REPORTAGEM ESPECIAL
Versos improvisados marcam a despedida
Admiradores compareceram pilchados ao velório no Palácio Piratini
DIRCEU ALVES JR.
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| Cortejo: o governador Olívio Dutra lamentou a perda do conterrâneo (foto Luiz Abreu – divulgação/ZH) |
Desde o meio-dia de ontem, o Salão Negrinho do Pastoreio do Palácio Piratini ficou repleto de gente. Eram pessoas enlutadas pela perda de Jayme Caetano Braun. Amigos, parentes e admiradores, muitos deles pilchados, foram dar seu adeus ao payador. Em volta do caixão envolto com a bandeira do Estado, a irmã, Zélia Caetano Braun, amparava os familiares. Abatida, a viúva Aurora Braun, Bréa para os amigos, preferia não se manisfestar. Era apoiada pela cunhada, Judith Braun de Oliveira, e pela amiga Judite Dutra, primeira-dama do Estado.
Por volta das 16h, a bandeira do Grêmio juntou-se à do 35 CTG. O secretário de Estado da Cultura Luiz Pilla Vares lamentava a perda:
– Cada vez menos temos payadores. Junto com Noel Guarany, Braun era o maior payador do Rio Grande.
Muitas prendas se despediram de Braun. Apenas uma a rigor. A funcionária pública aposentada Sirlei Maria Davi, 52 anos, se considera mais que uma fã. Ela também escreve poesias e declama. Conheceu Braun há cerca de 20 anos, quando o tradicionalista comandava um programa na Rádio Guaíba. Na despedida ao mestre, Sirlei declamou de improviso à beira do caixão, pouco antes de o corpo ser encomendado.
O tradicionalista Davison Labrea puxou as despedidas em repente, ao lado dos amigos Cardeal e Vilmar Romera. O pronunciamento do governador Olívio Dutra, amigo há décadas, emocionou as centenas de presentes:
– Ficamos abraçados com tua alma, tua poesia, teu sentimento telúrico. Com tua vontade de ver o Estado incorporado à Federação de forma criativa e criadora.
O cortejo partiu no fim da tarde para o Cemitério João XXIII, onde Jayme Caetano Braun foi sepultado, depois de um pronunciamento de Luiz Pilla Vares, às 18h30min.