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MÚSICA Homenagem à
milonga vence a Coxilha
ROBERTO NETTO
A milonga Os Cães Danados da Milonga foi a grande vencedora da 20ª edição da Coxilha Nativista, que se encerrou na madrugada de ontem, no Ginásio Municipal de Esportes de Cruz Alta. Com letra e interpretação de Vinícius Brum e música de Tuni Brum, a composição levou o primeiro prêmio do festival – recebendo R$ 2 mil e o Troféu Erico Verissimo – e venceu na categoria melhor arranjo. Cerca de 3 mil pessoas lotaram o Ginásio Municipal de Esportes para assistir à final do festival, que contou com 16 concorrentes. Para Vinícius Brum, a composição é uma homenagem à milonga, gênero que “decifra os gaúchos como povo”. Com 21 anos de carreira e cerca de 50 títulos, Brum conquistou pela terceira vez o primeiro lugar na Coxilha. No ano passado, venceu com o candombe Inquietude (Vaine Darde/Sabani Felipe de Souza) e, em 1992, ganhou com a música Procissão, em parceria com Jaime Vaz Brasil. Os cinco jurados tiveram dificuldades para escolher a composição vencedora. Segundo a jurada Maria Luiza Benitez, a qualidade das músicas foi excelente, principalmente em relação aos últimos festivais. Para ela, pelo menos cinco músicas tinham condições de levar o primeiro prêmio, opinião também compartilhada por Terson Praxedes, diretor de palco do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF). Vencedora da 10ª Coxilha Nativista com a composição Açude, e com 30 anos de carreira, Maria Luiza assinalou a falta de mulheres concorrendo como compositoras e intérpretes, fato que tem ocorrido na maioria dos festivais nativistas. Ela acredita que o machismo ainda predomina nos palcos e pede que os músicos façam mais composições adequadas para as mulheres. A secretária de Cultura, Desporto e Turismo de Cruz Alta, Marlene Bortoli Soares, atribuiu a maior presença de público ao preço dos ingressos, aos shows de intervalo, aos diversos prêmios sorteados e à qualidade das composições apresentadas, mas criticou a falta de patrocinadores para um evento cultural de porte como a Coxilha. O espetáculo de abertura da final foi realizado pelos vencedores da 16ª Coxilha Piá, um evento paralelo dedicado aos jovens e que busca revelar novos talentos do nativismo. No encerramento do festival, o cantor Gaúcho da Fronteira fez um show cativante, que empolgou o público. Com muito bom humor, ele apresentou sucessos da carreira, como Segura o Tchê e Pampa Pobre, cantada em coro pelo público. O show do artista também contou com as participações de João de Almeida Neto e Analise Severo. Durante o espetáculo, Gaúcho da Fronteira fez um apelo para que a juventude não use drogas.
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