Martins Livreiro Editor







Baby Pignatari - o centauro de bronze
Oficina de Criação Literária
Alcy Cheuiche 2006
136 páginas





Getúlio Vargas e Baby Pignatari

Depois do sucesso dos livros sobre o carreteiro Chananeco e o tropeiro Honório Lemes, duas figuras de grande densidade histórica, poderia parecer fútil escrever sobre um playboy internacional. Mas meus alunos mantiveram-se firmes em seu propósito. Decidimos, então, que eles contariam duas histórias ao mesmo tempo: a exploração do cobre nas Minas do Camaquã e a saga do milionário que a ela dedicou a melhor página de sua vida.

Há cerca de oito mil anos, na Turquia, o cobre foi o primeiro metal usado pelo homem. Era preciso saber como fora descoberto no extremo sul do Brasil e essa pesquisa forneceu um dado extraordinário. Foi o Imperador D. Pedro II, em sua passagem por Caçapava, em agosto de 1865, que incentivou o Coronel João Dias, fazendeiro que encontrara uma pedra dourada em seu campo, a mostrá-la aos ingleses que exploravam ouro em Lavras. Novas amostras são recolhidas e enviadas para a Inglaterra, comprovando a qualidade do metal. Os ingleses começam a mineração.

Em seguida a narrativa se desloca para Nápoles, onde nasce no dia 11 de fevereiro de 1917 o menino Francisco Matarazzo Pignatari, que receberia o apelido de Baby de sua babá inglesa Rita Andrews. A Europa está mergulhada na Primeira Guerra Mundial e o Conde Matarazzo, avô da criança, resolve partir de volta para o Brasil levando toda a família.

Enquanto o menino cresce em São Paulo, é narrado o triste fechamento das minas, o descaso das autoridades e o descontentamento do povo rio-grandense oneculminaria comarevolucão de 1 923_ Em seqüência é

Em um dos melhores momentos, a narrativa leva o leitor ao carnaval de 1937 no Rio de Janeiro: o primeiro baile do Municipal, as noites no Copacabana Palace, as escolas de samba, os sucessos musicais de Carmen Miranda e Chico Alves. Baby retoma a São Paulo para o enterro de seu avô na quarta-feira de cinzas. No dia seguinte completa vinte anos. Um mês depois perde o pai e começa sua carreira na indústria.

A partir de uma fotografia em que Getúlio Vargas e Baby Pignatari estão juntos num automóvel, foi intensificada a pesquisa que mostrou a grande influência nacionalista de Vargas sobre o jovem industrial. A narrativa desse primeiro encontro, acontecido no Palácio do Catete, em agosto de 1942, é rica em detalhes sobre o esforço do Brasil em tentar a sua auto-suficiência na produção de cobre. O momento é grave, o país acaba de declarar guerra aos países do Eixo.

Vemos assim, que ao contar a vida de Baby Pignatari, onde não faltam os detalhes picantes de seus quatro casamentos e muitas aventuras amorosas pelo mundo todo, este livro tem o mérito de recordar fatos marcantes da vida brasileira. E de revelar que o amante de princesas e artistas famosas foi também um trabalhador incansável, um amigo de Vargas e Kubitschek, um homem que lutou pela independência industrial do Brasil.

Baby Pignatari morreu aos sessenta anos, em 1977, e, quase trinta anos depois, meus alunos não encontraram nenhum livro que contasse sua vida. Como teve um único filho, já falecido, restam apenas os netos que não conheceram o avô. Mas ainda vive na Itália, com mais de oitenta anos, sua primeira esposa, Mimosa Parodi Delfino, e muitas pessoas no Brasil, como o sobrinho Giulio, que com ele trabalharam e ainda lhe querem bem. A maioria delas conviveu com Baby nas Minas do Camaquã, onde ainda existe a sua casa muito bem conservada, junto às maiores reservas brasileiras de cobre, infelizmente sem exploração. Mas ali também está, como testemunha de sua fé, a enorme cruz que mandou erguer no alto de uma pedra, como a pedir a proteção divina para o recanto do planeta que ele mais amou.

Alcy Cheuiche
XVI Feira do Livro de Caçapava do Sul
Outono de 2006



ÍNDICE:

  1. Capítulo I
    Das entranhas da terra

  2. Capítulo II
    Na baía de Nápoles

  3. Capítulo III
    A Revolução de 1923

  4. Capítulo IV
    Matarazzo e Coriolano

  5. Capítulo V
    O carnaval de 1937

  6. Capítulo VI
    Pignatari e Getúlio Vargas

  7. Capítulo VII
    Visita à Estância do Itu

  8. Capítulo VIII
    Baby: industrial de sucesso e playboy internacional

  9. Capítulo IX
    Ira de Fuerstenberg

  10. Capítulo X
    Uma Cruz no alto da Pedra

  11. Capítulo XI
    Um canteiro de flores

  12. Epílogo



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