Fauna e Flora Pássaros  

gentileza de Pércio de Moraes Branco
Branco, Pércio de Moraes - Lagoa Vermelha e municípios vizinhos. Porto Alegre, EST, 1993. 306 p. il.

ANDORINHA.
No Rio Grande do Sul, são encontradas onze das quatorze espécies de andorinhas brasileiras, três das quais apenas no verão. Uma outra espécie passa o inverno aqui e, no verão, migra para o Sul, rumo à Patagônia.

As andorinhas passam a maior parte do tempo no ar, à cata de insetos. Têm um vôo rápido (até 145 km/h) e ágil. Muitas vezes aparecem em bandos, pousadas nos fios, antenas e telhados, ao contrário dos andorinhões, que pertencem a outra família, e que costumam pousar em lugares inacessíveis.

Uma das andorinhas mais comuns no Rio Grande do Sul é a andorinha-de-testa-branca (Tachycineta leucorrhoa), de 13,5 cm, que mostra o ventre todo branco e verde-azulado, reluzente e escuro.


ANU-BRANCO (Guira guira).
Chamamos de anu-branco uma ave mais conhecida nesta região por alma-de-gato e rabo-de-palha e, em outras, por pelincho e outros nomes.

Alma-de-gato e rabo-de-palha são nomes inadequados porque designam também outras aves. Pelincho é um nome usado apenas no Rio Grande do Sul.

Por esses motivos e por ser o anu-branco um nome muito usado, inclusive em outros estados, deve-se dar preferência a ele. Além disso, trata-se de uma ave que tem parentesco com o anu, o que torna a denominação apropriada.

O anu-branco tem 40 cm de comprimento e pode ser visto em pequenos bandos tanto na cidade como nos campos e beira de matas. Tem uma cauda comprida e frouxa e voa baixo.

Pousa de modo muito desajeitado, levantando a cauda e dando a impressão de que vai capotar para a frente. Tem bico e olhos alaranjados, dorso marrom, peito esbranquiçado e uma crista frouxa.


BEIJA-FLOR.
Existem 319 espécies de beija-flor, das quais apenas 18 ocorrem no nosso estado, sendo dez comuns. O beija-flor, também chamado de colibri, chupa-flor, pica-flor, chupa-mel, cuitelo, guanambi, guinumbi, guainumbi e guanumbi, tem características únicas: além de ser uma das aves mais velozes, só ele consegue parar no ar, voar para trás e em qualquer outra direção.

A menor ave que se conhece é um beija-flor, de Cuba.

Normalmente são bem coloridos, com reflexos metálicos, mas há beija-flores preto-e-brancos, também muito bonitos. São corajosos e belicosos, brigando com outros beija-flores e aves de outras espécies. Entretanto, nos bebedouros onde se põe água-doce, permitem que as cambacicas venha beber ao mesmo tempo que eles, sem importuná-las (o beija-flor-dourado, pelo menos).

Têm visão e audição muito aguçadas. As espécies migratórias podem percorrer mais de 800 km em um só vôo.

Não sabemos a que espécie pertencem os beija-flores de Lagoa Vermelha. Têm cerca de 10 cm e plumagem verde e azul, em vários tons.


BEM-TE-VI (Pitangus sulphuratus).
Este é um pássaro muito conhecido, principalmente pelo seu canto inconfundível. Prefere as proximidades dos rios e banhados mas aparece também nas cidades. Tem 25 cm de comprimento e cores vivas: amarelo no ventre, marrom no dorso e cabeça escura com sobrancelha branca. É parecidíssimo com o neinei, mas os cantos são bem diferentes. Em outras regiões é conhecido por pituã e triste-vida.


CAMBACICA (Coereba flaveola).
A cambacica é também conhecida por sebinho, sebito, sebite, caga-sebo, amarelinho, tem-tem-coroado e guaratã. Tem apenas 11 cm de comprimento, mas se destaca pelo seu colorido vivo, peito amarelo, dorso escuro, garganta esbranquiçada e sobrancelha branca longitudinal.

O bico é relativamente longo e curvo. Aprecia muito o néctar da flores, perfurando-as na base para sugá-lo. Quando encontra um bebedouro de beija-flores com água doce, bebe freqüentemente. Um bebedouro desses que mantemos em nosso local de trabalho foi visitado durante mais de um ano e meio por uma cambacica que tinha uma perna só e que voltava sempre, mesmo quando, por motivo de férias, deixávamos de instalar o bebedouro por mais de 30 dias.


CANÁRIO-DA-TERRA (Sicalis flaveola).
O canário-da-terra é um pássaro comum em todo o Rio Grande durante o ano inteiro.

A fêmea tem cor marrom-clara em cima, sendo branca ou amarelo-clara em baixo, com riscos mais escuros no ventre. O macho é predominantemente amarelo, com as costas algo esverdeadas, contendo riscos escuros. Medem 13 cm e, ao contrário das demais espécies da sua família (Fringillidae), prefere usar os ninhos de cochicho ou joão-de-barro para botar seus ovos, em vez de construir ninho próprio. Pertencem à sua família o coleirinho, o tico-tico, o cardeal (que não aparece em Lagoa Vermelha) e o pintassilgo.

O canário-da-terra alimenta-se de sementes e pequenos artrópodes e pode ser visto em arbustos e árvores. É assim chamado para diferenciar do canário-do-reino, que foi trazido de Portugal. Recebe também os nomes de canário-do-ceará, canário-cabeça-de-fogo, canarinho e chapim.


COLEIRINHO (Sporophila caerulescens).
O coleirinho mede 11 cm e éassim chamado por possuir na garganta uma faixa branca. O restante da plumagem tem cor cinzenta, com ventre esbranquiçado. A fêmea é marrom-esverdeada em cima e mais clara em baixo.

Sua alimentação é composta de sementes de gramíneas e outras plantas de campo aberto, sendo, por isso, também chamado de papa-capim. Éabundante no verão em nosso Estado, tornando-se mais raro no inverno. Pode ser visto nos arbustos e árvores baixas.

Recebe também os nomes de coleiro, coleirinha, coleira-virada e coleiro-virado.


CORRUÍRA (Troglodites aedon).
A corruíra é pouco menor que o tico-tico (12 cm). Tem bico alongado, cor marrom nas asas e cauda, com peito esbranquiçado. Embora não tenha cor chamativa, seu canto é bem característico. É comum fazer ninho em áreas habitadas, debaixo de telhas, em vasos e plantas, ocos de troncos e até mesmo dentro de casas.


JOÃO-DE-BARRO (Furnarius rufus).
O joão-de-barro pode ser desconhecido por muitas pessoas mas seu ninho todos conhecem. Macho e fêmea constroem juntos uma casa de barro e pequenos galhos, muito resistente, em árvores e postes, às vezes sobre outras casas do mesmo tipo. Tem uma cor parda, ferruginosa nas costas e principalmente na cauda. Seu canto éforte, até mesmo algo espalhafatoso. A fêmea costuma pôr três ou quatro ovos, três vezes por ano. É também conhecido como joão-barreiro, barreiro, forneiro e pedreiro.


PARDAL (Passer domesticus).
O pardal é nativo da Europa e norte da África e foi trazido para o Brasil na década de 30 ou talvez antes. Aqui, adaptou-se muito bem à cidade e hoje pode ser visto em todo o país. Essa fácil adaptação permite que ela seja encontrado em todos os continentes, exceto a Antártica.

O pardal macho tem uma mancha preta no peito e na garganta (babador), manchas cor de ferrugem logo atrás dos olhos e brancas nas laterais da garganta. A fêmea é marrom-cinzenta, sem traços distintivos.

Como os tico-ticos, os pardais gostam muito de painço e outros grãos, comendo também insetos e artrópodes. Reunem-se em grandes bandos no fim do dia, em certas árvores, fazendo grande alarido e só sossegando quando anoitece. Há quem diga que eles expulsam os tico-ticos da cidade, mas isso é discutível. Nossas observações, por exemplo, mostram que é comum comerem juntos, sem brigar e, se algumas vezes o pardal expulsa o tico-tico, outras vezes é este que expulsa o primeiro.


PINTASSILGO (Spinus megallanicus).
O pintassilgo mede 13 cm e tem uma coloração viva, com predomínio da cor amarela, que aparece no ventre principalmente. As asas têm cor amarela e preta. A cauda é preta mas, em vôo, mostra também cor amarela. O macho tem cabeça preta. Na fêmea, a cabeça e o dorso são esverdeados.

Costuma aparecer em bandos de 10 a 20 aves e prefere o topo das árvores. Pode ser cruzado com o canário-do-reino, dando um híbrido chamado pintagol. Alimenta-se de sementes de capim e é também conhecido como pintassilva e pintassilgo-do-campo.


QUERO-QUERO (Vanellus chilensis). Quero-quero enviado por Luciane Sturm
Embora considerado por alguns ave típica do Rio Grande do Sul, o quero-quero ocorre em todo o Brasil, mesmo ao Norte do Equador e também na Austrália. É ave típica do campo e aprecia terrenos abertos e úmidos, o que não impede que seja vista próximo ao centro de Lagoa Vermelha. Na av. Presidente Vargas, junto à esquina com a rua Dr. Jorge Moojen, há um amplo terreno baldio onde já vimos diversos quero-queros.

O quero-quero mede 35 cm e exibe plumagem de cores branca, preta e cinzenta, com um penacho bem visível na cabeça. Muito mais conhecido que sua forma é o seu canto, facilmente reconhecível, que pode ser ouvido a grande distância e do qual derivam alguns de seus diversos nomes: quero-quero, téu-téu, tetéu e terém-terém. Mostra um esporão alaranjado na asa, usado para defesa.

É visto em todo o nosso Estado e em todas as épocas do ano e tem algumas características marcantes: nunca é visto empoleirado, apenas no ar ou no chão. Quando alguém se aproxima do seu ninho, mostra-se agressivo e tenta expulsar o invasor, mesmo que seja o Homem, dando vôos rasantes. Seu ninho é feito no chão, em campo aberto e sem proteção. A fêmea costuma pôr três ou quatro ovos, na primavera.

Além dos nomes citados, recebe também os de gaivota-preta, espanta-boiada e chiqueira.

(imagem do Quero-Quero enviada gentilmente por Luciane Sturm)


ROLINHA-PICUÍ (Columbina picui).
Segundo Belton, a rolinha-picuí aparece em todo o Estado, exceto na região Nordeste, nas áreas acima de 800 m de altitude. Entretanto, Lagoa Vermelha se enquadra neste caso e esta ave aparece aqui, pelo menos no verão. É um pássaro de 16 cm, acinzentado (macho) ou cinza-amarronado (fêmea). O macho tem a cabeça mais clara que o resto corpo, de um cinza meio azulado. Quando voa, a rolinha mostra penas brancas na cauda e preto-e-brancas nas asas. É bem menos arisca que o tico-tico e o pardal e, quando em casais, mostra um comportamento muito amoroso.


SABIÁ-LARANJEIRA (Turdus rufiventris).
O sabiá-laranjeira é o mais conhecido dos diversos tipos de sabiás, sendo uma das aves mais populares do Brasil. É comum em todo o nosso Estado e durante o ano todo, tanto em jardins como em florestas. Pode ser visto no chão, em arbustos ou árvores. Costuma fazer ninho em laranjeira, daí seu nome.

Alimenta-se principalmente de frutas, apreciando em especial a laranja, mas come também minhocas, lagartas e outros animais. Mede 24 cm e tem cor laranja no ventre, o que o distingue do sabiá-coleira. Tem um canto forte e alegre, mas pouco variado e que repete muitas vezes, chegando a ser monótono. Mostra estrias na garganta.

É também conhecido como sabiá-cavalo, ponga, piranga, sabiá-de-barriga-vermelha, sabiá-laranja, sabiá-piranga, e sabiaponga.


SANHAÇO.
O sanhaço pertence à família Thraupidae, que inclui os gaturamos e as saíras. Há vários tipos de sanhaço, como o sanhaço-frade, o sanhaço-cinzento, o sanhaço-de-coqueiro e o sanhaço-papa-laranja. Em Lagoa Vermelha, parece-nos que ocorre o primeiro desses. O sanhaço-frade tem plumagem principalmente azul-escura, parecendo, às vezes, ser preto. Machos e fêmeas são muito semelhantes (ao contrário do que ocorre com o sanhaço-papa-laranja, espécie em que o macho é bem mais colorido que a fêmea).

Os sanhaços são todos grandes devoradores de frutas. Eles preferem o mato mas podem ser vistos em jardins e pequenos capões. Permanecem no nosso Estado durante todo o ano.


TESOURINHA (Muscivora tyrannus).
A tesourinha é uma ave facilmente reconhecível por sua longa cauda bifurcada, que lhe dá o nome. Mede no total 28 cm se for fêmea ou 38 cm se for macho, tendo este cauda mais longa. Tem ventre branco, costas cinzentas e cabeça e face pretas. Entre as penas do alto da cabeça, tem algumas de cor amarela que não costumam ser vistas, a não ser quando está excitada e/ou fazendo galanteios.

Aparece no nosso Estado em fins de setembro, migrando para o Norte em fins de fevereiro ou início de março, em bandos que totalizam milhões de indivíduos, segundo Belton. Costuma pousar nos fios, arames de cerca, antenas de televisão, etc. A fêmea costuma botar quatro ovos, no período em que aqui permanece. Alimenta-se de pequenos artrópodes e frutos.


TICO-TICO (Zonotrichia capensis).
O nome do tico-tico vem do tupi e deriva do seu canto. Esta ave e o pardal devem ser as duas espécies mais comuns no perímetro urbano de Lagoa Vermelha. Muitas pessoas confundem esses dois pássaros, apesar de terem diferenças facilmente percebíveis. O tico-tico tem cor marrom e mostra três listas pretas longitudinais na cabeça, com nuca cor de ferrugem características que o pardal não mostra. O dorso é marrom e preto, listado e a garganta é branca. A distribuição das cores é a mesma no macho e na fêmea. No tamanho, sim, assemelha-se ao pardal, medindo ambos 15 cm. Filhotes que já abandonaram o ninho mas ainda são alimentados pela mãe não mostram faixas pretas na cabeça e a mancha cor de ferrugem na nuca, tendo o peito pontilhado em preto e branco.

O tico-tico costuma fazer ninho no chão e muitas vezes fêmeas de vira-bostas nele põem seus ovos. Quando nascem os filhotes, pode-se ver a fêmea do tico-tico dando comida no bico aos filhotes do vira-bosta, bem maiores que ela, com a mesma dedicação com que alimenta seus próprios filhos.

O tico-tico é o pássaro de maior distribuição no nosso Estado, sendo visto em todas as suas regiões e durante o ano inteiro. Em outros pontos do país é também chamado de maria-é-dia e maria-judia.


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