Globalização à Gaúcha |
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Aplauso - Cultura em Revista - set/98 ![]() "Só existe um mal, meu patrício, P'ra o qual não conheço cura! Misto de dor e amargura Que já causou tanto estrago, Pois não se afoga num trago, Nem se queima a ferro quente: É aquilo que o guasca sente Quando está longe do Pago!" Jayme Caetano Braun Se depender de Jatir Delazeri, que há 15 anos mora nos Estados Unidos, um pedacinho dos pagos gaúchos vai se manter escravado no coração de Los Angeles. para matar as saudades da terra em que nasceu, Delazeri fundou, no dia 20 de setembro de 1992, o CTG Bento Gonçalves. Aos finais de semana, cerca de 80 pessoas se reúnem em um parque da cidade para fazer churrasco e tomar chimarrão. Entretanto, o que mais chama a atenção no movimento surgido em pleno coração ianque é a nacionalidade dos peões e prendas: são brasileiros de vários estados, espanhóis, peruanos, bolivianos, guatemaltecos e até norte-americanos. Todos vestem pilchas e festejam os valores gaúchos. Delazeri acredita que os estrangeiros "são atraídos pela tranqüilidade e serenidade do movimento". O crescimento dos CTGs fora do Rio Grande do Sul é um forte indicativo de que o movimento também está tomando o rumo da globalização. Além de Los Angeles, existem Centros na Flórida, no Japão, na Holanda, na Malásia, na Argentina, no Uruguai, no Paraguai e em vários outros países. O escritor Barbosa Lessa, um dos principais teóricos do movimento, acredita que o tradicionalismo está se universalizando. "Na medida em que a globalização avança e transforma o ser humano em uma cifra, medindo seu valor pela capacidade de consumo, o tradicionalismo é a única alternativa em que a família convive em ambiente de pura cordialidade". Nos últimos anos, a grande familia gaudéria tem registrado sinais de vitalidade e crescimento. De acordo com os números do MTG, que funciona como uma espécie de federação das entidades gauchescas, existem 1.500 CTGs registrados no Rio Grande do Sul e em torno de 800 no resto do Brasil. O número pode triplicar, se forem contados os grupos folclóricos, associações nativistas e piquetes não-filiados. "Nos últimos dez anos, houve um crescimento de 90% do movimento. Éramos apenas 10% do que somos hoje", festeja o presidente do MTG, Dirceu Brizolla.
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