ORELHA:
Quem não o conhece, certamente, está perdendo oportunidade de conviver com a sinceridade e a alegria. Na sua livraria, ali na Riachuelo, há mais de vinte anos, os visitantes não demoram a identificá-lo pela prestância e presteza ao servir, sempre com um sorriso franco estampado na face. Amante dos livros, adepto do campismo, pescador inveterado, bom proseador e, como não poderia deixar de ser, exímio contador de causos e anedotas, o IVO ALMANSA notabiliza-se pela simpatia e cordialidade.
Observador atento, atrás do balcão do seu estabelecimento comercial, muito freqüentado por escritores e intelectuais, ouve, anota e registra os relatos, frases e expressões que lhe transmitem. Nas pescarias, é comum encontrá-lo à beira d'água, linha na mão, voltado para os próprios pensamentos, fisgando mais idéias que peixes, num exercício de tranqüila e proveitosa elaboração mental. Quando retorna, via de regra, com poucos peixes, mas trazendo, no alforje, inúmeros ditos, adágios e comparações que criou e ouviu. Irônicas, insólitas, jocosas, tais sentenças sempre contemplam algum ensinamento que a inventia e a criatividade populares consagram e perpetuam.
Dessas experiências e lucubrações, resultou uma quantidade considerável de material que não caberia em um único tomo. Fez-se necessário um rodeio geral para selecionar o mais significativo. Com a sabedoria de campeiro velho, o IVO soube, com zelo e talento, apartar o que lhe pareceu mais sugestivo, dando-lhe um toque pessoal inconfundível.