atualizado em 05/02/2001



  Termos associados a cavalos  
gentileza de Bernardete Angela Manosso

aporreado, cavalo com doma incompleta, por sua rebeldia. Cavalo caborteiro, solto ao campo por chucro. É usado somente para concursos de ginetes, nos rodeios e festas campeiras

bagual, vistoso, cavalo novo e arisco

... de brigar de faca, cavalo de ótimas qualidades, de destreza, agilidade e de boa rédea

cabano, cavalo que tem as duas orelhas caídas, em forma de chapéu velho. Cavalo dito mocho e que tem fama de caborteiro

cabresteador, diz-se do animal que conduzido pelo cabresto, acompanha facilmente o condutor que o vai puxando

cancheiro, diz-se do animal já habituado a correr nas canchas, treinado para isto

... de cego, animal de montaria que quer parar em todas as portas

changueiro, parelheiro medíocre, para pequenas corridas

clinudo, animal não tosado, de clinas grandes

doce de boca, cavalo que o domador castigou demais o bocal, quebrou demais os queixos, muito sensível de boca, nem bem sente o freio, já atende

flete, cavalo bom e de bela aparência, encilhado com luxo e elegância

fogoso, cavalo que salta longe, pede freio

gavião, é o cavalo arisco, que não se deixa pegar. É o cavalo matreiro e refugador de porteiras e mangueiras

... de lei, parelheiro muito veloz

marchador, cavalo que anda em forma de marcha. São movimentos das patas dianteiras e da trazeira, do mesmo lado, ao mesmo tempo

negador, é o cavalo que dá negadas. Atira-se para o lado quando o peão alça a perna para montá-lo. Cavalo que a qualquer movimento dá uma brusca queda no andar, atirando o cavaleiro para o outro lado

passarinheiro, animal assustadiço, que não merece confiança

penca, Quando os parelheiros são mais de dois

... de porta, animal sempre à mão para qualquer serviço leve da estância

... de rédea no chão, cavalo muito manso

reúno, em sentido figurado, pessoa muito humilde a quem todo mundo e julga com direito de mandar; cavalo que anda de mão em mão, sem marca

solto de patas, animal muito corredor. Excelente paralheiro

tafoneiro, cavalo que só atende para um lado. Próprio para puxar moinho em círculos, engenhos de cana, etc

... de tiro, animal que se leva a cabresto para muda ou outro fim

velhaco, diz-se do cavalo que tem por hábito corcoveia




gentileza do Cônsul da Página do Gaúcho Marcelo Chagas
material extraído do "Dicionário Gaúcho do Cavalo"
de Edilberto Teixeira - Editora Martins Livreiro

Dicionário Gaúcho do Cavalo - Edilberto Teixeira

CAVALINHO, diminutivo carinhoso de cavalo, em razão muitas vezes de uma carreira ganha, quando ele é abraçado como um amigo. ...Certa feita, um carreirista, após a vitória do seu CAVALINHO, despejou um vidro do melhor perfume francês em suas quilinas. E ele era um soberbo zaino negro que tinha a pata esquerda branca. (Cancha do Barro Vermelho, Lavras do Sul).

CAVALITO, cavalo de pequeno porte, franzino, mas, de boa conformação óssea. Cavalo de dar de presente. "Esse rosilhinho vai dar um cavalito pra os arreios".

CAVALO ABOMBADO, que vem cansado, balançando o corpo, como relógio. Não é o mesmo que Aplastado, Sunfado, Sungado. O cavalo se abomba com mais freqüência em dia de vento norte. Nessas condições deve-se andar devagar e com cuidado, tropeando ovelha ou andando em cavalo gordo. Em dia de vento norte até a cruzeira sai a transitar para morder alguém ou para "matarem ela". Dizem que ela entra em cio e sente dores de cabeça!

OBS.: o gado se assoleia, o cavalo se abomba. Para curá-lo, o peão lhe dá um "golpe d'água" no açude. Dá-lhe um tombo inesperado, largando-o de costas no açude (prát. camp.)

CAVALO ABRIDOR, aquele que é ressabiado da cancha ou não sabe ainda alinhar no trilho. Em se tratando de Cancha Aberta é o que destrilha, sai pra o campo, cruza atrás do julgador.

CAVALO ACARNEIRADO, que tem a testa saliente como o do carneiro. Ao contrário do cavalo Chimbé.

CAVALO ADELGAÇADO DE CAMPO, que foi exercitado pra carreira no próprio serviço de campo. Poupado em certas empreitadas em razão do compromisso ou do desafio.

CAVALO ADICIONADO, que está sentido dos boletos, está com dor de canela, por excesso de peso ou de exercícios violentos. Que se adicionou numa pata. Não é o Arreguado.

CAVALO AFRONTADO, que tem pouco fôlego e, quando exausto, "sona" parado. Certos serviços brabos deixam o cavalo afrontado do fôlego. Diferente do Sonador, parece estar atacado do coração.

CAVALO AJEITADO DE FREIO, é o redomão já por vários dias solto com o freio na mangueira. Quando então já parou de "mascar o freio" e pode ser montado com a cabeçada e o freio nos dentes, embora ainda governado com o bocal e as rédeas de domar.

CAVALO ALCAIDE, velho, feio, teimoso. Tudo de ruim.

CAVALO ALEGRETAO, cavalo de carreira com média compostura. Sem preparo exemplar, apenas ativo, alegre.

CAVALO ALIVIANADO, que estava pesado para encilhar e foi emangueirado uns dias antes. Ou alivianado pra carreira, palanqueado, banhado e trabalhado na cancha, sem ser racionado ou forrageado. De cola atada aliviana mais ligeiro.

CAVALO ALPISTA, também, chamado VIDRAÇA. Aquele que tem uma "nuvem branca" na vista e que é mui desconfiado deste lado, em razão de sua pouca visão. Parecido com o Salgo.

CAVALO ALTANADO, aragano, arisco, bagual altanado.

CAVALO ALTANEIRO, manso, mas, aragano e altivo. Aquele que vem sempre na frente da cavalhada pra mangueira. O que puxa a ponta.

CAVALO AMANUNCIADO, adestrado quando potrilho, tiradas as suas cócegas e ensinado a cabrestear. Que deixa levantar as patas e sabe comer milho.

CAVALO AMANUNCIADO DE BAIXO, aquele que, antes de ser domado, perdeu o sestro pelo continuado manuseio do domador. Que perdeu as "cascas" do maneador. Não é o Manso de Baixo. V. TIRAR AS COSCAS.

CAVALO AMILHADO, aquele que há meses come milho e tem o estado real. Não é o Apoderado. V. CAVALO DE TRATO.

CAVALO ANCA CHATA, que tem a anca quase na mesma linha horizontal do lombo. Ajeitado para carregar o poncho na garupa.

CAVALO ANCA DE VACA, que tem a anca caída, fina e feia. Cavalo de usar o laço a bate cola.

CAVALO ANDARECO, parecido com o marchador, porém, caminha como um boneco. Tem o tranco-marchado e é muito bom de cômodo, porém, ruim para atirar o laço.

CAVALO APLASTADO, que vem quase cansado, estranzilhado de muitos dias de tropeada. "Um redomão pangaré que vinha um tanto aplastado" (in. Antônio Chimango). Aquele que, demasiado gordo e sem treino, perde as suas forças ao ser submetido a um trabalho pesado.

CAVALO APODERADO, cuidado de estrebaria há mais de um ano.

CAVALO APORREADO, aquele que não sofreu todo o processo da doma e, por caborteiro, foi solto pra o campo. Nessa condição ficou respeitado pelos demais domadores da região, que o rejeitam por receio. Próprio para os Concursos de Gineteada. É diferente do Bolido. O Aporreado não se amansa nunca.

CAVALO ARANHEIRO, aquele que puxa a aranha, o mesmo que carroceiro. Ainda aquele que para dar de rédea para os lados tem que ser governado com uma única cana de rédea, como na aranha. Diferente do Tafoneiro.

CAVALO ARATA, ruim para os serviços de campo. Tem porte pequeno e pouca destreza. "Puxa nomais este aratá que eu corro com meu petiço!

CAVALO AREJADO, aquele que, depois de desaguachado e banhado no açude, pegou um vento frio e repentino, enrijecendo o corpo.

CAVALO ARGOLADO, o reprodutor ou "inteiro" com um anel de guampa disposto em seu membro para evitar que se masturbe. (Prática de carreira).

CAVALO ARICUNGO, cavalo feio e arcado. Parece ter o espinhaço quebrado, mais feio que o Cilhão. Chamado, também, de Deslombado.

CAVALO ARPISTE, é o alçado, meio metido a gavião. Apenas não deixa chegar perto, foge assustado. Diferente do Gavião.

CAVALO ARREGUADO, cavalo gordo em serviço que se assa dos machinhos ou neles se abriram físsuras pelo uso do maneador mal sovado. Quando se maneia na estaca fica arreguado das patas ou incha das patas. Não é o mesmo Adicionado. - Assado nos machinhos.

CAVALO ARRENDADO DA BOCA, é o que em razão do bocal muito apertado ficou sujeito demais, doce demais da boca. É o que, antes de enfrenar, usa-se BOCAL DE PANO. V. RENDADO DA BOCA.

CAVALO ARRENEGADO DA BOCA, aquele que fica nervoso, escapeteia para os lados e quer livrar-se do freio quando é sujeitado ou esporeado pelo cavaleiro. Diferente do Requentado da Boca.

CAVALO ARROCINADO DE FREIO, aquele que ainda não foi escramuçado de freio, está só "rocino" de freio. Que anda apenas se acostumando de freio. É aquele que nas primeiras posturas de freio não pode ainda ser exigido sob pena de "quebrar-se da boca" ou "sangrar da boca".

CAVALO ARROSILHADO, que tem o pêlo meio rosiiho na anca sobre um fundo alazão, tostado ou colorado.

CAVALO ATORADO, aquele que foi mal trabalhado nos serviços de campo ou que anda judiado no potreiro, sem folga. Que se sunfou nos arreios e que precisa ser solto para dar uma preenchida". Aquele que não tem mais onde apertar a cincha. V. CAVALO SUNFADO, CAVALO DESVIRILHADO.

CAVALO AZAFRANADO, que guarda ainda o pêlo do inverno, dando a impressão de ser branco com reflexos de baio, sobretudo na primavera.

CAVALO BAGUAL, que está sendo domado, de primeira sova. Que ainda necessita de amadrinhador para ser galopeado. O bagual é candongueiro como ciúmes de mulher, não arranca quando é preciso nem pára quando se quer. Bagual em beira de rodeio sempre está causando história e o gaúcho, em cima dele, espera estouro a qualquer hora. (Popular)

CAVALO BAGUALÁO, mal domado ou com poucos galopes. Diz-se ainda do cavalo domado a pouco. Também, quando ele foi mal ensinado de cancha, um bagualão de cancha.

CAVALO BALDOSO, que tem baldas, manias. Que se empina, se empaca ou não se deixa pegar com facilidade. Quando pega o pulso do guri e agarra a balda.

CAVALO BARBELEIRO, que anda mordendo a "maneia do freio" ou querendo abocanhar-lhe a "perna", fazendo tirim na barbeia.

CAVALO BASTERIADO, com pisaduras passageiras no lombo. Que foi assado nas besteiras com lombilho velho, de bastos ressequidos. Cavalo muito encalhado no verão ou no inverno, por muitos meses, que foi muito "basteriado". Neste sentido é o mesmo que Lombiihado.

CAVALO BICHOCO, gordo demais, retacho de gordo. Que tem granito no pescoço e a anca repartida.

CAVALO BICO BRANCO, também, chamado BICO BLANCO. Aquele que tem um sinal branco na testa se estendendo desde o "redemunho" até a ponta do focinho ou aquele que só tem branca a ponta do focinho.

CAVALO BOCA-DE-GROTA, duro de boca. Pior que o Bocudo porque frequentemente dispara campo fora. Diz-se, também, do cavalo corredor que anda solito, sem adversário. "Boca grande".

CAVALO BOCUDO, que não obedece o freio com facilidade, duro de boca, teimoso da boca. Que faz o peão deitar nas rédeas para fazê-lo parar. Que faz o peso "rabonar a rês". Dito, também, BOCA SECA.

CAVALO BOLEADOR, que se atira no chão ao ver apertar-lhe a cincha. Pra deixar essa balda o jeito é encilhá-lo perto de um açude. Boleando-se, cai n'água, se afoga, entra-lhe água no ouvido... E deixa da "bobagem". (prát. camp.).

CAVALO BOLIDO, bagual que foi encalhado só uma vez e, por isso, pegou fama de aporreado. Que foi principiado por um domador e rejeitado por seu substituto, sob a alegação de não ser "remendo dos outros". Embora manso, pode ser bolido mais de uma vez, isto é, por mais de um domador. Diferente do APORREADO que não se amansa nunca.

CAVALO BOLIVIANO, o mesmo que cavalo chimarrão. V. CAVALO CHIMARRAO.

CAVALO BOM DE CINCHA, aquele que cincha sem ser esporeado, que cincha sem esporas ou que fica cinchando solito enquanto o peão apeia para curar o terneiro. o destinado ao cavaleiro nos dias de marcação porteira fora. aquele que cincha ao trote.

CAVALO BUCHA, ainda desconhecido na cancha, cuidado pra carreira, permanece inédito. Cavalo de muitos desafios e, por ser lindo e vistoso, é respeitado e refugado nos dias de carreira. - Pode ser bucha para o seu próprio dono!

CAVALO BUENO, ou cavalo BUERANA. É o ligeiro na reta que ficou afamado por suas vitórias. "Hay que se respeitar os bueranas lá da Estância do Capão!

CAVALO CABANO, que tem as duas orelhas caídas, também, chamado "Chapéu Velho", "cavalo mocho". Tem fama de caborteiro.

CAVALO CABEÇA DE MARTELO, que tem uma forte saliência na parte mais alta da cabeça, acima dos olhos. Diferente do Acarneirado.

CAVALO CABREIRO, sestroso, assustadiço, que está sempre com "dois queros" e nSo é de muita confiança.

CAVALO CABRESTEADOR, bom de cabresto, quando vai andando, vai por conta, ao lado do pejo.

CAVALO CABORTEIRO DE BAIXO, que mete medo pra encilhá-lo, mas, de cima é manso. Farromeiro, roncador, desinquieto. Aquele que só tem farroma de caborteiro.

CAVALO CABOS BRANCOS, que tem a crina, a cola, as patas e as mãos brancas.

CAVALO CABOS NEGROS, o inverso do cavalo Cabos Brancos. CAVALO CACHONEIRO, aquele que, normalmente, chega em último. Que tira o terceiro e último lugar na penca.

CAVALO CACUNDO, que tem d fio do lombo arqueado, ao contrário do Cilhão. Ruim para andar de em pêlo, de "esfolar a sambica", também, dito "cacunda" é considerado um cavalo sem defeitos, isto é, sempre tem uma "bondade".

CAVALO CAIMBRENTO, que tem cãimbras, sem confiança para montaria.

CAVALO CALÇADO, que tem uma ou as patas de cor branca até a altura da canela ou acima do boleto. Chamado, também, de "Faixa Branca".

CAVALO CANCHEIRO, que conhece a cancha e que alinha no trilho. Que é certo de largada e anda sempre remoçando no cabresto.

CAVALO CANDONGUEIRO, perigoso de andar, desconfiado, incerto. Que nunca se sabe quando, mas, um dia vem e faz "arruaça grossa".

CAVALO CANHOTO, que se deixa pegar só pelo lado de laçar. Pelo "lado contrário", o direito.

CAVALO CANJIQUEIRO, que tem o trote "de socar canjica", socado e mau de cômodo. Pra se andar nele é só no galope, pois, "chega a frouxar o couro da barriga". É o cavalo "de emprestar pra os outros".

CAVALO CANSÁO, aquele que cansa logo, sem resistência física. Seu olhar de cansado causa mau olhado. (crendice)

CAVALO CARGUEIRO, aquele que leva a mochila, os couros, as peles ou pelegos secos. O mesmo que cavalo de mascate.

CAVALO CARREGADO, diferente do PSI, é musculoso, pesado e cabeçudo. Mal traçado pra carreira. V. CAVALO COLA GROSSA.

CAVALO CELADO, que tem o lombo ligeiramente cilhão. (côncavo) CAVALO CHAMBÃO, que está mal cuidado pra carreira, muito gordo, que precisa diminuir o peso, mais exercícios.

CAVALO CHAMPORREADO, que foi cuidado pra carreira com poucos dias de antecedência, "a moda miguelão". Diz-se que o compositor "curioso" não cuida, champorreia. Também o cavalo mal domado que não sabe "dar de boca".

CAVALO CHANGUEIRO, ou changueirote, que bate ligeiro, alegre, que tem destreza nas patas. Cavalo de "correr carreira por rapadura em marcação".

CAVALO CHEGADOR, de muito boa carreira, que "corre parelho", "vai pra frente". Que se "alcança" correndo, perto das "catingas". Que corre à braço, com oito palmos de abertura de mão.

CAVALO CHIMARRÃO, que não se sabe o dono, que apareceu não se sabe donde e veio vindo procurando a querência e a( se entreverou com os outros. V. CAVALO BOLIVIANO.


CAVALO CHIMBÉ, que tem a testa côncava, ao contrário do Acarneirado. Cabeça de cavalo árabe.

CAVALO CHORREADO, que tem manchas semelhantes as deixadas por um líquido derramado. Pode ser por uma ou várias partes do corpo. Não é o mesmo que Atigrado, já que este tem certa analogia com o tigre. V. CAVALO TISNADO.

CAVALO CHUÉCO, que tem a mão grossa por velho ou por excesso de peso. Mais comum no petiço. Que tem, mais precisamente, o machinho engrossado. Diferente do Rodilhudo e do Pata Grossa. V. CAVALO PORONGUDO.

CAVALO CLINUDO, com as crinas caídas ou que nunca foi tosado. Com a crina comprida e a cola arrastando no chão.QUILINUDO.

CAVALO COLA GROSSA, aquele de inferior qualidade e pouco indicado pra carreira. Sinal de cavalo sem agilidade, V. CAVALO CARREGADO.

CAVALO COLMILHUDO, que tem os colmilhos gastos, de meia idade. Maduro, já com os "coronilhos" amarelos.

CAVALO COM INSENSO, com inchaços no lombo. Dito, também, com um "nascido no lombo", causado pela montaria de empêio sem nenhuma proteção, sem xerga. V. XERGA.

CAVALO COM MAL DE VASO, com inflamação na raiz do casco. Que acaba caindo e nascendo de novo, porém, rachado e defeituoso.

CAVALO COM MATA NO LOMBO, com machucadura dos arreios causada pelo uso frequente do xergão sujo. V. MATA, ROSA, LANHO, CAVALO MATADO.

CAVALO COM PASSARINHO NO TOSO, enfeitado pra passeio. Diferente do "toso redondo" e do "toso de cogotilho" ou "cogotio". Existe ainda o "toso de bagual" que é feito deixando só um negalho comprido a um palmo atrás das orelhas, para advertir quem não o conhece que ele é "de primeira sova". O "toso de passarinho" é o mais caprichado, a sua imitação é feita com a ponta da tesoura, no miolo da quilina.

CAVALO COM TRAVAGEM, aquele que cria uma "camaça" no céu da boca, tipo de caio, que vai crescendo e cobre os dentes superiores, os da frente. Há necessidade de extirpá-la com o fio da faca e de salgá-la na minguante, ou ainda em tempo de seca sem rosetas para não sangrar. Cavalo com travagem é, obviamente, magro, seco de magro.

CAVALO CONDE DE BARALHO, parecido com o da carta. Que tem o pescoço voiteado, chamado, também, "pescoço de cisne".

CAVALO CORTADO DA BOCA, aquele que durante a postura de freio, com a barbeia muito apertada, levou sofrenaços. Embora bom de rédea, sangra no canto da boca quando muito exigido no freio, em apartes ou em beira de rodeio. Tem-se que salgar esse corte seguidamente para tentar a sua cicatrização. V. CAVALO QUEBRADO DA BOCA.

CAVALO COSCOSEIRO, diz-se do cavalo que acha prazer, ou faz funcionar com frequência o "coscós" (Moraes).

CAVALO CRIOULÃO, acrioulado, que tem raça longe de crioulo. Ou que tem "um esguicho de sangue crioulo".

CAVALO CRIOULO, da raça crioula. De médio porte, cola e quilina grossas, bem entroncado, machinhos cabeludos. Tem o seu corpo mais peludo que o cavalo inglês. - É cavalo de "virar o xergão", resistente ao frio, ao trabalho, caborteiro de baixo. É dito o cavalo mais inteligente e por isso o mais preferido tanto pelo peão como pelo patrão. Dito, também, o cavalo "orgulho do Rio Grande"!

CAVALO CRUZADO, aquele que tem um sinal branco numa das mãos e outro nas patas, em sentido diagonal. Um sinal na mão esquerda e outro na pata direita, ou vice-versa. Diferente do MEIA RÉS.

CAVALO CRUZ ALTA, que tem as cruzes mais altas que o perfil do tronco do pescoço e bem salientes do lombo. Cavalo que se pisa nas "cruz" com facilidade.

CAVALO CUERUDO, "ganhador de cuero", pulseador. Sentindo que o domador está com medo, corcoveia.

CAVALO CUIÚDO, o mesmo dito colhudo, pastor, reprodutor.

CAVALO CULATREIRO, de azar pra carreira, que só perde, que não ganha nunca. Também aquele que sempre vem atrás da cavalhada quando vem pra mangueira. V. CACHONEIRO.

CAVALO DA MANHÃ, aquele que ficou preso para a recolhida da manhã. O mesmo que Cavalo do Piquete, só que por vezes sem continuidade. Deixa-se sempre um cavalo preso a noite no sogueiro, quando é dia de rodeio. (Prática campeira)

CAVALO DE BATIDA LIGEIRA, parelheiro corredor, velocista.

CAVALO DE BEIÇO MOLE, aquele que, na doma, teve os seus "beiços" muito revirados, arregaçados ao atar o bocal. Isto até os três primeiros galopes. Ou com o tento do bocal muito apertado.

CAVALO DE BOLEADA, costume de certos parelheiros que largam a carreira com o corpo atravessado no trilho. V. LARGADA.

CAVALO DE BRIGAR DE FACA, aquele que é bom de rédea, de "tirar boi do rodeio com o bico da bota". Flete de desafio, ágil, "nervoso". Dito, também, "cavalo de apartar lambari em correnteza"!

CAVALO DE CAMPO, dito assim, com referência a carreira de cancha reta, o cavalo sem trato, sem raç5o. Dito, também, Cavalo Campeiro. "Carreira de campeiros", "Carreira de cavalo de campo".

CAVALO DE CONFIANÇA, bem manso e calmo. Manso de laçar e ficar cinchando solito. Que está pronto para ser entregue após a doma, que já dá para "acertar a doma" com o patrão.

CAVALO DE FUNDO, o mesmo que Fundista.

CAVALO DE MASCATE, o mesmo que cavalo de beriva. Acostumado com a mochila e que dá a mão em qualquer coxilha. E que anda sempre emparceirado com outro. Sempre de companheiro. V. CAVALO CARGUEIRO.


CAVALO DE MONTARIA, aquele que conhece o seu dono e, só por ele, se deixa pegar no campo ou contra o canto do aramado. É o exclusivo, o preferido que foi tirado pras "garras", pra o andar do peão.

CAVALO DE MUDA, aquele que é levado preso à cincha, em regime de troca, nas andanças de muitas léguas ou cruzando caminhos de escoteiro. Aquele que vai no cabresto. Ou, ainda, aquele que vai enquadrilhado na frente da tropa, com a cavalhada de muda, nas tropeadas de muitos dias, cruzando os campos da fronteira.

CAVALO DE OSSO, "cavalinho de osso", de brinquedo, tirado do espinhaço de rês morta e que não tenha sido de peste braba. Tudo que é "cavalinho de osso" tem o pêlo tordilho.

CAVALO DE PALHAÇO, ou "paiáço", aquele que acompanha o parelheiro nos seus exercícios na cancha, que se faz de palhaço, de adversário de mentira. Cavalo mestre de cancha, geralmente montado pelo Compositor que dá as ordens, ao lado do Variador, no outro trilho da cancha. V. CAVALO MESTRE.

CAVALO DE PARTIDA CERTA, manso de largada. Que não se esfogueteia, nem "perde o pé". Parelheiro ensinado que não "enlouquece" no partidor. V. CAVALO MESTRE.


 Te mete, hein?!
 Entonces tu achavas que já sabia de tudo sobre cavalos?
 E olha que tem aqui somente até a letra "D".
 Imagina o resto?

 Pois toca a comprar o livro.