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Nessas estradas peladas, (Antonio Chimango, 1915) |
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O Antonio Chimango foi escrito pelo tributo Ramiro Barcelos que assinou o pseudônimo Amaro Juvenal. É uma dimensão nova do regionalismo gaúcho, pois acrescenta-lhe a sátira política; e, no quadro da literatura brasileira, veio a dar um dos mais felizes exemplos deste genêro. Trata-se de uma visão fiel do Rio Grande de 1910/20, mergulhado no autoritarismo despótico das lideranças geradas no primeiro período republicano, que logo adiante seria contestado mediante a rebelião armada. Homem combativo que tivera seus interesses sufocados nas intrigas partidárias, o escritor investe contra os donos do poder fazendo-os protagonistas duma caricatura mordaz; o espaço político da província não passa de uma estância qualquer, outrora próspera, desmantelada pela tirania e pela incompetência do chimango. Por ousada que fosse a crítica de Amaro Juvenal, não se deveu apenas a ela a notável repercussão do poema, garantindo as sucessivas edições que a mantiveram na preferência popular até hoje. A permanência resultou, sobretudo, da originalidade de sua composição, pois Amaro Juvenal teve a feliz idéia de intercalar a sátira propriamente dita nas rondas dos tropeiros. E os comentadores têm apontado nesta fórmula um raro caso de congeminação poética ou criação dupla, sem quebra da unidade essencial. Ora, é este segundo aspecto - a denúncia da miséria campeira, seus trabalhos e sacrifícios - que atribui o legítimo sentido regional e literário ao texto, ultrapassando o simples painel epocal. Ao longo do tempo, o Antonio Chimango revelou que sua força estava menos na crítica aos poderosos e muito mais na fervorosa elegia ao tropeiro anônimo, o peão humilde das estâncias. |