extraído da revista
Nova Escola - Editor Abril
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com autorização - 01/06/2001



Caderno de Atividades
Edição Nº142
Maio de 2001

Isso sim é uma aula de tradição
Danças e costumes gaúchos melhoram o rendimento em escolas de Parobé

Ferdinando Casagrande, de Parobé (RS)

Fotos Edson Vara
A turma da Jorge Fleck...
Phimarrão em punho, bombacha, lenço vermelho no pescoço, bota de couro. A imagem do gaúcho se tornou conhecida no Brasil graças ao respeito que todos no Rio Grande do Sul dispensam às suas tradições e costumes — não só nos campos e nas cidades, mas também nas escolas. Para manter aceso o interesse das novas gerações, a Secretaria de Educação de Parobé, a 80 quilômetros de Porto Alegre, criou um projeto que leva lendas, vestuário, danças, pratos típicos e a história do Estado para dentro das salas de aula.

"A intenção é manter viva nossa maior riqueza usando-a para ensinar os conteúdos curriculares", explica Ludinara Scheffel, coordenadora do Folclore nas Escolas. O trabalho começou em 1998 para revitalizar o interesse pelo gauchismo na gurizada. "As tradições estavam se perdendo porque Parobé vinha recebendo muita gente de fora", explica Maria Helena Willers, secretária de Educação.

"Ensinar a cultura local ajuda o aluno a compreender melhor o país e o mundo", aprova Maura Dallan, consultora da Fundação para o Desenvolvimento da Educação, órgão da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. Os Parâmetros Curriculares Nacionais recomendam atividades desse tipo e dão outra boa sugestão. Caso sua cidade ou região não tenha tantas tradições para explorar, inicie o trabalho com histórias familiares.

... e o professor Claudecir, devidamente pilchado: lições para preservar a história

Pilchados para a mateada
Ludinara foi convidada a desenvolver as atividades por suas qualificações inquestionáveis: cria dos Centros de Tradições Gaúchas, ela foi prenda do Estado, uma espécie de "miss tradição". Ela conta que sempre estudou a história do Rio Grande do Sul e garante: "Conheço em detalhes as origens de roupas, comidas e expressões". O foco do trabalho era o Ensino Fundamental e o primeiro passo foi o ensino das danças típicas.

Hoje, graças ao projeto, é comum ver as ruas cheias de prendas e peões pilchados a caminho da escola nos dias de mateada. Ops! Se você também não entendeu nada, leia o glossário abaixo. "Começamos pelas danças porque acreditávamos que ela seria um chamariz para os jovens", diz Ludinara. "É o que eles mais gostam", confirma Maria Agoreti dos Santos, professora das turmas de 2ª e 3ª séries da Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Ana Maria Fay dos Santos.

Ao ver o interesse da turma pelos bailados, Régia Viviane Bruck enxergou uma oportunidade para melhorar o aprendizado de Matemática. "A contagem dos passos na Dança do Pezinho, por exemplo, ajuda a ensinar números pares e ímpares", revela. "Para os mais velhos, é possível ensinar porcentagem observando o desenvolvimento das duplas durante os ensaios."

O sucesso dos grupos — nas apresentações e nas notas — logo atraiu outros professores. "Utilizando o barracão, estrutura tradicional da estância, é possível ensinar, em História e Geografia, a colonização do Estado (veja o quadro da página ao lado)", exemplifica Claudecir Barbosa da Silva, que leciona para as turmas de 5ª a 8ª série na Escola Municipal de Ensino Fundamental João Muck.

Em Língua Portuguesa, Letícia Wichmann explorou lendas com a 5ª e a 6ª na Escola Municipal de Ensino Fundamental Jorge Fleck. "Transcrevemos as narrativas orais e os alunos criaram histórias em quadrinhos. Com isso, perceberam as diferenças de linguagem", destaca. "No processo, estudamos o vocabulário gaúcho e as diferenças com a língua falada no resto do país."

 

Uma estância dentro da classe

Sugestões para utilizar a fazenda gaúcha em várias disciplinas

Matemática — trabalhe pesos e medidas usadas nessas propriedades e seus parâmetros de conversão para o sistema atual. Exemplo: hectares para metros quadrados.

Língua Portuguesa — estude vocabulário e linguajar típico.

Geografia — analise os tipos de solo, vegetação e clima das fazendas e as alterações no ambiente provocadas pela ocupação.

História — mostre como surgiram as estâncias, que tipo de mão-de-obra exploravam, qual foi seu papel em momentos decisivos, como a Revolução Farroupilha.

Ciências — elabore aulas sobre os animais cuja força de trabalho era explorada.

Arte — faça maquetes das principais estruturas da propriedade com materiais recicláveis.

Educação Física — use a corda, um elemento fundamental no cotidiano das fazendas, em brincadeiras folclóricas infantis.


Ludinara, na Escola Ana Maria Fay dos Santos: resgate dos símbolos

Tri legal, tchê. Um dicionário de gauchês

Usar o vocabulário regional é uma boa estratégia para ensinar o sentido das expressões e para estudar, em Língua Portuguesa, a etimologia das palavras.

Veja abaixo uma pequena relação de termos típicos falados comumente no Rio Grande do Sul.

Abichornado — aborrecido, envergonhado

Bombacha — calça típica do gaúcho, introduzida durante a Guerra do Paraguai por imigrantes turcos

China das vacarias — mulher pobre que trabalhava como empregada nas estâncias

Chiripá — tipo de vestimenta do homem pobre anterior à bombacha

CTG — sigla para Centro de Tradições Gaúchas

Estância — fazenda

Invernada — grupos de danças típicas que se apresentam em comemorações e eventos tradicionais

Mateada — antigamente, designava a reunião de peões para tomar chimarrão durante o transporte de gado. Hoje, é a denominação das festas tradicionais

Patrão — o dono da estância. Atualmente, também é usado para designar o presidente do CTG

Pachola — bonito, faceiro, é usado para definir um tipo de nó no lenço vermelho que os peões usam no pescoço

Peão — originalmente, essa palavra servia para nomear o empregado da estância. Hoje, é a forma genérica para o par da prenda

Pilcha — a roupa típica de peões e prendas

Prenda — a moça gaúcha, usando seu vestido tradicional de festa


Quer saber mais?

Escola Municipal de Ensino Fundamental João Muck, R. Ilhéus, 200, CEP 95630-000, Parobé, RS

Escola Municipal de Ensino Fundamental Jorge Fleck, est. da Integração, s/nº, CEP 95630-000, Parobé, RS

Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Ana Maria Fay dos Santos, R. Alvicio Scheffel, 1, quadra F, lote 19, CEP 95630-000, Parobé, RS

Secretaria Municipal de Educação de Parobé, Av. João Mosmann Filho, 143, CEP 95630-000, Parobé, RS, tel. (0_ _51) 543-1500

Ludinara Scheffel, R. José Loureiro da Silva, 1914, ap. 304, CEP 95600-000, Taquara, RS

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© Fundação Victor Civita 2000



Autorização:

Date: Fri, 25 May 2001 18:11:43 GMT
From: "NOVAESCOLA ABRIL"
To: cohen@
Subject: Remet:ENC: Remet:Permissao

Caro Roberto,
Antes de tudo, agradecemos o contato com a Revista Nova Escola.
Seu e-mail foi repassado para nosso diretor de redação, Gabriel Pillar Grossi,
que analisou e não colocou obstáculos para seu pedido. Apenas gostaríamos que os
créditos fossem preservados.
Um abraço,
Cristiane Marangon
Atendimento ao Leitor