se depois a importância para o regionalismo gaúcho, pois é um dos seus representantes mais autênticos. Num certo sentido, os poemas gauchescos de Aureliano podem ser aparentados aos de Vargas Neto: o mundo que aí transparece está solidamente ancorado na realidade campeira, nasceu da observação imediata. Em geral se relaciona à experiência biográfica do próprio autor, referindo episódios e impressões de que ele pode dar testemunho pessoal e nisto reside precisamente a força de convicção. Noutras passagens ele também elabora literariamente os casos recolhidos na tradição anônima dos tropeiros, assumindo então uma tonalidade fortemente coloquial. Tudo concorre par a naturalidade da expressão, livre de qualquer beletrismo, mais próxima à oralidade do cancioneiro popular. Só em 1973 publicaram-se os originais do romance que escrevera ainda nos anos "30" - Memórias do Coronel Falcão. Também aí sua contribuição é significativa. Trata-se duma crítica corrosiva aos hábitos políticos da Primeira República, desmaascarando a corrupção da máquina partidária. Esta narrativa completa, asism, a perspectiva inaugurada por Amaro Juvenal no Antonio Chimango. Se publicado na sua época, a obra de Aureliano de Figueiredo Pinto certamente teria execido uma benéfica influência nos rumos do regionalismo. |