Se companhia é Cia. Parceria pode ser Pia   Novidades!!
 

Muito me impressiona a capacidade de todos, que já espetaram e jogaram em cima do fogo um pedaço de carne, se considerarem assadores.
Vai dai que ousei cometer este apanhado de coisas, imagens, toques e alguns causos sobre a nobre prática do Churrasco com C maíusculo, do Churrasco Gaúcho, do Rio Grande so Sul, do Churrasco de Carne Gorda!
Tem uma figuras das plagas do norte, comedores de Zebu e Nelore, que andam alardeando que fazem o melhor churrasco do Brasil, que são os reis da cocada preta e coisa e tal.
Ora, me desculpem! Churrasco é originário do grande pampa e o autêntico é feito com carne de boi ou de ovino, quase inteiro, fogo de lenha no chão.
Amizade... asinha de galinha, bifinho de picanhinha, camarão pistolinha... acompanhados de endivias, couve bruxelas, fundo de alcachofra e aceto balsâmico, decididamente não é churrasco!!!
Imagina se agora nós gaúchos resolvermos que somos o rei da moqueca baiana, do tutu mineiro e do cuscus paulista... não é por ai.
Muito já foi dito, escrito e discutido sobre o que é o verdadeiro churrasco. Muita bobagem, exagero, e falta de conhecimento tentam definir o que não é para ser definido. É para ser feito.
Respeitamos e entendemos as diversas variantes do churrasco que se espalharam, como formiga em cadaver de gafanhoto, por este Brasilzão sem tamanho, mas para os gaúchos as tradições são muito importantes e precisamos preservar as riquezas e caracteríticas de nossa cultura.
Morando a mais de 20 anos no Rio Grande do Sul - Pelotas - posso falar de cadeira sobre o assunto, até porque, além de metido a ilustrador, fotógrafo e escritor, não conheço ninguém que asse melhor do que eu!...
Por mais que pareça não vou tentar fechar questão sobre o que é, e o que não é churrasco.
A partir de experiência própria e de outros assadores com quais tive a honra e a sorte de conviver, vou falar e mstrar o que sei e aprendi sobre a nobre arte de assar carne.
Se alguém souber fazer de outra maneira ou souber fazer melhor, me avise ou me convide...

 

Para contiuar esta conversa bagual vamos preparar um chimarrão bem cevado, afinal estamos recém nos acostumando uns com os outros...

 
 

... Churrasco se começa no dia anterior com a escolha e compra da carne, com a montagem da parceria, com a vistoria da churrasqueira e apetrechos, com a cerveja no gelo, etc...
   No dia do evento propriamente dito o "índio se alevanta pensando só naquilo!"
   Tirar a carne comprada de véspera, da geladeira para arejar, mais uma conferida nos utensílios e condimentos para ver se não falta nada, passa-se aquele pano rápido no local, uma boa afiada nas facas...
   O fogo se acende cedo para se obter um braseiro bonito e parelho, enquanto isso pode-se preparar algum beliscativo caseiro, que nada mais será que uma desculpa para abrir a primeira de uma série de entradeiras e saideiras.
   Tudo armado para preparar e espetar a carne, pensando na seqüência das diferentes tipos de carne... lingüiça, vazio, maminha e aquela costela.

   Fogo pronto, carne nele!

   Cuidando as distâncias de cada espeto para se ter porções para todos os gostos.
   Churrasco bom mesmo é aquele que se come quente na táboa do assador, aos pouquinhos sem atropelo, escolhendo pedaços abocanháveis, experimentando com farinha, com caldo, magro, gordo, sangrando, casquinha, curtindo cada naco e antevendo o que ainda vem pela frente. Desculpe pela água na boca... foi de propósito!
    Em um churrasco autêncico, macanudo, se pretende um tempo - nunca determinado - para se jogar baldes e baldes de conversa fora, relaxar, ("livrar-se das tensões do dia-a-dia" é papo de fresco) contar piadas, causos e mentiras, entre um naco de carne e um gole de gelada.
    É a arte do convívio, da curtição de um momento, é a hora do retorno à nossa pré-história de reunião em torno do fogo.

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