editorado por Roberto Cohen em 27/04/2001
origem: fascículo "Josué Guimarães",
Coleção "Autores Gaúchos",
IEL - Instituto Estadual do Livro RS, 1988.
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1921 Em 7 de janeiro, nasce em São Jerônimo, JOSUÉ Marques GUIMARÃES, o penúltimo de nove irmãos, filho de José Guimarães, telegrafista de profissão e pastor leigo da Igreja Episcopal Brasileira, e de Georgina Marques Guimarães:
"Josué não tinha bem um ano quando a família mudou-se para Rosário do Sul. 1930
A família muda-se para Porto Alegre e Josué passa e estudar no Grupo Escolar Paula Soares.
1934 Inicia o curso secundário no Ginário Cruzeiro do Sul, onde funda Grêmio Literário Humberto de Campos. Escreve de cinco a seis artigos por número no jornal do colégio e é o autor das peças teatrais encenadas a cada fim de ano.
1938 Formado no Ginásio, faz o pré-médico, mas, após as primeiras aulas de anatomia, resolve abandonar o curso.
1939 Vai para o Rio de Janeiro e inicia sua carreira de jornalista na revista O Malho e Vida Ilustrada. É declarada a II Guerra Mundial e Josué retorna a Porto Alegre. Nesse mesmo ano inicia-se no rádio-teatro da Rádio Farroupilha, trabalhando com Estelita, Peri, Capitão Erasmo Nascentes e Walter Ferreira.
1940 Aos dezenove anos casa-se com Zilda Marques. 1942 Lança em Porto Alegre a revista
de rádio Ondas Sonoras.
1944 Inicia suas atividades no Diário de Notícias. 1948 Deixa o Diário de Notícias para tornar-se repórter exclusivo e correspondente da revista O Cruzeiro no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina.
1949 Colabora na Revista Quixote 4, fevereiro de 1949, com a crônica "Sangue e Pó de Arroz". Esta publicação de Porto Alegre divulgou por longo período, nomes da literatura rio-grandense. 1951 É eleito vereador em Porto Alegre, pelo PTB, ocupando, na oportunidade, a vice-presidência da câmara. Como vereador batiza o largo próximo à praça da Alfândega de "Largo dos Medeiros", em homenagem aos irmãos proprietários do Café e Confeitaria Central.
1952 Assina a coluna "Ronda dos Jornais no semanário carioca FLAN. 1954 Assina a coluna "Um dia depois do outro" no Jornal Última Hora do Rio de Janeiro. 1956 Trabalha como redator na MPM Propaganda. 1957 É chamado por Assis Chateaubriand para reformular o vespertino carioca Diário da Noite, órgão dos Diários Associados.
1960 Funda a sua própria agência de propaganda, dissolvida um ano depois para assumir a Direção da Agência Nacional sob o governo João Goulart.
1961 Ocupa a direçao geral da Agência Nacional, hoje Empresa Brasileira de Notícias, até 1964. 1964 Deposto o presidente João Goulart, refugia-se em Santos, São Paulo, onde passa a viver na clandestinidade sob o nome de Samuel Ortiz. 1969 Descoberto, finalmente, pelos órgãos de segurança, responde a inquérito em liberdade e retorna a Porto Alegre. 1970 Publica Os ladrões, coletânea de contos, pela Fórum Editora do Rio de Janeiro. Com esta obra, Josué Guimarães inicia sua produção literária que irá se compor de 24 obras, entre romances, novelas, coletânea de artigos e de contos, literatura infantil, além da participação em várias antologias.
1971 Com o pseudônimo de Philleas Fog mantém a coluna "A Volta ao Mundo", no jornal Zero Hora, fazendo entrevistas imaginárias, de marcante conteúdo crítico, com personalidades internacionais. 1972 Publica seu primeiro romance: A ferro e fogo - Tempo de Solidão, editado pela Sabiá (José Olympio) do Rio de Janeiro, A obra trata da colonização alemã no Rio Grande do Sul e é a primeira de uma trilogia. O segundo volume é lançado três anos depois, A ferro e fogo - Tempo de Guerra.
1974 É correspondente da Empresa Jornalistica Caldas Júnior até 1976 na Africa e em Portugal, onde acompanha a Revolução dos cravos.
1976 Lança em Lisboa o Jornal CHAIMITE - "o único jornal que venceu antes de sair" (legenda da capa do número I - 26.2,76) 1977 O romance Tambores silenciosos é agraciado com o 1º Prêmio Érico Veríssimo da Editora Globo que, posteriormente, publica a obra.
1981 Depois de obter o divórcio do primeiro matrimônio, casa-se com Nídia Moojen Machado. 1986 23 de março: Morre em Porto Alegre o escritor Josué Guimarães. 1987 Lançamento (maio) de A última bruxa, último livro de Josué dedicado às crianças, L&PM.
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Acervo Literário de Josué Guimarães
"Foi nos anos 70 que Josué Guimarães surgiu na literatura brasileira com um desejo muito maior do que a necessidade de ser original e singular: o desejo de comunicar-se com o outro e ajudar na transformação de seu país. Seu primeiro livro, "Os ladrões", já apresentava a constatação de que o homem moderno vai-se tornando cada vez mais fragilizado diante de um mundo que o oprime, e a noção de que as artes, em específico a literatura, têm o dever de ir à frente de sua época, transformá-la, e construir novos valores. A tarefa de pensar o novo mundo, transformar sua época, construir novos valores, não tem início em Josué Guimarães quando ele inaugura as suas atividades de ficcionista. Ao contrário, ela já fazia parte de sua vida desde 1939, no começo de sua carreira de jornalista na revista O Malho e Vida Ilustrada, no RIo de Janeiro. Cidadão do mundo, esse escritor que nasceu em janeiro de 1921, na cidade de São Jerônimo, no interior do Rio Grande do Sul, afirma que "escrever é comunicar-se", entendendo que a tarefa de comunicar-se implicava a necessidade de seguir em frente, encontrando sempre novo caminho na experiência adquirida através de sua vivência e na tarefa de descobrimento, ato de libertação de estruturas sócio-político-econômicas petrificadas. Sua visão crítica da realidade, já esboçada nos primeiros contos, é constante em toda sua obra ficcional. Reitrando a matéria prima de seus romances da paisagem regional, procura refazer o sistema de relações sociais, caracterizando, então, o discurso ideológico da sociedade sul-riograndense. Assim, criando universos ficcionais incomuns, retratou aspectos do Rio Grande do Sul que poucos conheciam." -x- "Pesquisador incansável, descobriu, amou e reinventou sua gente. Romancista e homem de ação, Josué Guimarães era um político nato, foi eleito vereador em Porto Alegre pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), em 1951. Destacou-se na vereança pelo exemplo de coerência e coragem, o que justifica toda a perseguição que lhe foi movida pela ditadura. A obra ficcional que produziu compreende-se inteira no curto espaço de dezesseis anos, de 1970 a 1986. Consequentemente, ele é por excelência "o narrador da trágica década de 1970", o que explica a natureza de sua narrativa e a grande importância que desempenhou na interpretação crítica da história brasileira." Texto de Maria Luíza Ritzel Remédios, organizadora do livro "Josué Guimarães - o autor e sua ficção", editado em conjunto pela Editora da UFRGS e Editora da PUCRS. O material utilizado para construção desta homenagem ao escritor Josué Guimarães teve como origem o excelente fascículo "Josué Guimarães", da Coleção "Autores Gaúchos", editada pelo IEL - Instituto Estadual do Livro RS, na data de 1988. A referida biografia constante neste fascículo foi organizada por Vera Regina Luz Grecco. |