copiado de ZH Digital no dia 01/08/2000

MÚSICA

Homenagem à milonga vence a Coxilha
A música “Os Cães Danados da Milonga”, de Vinícius Brum e Tuni Brum, foi a grande vencedora do festival de Cruz Alta

ROBERTO NETTO
Cruz Alta, Especial/ZH

    Angelino Rogério (com o microfone) foi o intérprete da música mais popular do festival, “Tocando Rebolo” (foto Renoir Sampaio, especial/ZH)

            A milonga Os Cães Danados da Milonga foi a grande vencedora da 20ª edição da Coxilha Nativista, que se encerrou na madrugada de ontem, no Ginásio Municipal de Esportes de Cruz Alta.

            Com letra e interpretação de Vinícius Brum e música de Tuni Brum, a composição levou o primeiro prêmio do festival – recebendo R$ 2 mil e o Troféu Erico Verissimo – e venceu na categoria melhor arranjo. Cerca de 3 mil pessoas lotaram o Ginásio Municipal de Esportes para assistir à final do festival, que contou com 16 concorrentes.

            Para Vinícius Brum, a composição é uma homenagem à milonga, gênero que “decifra os gaúchos como povo”. Com 21 anos de carreira e cerca de 50 títulos, Brum conquistou pela terceira vez o primeiro lugar na Coxilha. No ano passado, venceu com o candombe Inquietude (Vaine Darde/Sabani Felipe de Souza) e, em 1992, ganhou com a música Procissão, em parceria com Jaime Vaz Brasil.

            Os cinco jurados tiveram dificuldades para escolher a composição vencedora. Segundo a jurada Maria Luiza Benitez, a qualidade das músicas foi excelente, principalmente em relação aos últimos festivais. Para ela, pelo menos cinco músicas tinham condições de levar o primeiro prêmio, opinião também compartilhada por Terson Praxedes, diretor de palco do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF).

            Vencedora da 10ª Coxilha Nativista com a composição Açude, e com 30 anos de carreira, Maria Luiza assinalou a falta de mulheres concorrendo como compositoras e intérpretes, fato que tem ocorrido na maioria dos festivais nativistas. Ela acredita que o machismo ainda predomina nos palcos e pede que os músicos façam mais composições adequadas para as mulheres.

            A secretária de Cultura, Desporto e Turismo de Cruz Alta, Marlene Bortoli Soares, atribuiu a maior presença de público ao preço dos ingressos, aos shows de intervalo, aos diversos prêmios sorteados e à qualidade das composições apresentadas, mas criticou a falta de patrocinadores para um evento cultural de porte como a Coxilha.

            O espetáculo de abertura da final foi realizado pelos vencedores da 16ª Coxilha Piá, um evento paralelo dedicado aos jovens e que busca revelar novos talentos do nativismo. No encerramento do festival, o cantor Gaúcho da Fronteira fez um show cativante, que empolgou o público. Com muito bom humor, ele apresentou sucessos da carreira, como Segura o Tchê e Pampa Pobre, cantada em coro pelo público. O show do artista também contou com as participações de João de Almeida Neto e Analise Severo. Durante o espetáculo, Gaúcho da Fronteira fez um apelo para que a juventude não use drogas.

OS VENCEDORES
1º Lugar: Os Cães Danados da Milonga (Vinícius Brum/Tuni Brum), com Vinícius Brum
2º Lugar: O Canto do Sabiá (Ivo Bairros de Brum/Miguel Marques), com Miguel Marques
3º Lugar: Beliscando o Vento (Carlos Omar Villela Gomes/Ângelo Franco), com Ângelo Franco e Pirisca
Música Mais Popular: Tocando Rebolo (Arnildo Merência e Angelino Rogério), com Angelino Rogério
Melhor Conjunto Vocal : Grupo Raízes
Melhor Conjunto Instrumental: Tempo “Loco”
Melhor Arranjo: Os Cães Danados da Milonga
Melhor Letra: Liberdade
Melhor Instrumentista: Sérgio Rosa
Melhor Intérprete: Jorge Freitas
Melhor Indumentária: Angelino Rogérioa