Capítulo XIV
Anita no Uruguai


O URUGUAI LUTAVA POR SUA REPUBLICA

A chegada da pequena família em Montevidéu foi registrada pela polícia local na data de 17 de junho de 1841. Tinham feito 650 quilômetros em 50 dias de viagem. Montevidéu era considerada uma emergente metrópole sul-americana, que contava na época com cerca de 40.000 habitantes. Embora fosse uma cidade em desenvolvimento e prosperidade, ali fermentava uma guerra civil, pela emancipação política e administrativa do Uruguai.

A independência já havia sido reconhecida pelo Império Brasileiro, mas o país estava dividido em duas correntes, que digladiavam-se: uma liderada pelo general Oribe, que tinha o apoio do ditador Argentino Rosas, que pretendia deter a hegemonia do estuário da Bacia do Prata. Era arredio a qualquer inovação ou transformação, não aceitando qualquer tipo de ingerência européia. A outra corrente era liderada pelo General Frutuoso Rivera, que havia sido eleito presidente do Uruguai, que detinha o domínio e o governo em Montevidéu. Liderava os liberais unitários, que lutavam pela pura e simples independência, sem qualquer subordinação a Argentina, mas aceitavam abrir seus portos e mercados aos produtos europeus. Como pano de fundo, estavam em jogo os interesses mercantis das potências européias, como a França e a Inglaterra, que protegiam seus interesses contra uma possível hegemonia da conservadora Argentina na navegação na Bacia do Prata. Neste conflito, houve forte presença das grandes lojas maçônicas e da imprensa internacional, atentos aos interesses europeus no grande mercado americano, que somente podia ser tingido pela navegação nos rios platinos.

O Estuário do Prata era o principal palco dos confrontos. Mas as batalhas também desenrolaram-se em terra, sendo vasta a região belicosa.. A força naval de Montevidéu era comanda por um americano, Johan Kay e a marinha Argentina pelo almirante ingles William Brow.

Garibaldi havia enviado mensageiros, comunicando sua disposição de mudar-se para Montevidéu. Assim, alguns carbonários italianos ali refugiados, já o aguardavam com ansiedade. Os heróicos gestos de bravura e de valentia de sua companheira Anita já eram relativamente conhecidas, principalmente pela comunidade italiana sediada no Uruguai, de quem tiveram notícia sobre sua forte e marcante personalidade. Ao chegarem, nos primeiros tempos foram hóspedes em casa de Napoleone Castellini.

Em Montevidéu estavam refugiados e abrigados centenas de militantes e pensadores do movimento carbonário, defensores da unidade italiana e da causa de emancipação dos povos oprimidos pelos regimes despóticos e discricionários. Giovanni Batista Cuneo, um jornalista e pensador mazziniano, que havia sido um grande amigo de Luighi Rossetti, foi um dos que incentivou a vinda de Garibaldi para Montevidéu. Segundo registrado por muitos pesquisadores, o movimento maçônico havia incumbido Cuneo para auxiliar a emoldurar jornalisticamente os feitos de Garibaldi, mostrando como um possível líder para a futura campanha de unificação italiana. A idéia era preparar Garibaldi, enquanto na América, para projetar sua liderança na Itália.

Em meio a comunidade italiana, foram recepcionados como heróis da epopéia riograndense. Suas áureas e famas já brilhavam, sendo respeitados e admirados, principalmente em relação a Garibaldi. Em relação a Anita, as histórias corriam de boca em boca, enaltecendo seu destemor e coragem em combate, o que era fato inusitado, em virtude de tratar-se de uma mulher. Garibaldi, por seu turno, era reconhecido como grande estrategista militar naval, cuja fama lá chegou pelas notícias trazidas por alguns jornais que noticiavam os confrontos do vizinho Rio Grande do Sul, narrando as batalhas navais travadas em defesa do movimento republicano em mares brasileiros, principalmente nas cidades de Imbituba e Laguna. Sua audácia naval, como por exemplo o transporte de dois lanchões por terra, fugindo do bloqueio da Lagoa dos Patos e atacando Laguna, associados a sua incrível coragem de arremeter-se com pequenas embarcações contra grandes e mais bem equipados navios brasileiros, já o haviam tornado célebre, o que tinha atraído a atenção de Johan Kay, um americano que comandava a Marinha Naval Uruguaia.

Acolhido pela fraternidade maçônica, empenhada que estava na total independência da República do Uruguai, após algum tempo da chegada, dedicou-se Garibaldi a atividade econômica, já que necessitou prover o sustento de sua família. Foi lecionar história, caligrafia e matemática em um colégio particular, pertencente ao seu conterrâneo Paulo Semedei. Com o emprego de professor, e julgando necessário viverem sem a dependência dos amigos, o casal mudou-se para uma casa que foi alugada nas proximidades do Porto, hoje conhecida como rua 25 de Maio. Posteriormente, a residência foi transformada em museu, que até hoje existe. A residência, embora fosse uma antiga construção, oferecia razoável conforto, pois era de alvenaria e relativamente ampla. Esta foi a primeira e única casa em que Anita teve estabilidade. Ali teve mais três filhos, fixando-se por um período de aproximadamente sete anos, conforme veremos na sequência desta obra.

A intrépida guerreira, agora novamente grávida de seu segundo filho, sentiu-se distante do ideal republicano de seu Tio Antônio, mas consolou-a o fato de continuar a lutar pela causa republicana, Assimilou rapidamente que doravante tinha um filho e uma casa para cuidar, enquanto seu marido providenciava seu sustento. A atividade de professor, entretanto, não dava ao casal os rendimentos necessários para manter sua família com dignidade. Sentindo ser necessário ir além de suas simples funções como mãe e dona de casa, Anita passou a fazer pequenos e simples trabalhos para vizinhas, como costureira, forma encontrada para ajudar no orçamento doméstico. A atividade foi exercida sem o conhecimento de Garibaldi, que ao saber, sentiu-se ferido em seu orgulho próprio, a proibiu terminantemente de continuar com a atividade. Resignada, Anita aceitou a proibição imposta, mas não o perdoou pela violação de um dos princípios que tanto defendia, ou seja, o de igualdade entre homens e mulheres.

Em carta que em novembro de 1841 endereçou a sua irmã, queixou-se: " ... quando José ficou sabendo, ficou louco da vida e saiu de casa batendo a porta. Assim, caíram por terra as suas belas teorias francesas sobre a igualdade entre os homens e as mulheres, de que ele fala com tanto gosto ... a mulher é a companheira de luta, de cama e de trabalho, com liberdade e respeito recíproco ... (64) Garibaldi, que estava sendo auxiliado pela solidariedade da loja maçônica francesa "Amis de la Patrie", compreendeu que sua sensata companheira Anita assim procedia porque seus rendimentos como professor eram insuficientes para dar-lhes de sustento. Procurou, então mais uma atividade, conseguindo exercer a função de contador e corretor de cargas dos navios que aportavam próximo a sua residência. Era uma atividade bem mais próxima daquela que pensava exercer, que pelo menos o deixava informado sobre as notícias que vinham pelo mar.

Mas os fatos, tanto no Uruguai quanto no Brasil continuavam a acontecer. Em fins de 1842, após a partida de Garibaldi, Bento Gonçalves, o líder farroupilha, participou de um encontro secreto com o presidente uruguaio Fructuoso Rivera, com o governador da Província de Corrientes D. Pedro Ferré, com governador da Província de Santa Fé D. Juan Pablo Lopes e com comandante do exército de Corrientes, general José Maria Paz. Esta conferência foi realizada na cidade de Paissandu, e a proposta discutida era a formação de uma confederação de estados livres e soberanos, dos quais participariam o Uruguai, o Rio Grande do Sul e as províncias argentinas de Corrientes e Santa Fé.

O governo imperial brasileiro mantinha no Uruguai uma representação diplomática, que havia reconhecido a independência uruguaia. Detinha muitos interesses, principalmente porque sabia que os farroupilhas socorriam-se da Banda Oriental sempre que eram fustigados. Seus serviços de informações já haviam detectado que existiam acordos de cooperação entre os farroupilhas e o Presidente Frutuoso Rivera. Assim, foi informado da conferência e dos objetivos da mesma, o que foi uma séria ameaça, pois consolidada a aliança pretendida, a mesma significaria um substancial fortalecimento da causa farroupilha e independência do Rio Grande do Sul.

Casa onde Anita morou em Montevideu
Casa onde Anita morou em Montevideu


GARIBALDI DESENTENDEU-SE COM AUTORIDADES BRASILEIRAS

Por outro lado, Fructuoso Rivera necessitava manter as relações amistosas com o Brasil, de modo a não admoestá-lo. A chegada de Garibaldi ao Uruguai despertou a curiosidade e desconfiança das autoridades brasileiras sediadas em Montevidéu, agravados pelo fato de que as lojas maçônicas e outros segmentos já haviam demonstrado ao governo uruguaio a necessidade de utilizar os conhecimentos de Giuseppe Garibaldi na defesa naval de sua sitiada Capital. Porém, Garibaldi, que havia pego em armas contra o Império brasileiro, era considerado proscrito pelo Governo Brasileiro. Portanto, ali não estaria para tramar de alguma forma o fortalecimento do movimento farroupilha, continuando a atentar contra a unidade territorial do Brasil? Acautelou-se a diplomacia brasileira, que tratou de vigiar e acompanhar os movimento de Garibaldi em Montevidéu.

Sabia que a qualquer instante seria chamado para colaborar, mas era necessário evitar que o Uruguai tivesse problemas com eventuais retaliações da representação brasileira. Foi, então, induzido a reconciliar-se com o Império Brasileiro, o que fez comparecendo na Embaixada Brasileira, onde solicitou anistia mediante o compromisso de não mais envolver-se na luta pela independência do Rio grande do Sul.

Lá assinou um histórico documento: " ... compareceu o Sr. José Garibaldi, súdito italiano, hoje residente na cidade de Montevidéu, capital do Estado, onde declarou que, tendo em outro tempo comando uma parte das forças contra o Império na província do Rio Grande, hoje renunciava prestar qualquer serviço daquele gênero ou outra qualquer hostilidade ao Império e aos seus súditos; que debaixo de sua palavra de honra, protestava não tomar mais parte naquela luta, e que solicitava a Sua Majestade o Imperador, ... a sua imperial anistia. Declarou mais que hoje seu fim é ocupar-se unicamente do comercio em geral. (ass. José Garibaldi - ass. Jose dias da Cruz Lima, encarregado dos Negócios do Brasil em Montevidéu" (65)

Provavelmente por ter sido praticado contra a vontade, este gesto provocou outros desdobramentos, levando Garibaldi a provocar novos incidentes, tendo, em determinada ocasião, agredido com os punhos um funcionário brasileiro. Por necessitar de Garibaldi, o Governo Uruguaio interveio para superar o incidente com as autoridades brasileiras. Na seqüência, o governo da República Oriental do Uruguai nomeou-o coronel do exército e comandante da Esquadra Oriental. Esta nova posição de Garibaldi deu à sua família uma relativa melhoria nas suas precárias condições de vida, tirando-os das necessidades materiais que silenciosamente Anita suportou sem queixar-se.

Eram muitos os motivos para que Garibaldi aceitasse o novo encargo: ansiava fazer-se ao mar, seu ambiente natural, voltar a velejar; queria continuar dando vazão aos seus ideais de construir uma sociedade mais igualitária, sem desníveis sociais tão profundos, contra os regimes despóticos e centralizadores; os mazzinianos e lojas maçônicas já haviam feito este projeto e era necessário colocá-lo em prática, e finalmente, porque tal investidura lhe garantiria um soldo capaz de manter com dignidade sua família.


ANITA SURPREENDEU NOS ASSUNTOS POLÍTICOS

Em meio a estes acontecimentos e a sua nova vida de mãe e doméstica, relativamente tranqüila, Anita tornou-se anfitriã de longas e intermináveis reuniões entre os carbonários, mazzinistas, liberais e estrangeiros de outros países, que reuniam-se na casa de Garibaldi, durante a noite, para ouvir as histórias das insurreições e conspirações que chegavam da Itália e de outros países que combatiam pela sua autonomia, contra os regimes tirânicos e centralizadores. Eram constantes os relatos de refugiados italianos, que recém-chegados, Garibaldi os acolhia por alguns dias, e que em longas tertúlias noturnas, muitas vezes sem qualquer iluminação, narravam sobre os compatriotas italianos, que ao serem presos pelos que impediam a unificação italiana, tombavam gritando "viva a Itália !" Convivendo com este seleto tipo de pessoas, Anita enriquecia-se de conhecimentos.

Wolfang Rau cita em sua obra nomes de algumas pessoas que construíram a história, e que travaram longos diálogos na residência, com a própria Anita, não apenas uma, mas diversas vezes:

"Habitando, pois, uma parte do velho casarão colonial amplo, semi arruinado e pouco mobiliado, mas assiduamente freqüentado por amigos loquazes e admiradores de Garibaldi, Anita pode desenvolver muito os seus conhecimentos gerais, de história, sociologia, geografia e línguas, já que ali se falava muito em italiano, espanhol e francês. Inteligente e vivaz, rapidamente assimilava o que ouvia e, dona de grande sensatez natural, não raras vezes se fazia considerar pelo seu discernimento. Surpreendia mesmo os presentes com seu espírito prático em assuntos políticos, "quando demasiado lirismo e desdém patético pela realidade fazia os homens caírem em devaneios estéreis, puramente literários".

Críticos de Anita Garibaldi tem procurado descrevê-la como pessoa inculta e sem civilidade, cometendo injustiça à sua memória. Ao contrário do que afirmam, sua prolongada convivência com Garibaldi e seus amigos aperfeiçoou seu saber e sua linguagem, ampliando consideravelmente a instrução inicial recebida da mãe, que, ainda em Morrinhos, lhe ensinara razoavelmente a ler e a escrever.

Ambiciosa de ciência desde meninice, sua inteligência sempre ávida de novos conhecimentos proporcionava-lhe facilidade para retê-los na memória e para associá-los entre si, passando com o tempo a ser dona de cultura regular. Distinta no trato com as pessoas, demonstrava sempre o seu bom senso, que aplicava invariavelmente aos assuntos, nas justas medidas e proporções, sabendo ser franca no externar os resultados de seus raciocínios rápidos de brasileira capaz e gentil. Em sua casa, Anita conheceu muitos personagens famosos. Entre eles citam-se Giovanni Battista Cúneo, Francisco Anzani, os Antonini, os Rizzo, Rivera Indarte, Bartolomeo Mitre, e muitos outros entusiastas da Libertação. Ouvindo-os e a seu Giuseppe, Anita ficou sabendo detalhes do cenário internacional e do drama da Unificação Italiana. Na provinciana Laguna, pouco se sabia do próprio Brasil; em Montevidéu, porto cosmopolita ornado de bandeiras de todos as terras, corriam as notícias de todo o mundo". (66)

No que pese a razoável casa que residia e a constante presença do companheiro, àqueles meses haviam sido difíceis, já que necessitou adaptar-se à nova cultura, costumes e língua. Passado os primeiros tempos, além do português, Anita já dominava outras duas línguas: italiano, espanhol e um pouco de francês, conseguindo manter longas conversações com os amigos e convidados do companheiro.


O CASAMENTO DE ANITA COM GARIBALDI

Garibaldi foi um anticlerical, mas ambos tiveram formação religiosa, e tendo em vista que Garibaldi alçava posição de destaque, urgiu que o casal regularizasse sua situação matrimonial. Como fazê-lo, porém, se Anita já era casada no Brasil, cujo marido havia sumido, sem deixar qualquer notícia ? Anita o imaginava morto, tendo sucumbido, provavelmente, em um dos muitos combates entre os imperiais e farrroupilhas, quando estes sustentavam a ocupação de Laguna. Era a única justificativa que Anita dava ao silêncio sobre seu paradeiro, pois tendo passados diversos anos, ninguém sabia de seu destino. Já haviam mandado investigar em Laguna e as notícias que receberam era de que Manoel Duarte de Aguiar, seu primeiro marido continuava sem dar notícias. Em vão foi procurado registro de óbito, sem o qual Anita não poderia contrair novo matrimônio.

Como, então, justificar à sociedade conservadora da época uma união de um casal tão influente, com filhos, sem que tivessem recebido as bençãos nupciais? Além do mais, sendo católicos, necessitavam batizar seu primogênito Menotti, o que somente seria possível se estivessem casados. As vésperas de ter seu segundo filho, pressionados socialmente, não lhes restou outra alternativa que não foi informar ao clero de Montevidéu ser Anita livre e desimpedida, o que foi feito e aceito mediante o depoimento das testemunhas que firmaram o pacto antenupcial.

No dia 26 de março de 1842, oficializaram sua união, e o ato matrimonial, que havia sido precedido por proclamas, foi registrado no Livro 01 de Matrimônios Realizados na Paróquia de São Bernardino em Montevidéu, a folhas 27 verso, sob número 19. Anos mais tarde, tendo sido demolida a Igreja de S. Bernardino, seus registros foram transferidos e até hoje encontram-se arquivados na Igreja de São Francisco, naquela mesma Capital. Neste histórico documento, ao qualificarem os nubentes, Anita, que oficialmente ainda usava o nome de Ana Maria de Jesus Ribeiro, foi qualificada como sendo natural de Laguna, no Brasil, conforme sua transcrição abaixo:

"No dia vinte e seis de março de mil oitocentos e quarenta e dois, Dom Zenon Aspiazú, meu lugar tenente em esta Paróquia de São Bernardino em Montevidéu, autorizou o matrimônio que, "in facie Ecclesiae" contraiu por palavra de presença Dom José Garibaldi, natural da Itália, filho legítimo de Dom José Domingo Garibaldi e de Dona Rosa Raimunda; com Dona Ana Maria de Jesus, natural de Laguna no Brasil, filha legítima de Dom Benito Ribeiro da Silva e de Dona Maria Antonia de Jesus; tendo o Sr. Provedor e Vigário Geral dispensado duas conciliares proclamas e praticado o mais quanto previne o Direito: não receberam as bênçãos nupciais por ser tempo em que a Igreja não as impõe; foram testemunhas do ato Dom Pablo Semidei e Dona Feliciana Garcia Billegas, o que por verdade firmo, eu o Cura Reitor - (ass.) - Lorenzo A. Fernandez." (67)

Certidão de casamento no Uruguai
Certidão de casamento no Uruguai

Em 1998, portanto 156 anos após, este documento foi de capital importância para instruir o processo judicial que obteve o reconhecimento da Justiça Brasileira, que autorizou o registro de nascimento tardio de Anita, sepultando definitivamente as especulações e contradições históricas sobre sua naturalidade lagunense e nacionalidade brasileira de Anita, conforme consta na parte final desta obra. Em princípio de 1943, auxiliado por Francisco Anzani, que era um intelectual liberal mazzinista proscrito da Itália, que já havia lutado na Grécia, Espanha, Portugal e França, e verificando o grande contigente de intelectuais e políticos italianos e franceses exilados no Uruguai, que haviam colocado-se à disposição para lutar em defesa da consolidação da sua independência. Garibaldi organizou a Legião Italiana, que passaria para a história pelos seus feitos. Como uniforme, usavam camisas vermelhas, que tinha apreendido em um navio inimigo. Quando posteriormente trasladou-se para a Itália, passou a denominar-se Legião Garibaldina, mantendo o mesmo uniforme. Inicialmente, a Legião Italiana contou com um corpo de seiscentos homens, na sua grande maioria italianos idealistas que esculpiram páginas gloriosas da histórica guerra que consolidou o Uruguai como Estado Independente. As reuniões iniciais e as discussões que deram suporte ideológico à criação desta força militar voluntária aconteceram na residência de Anita, na maioria das vezes durante à noite, sem luz de velas para clarear, tamanha era a penúria em que encontrava-se o casal e os futuros legionários.


A MAGNITUDE DE GARIBALDI FEZ SUA FAMÍLIA PENAR

Foram, portanto, consideráveis as dificuldades que passaram em Montevidéu. Mesmo sendo um oficial graduado, houveram momentos que a sua patente de nada adiantou para diminuir as sérias privações, açodadas que eram pelo espírito de desprendimento material, norteador do comportamento de Garibaldi. Certa ocasião, tendo chegado ao conhecimento dos comandantes militares de que na casa de Garibaldi não haviam recursos para manterem acessas as luzes durante a noite, mandou-lhe o Ministro da Guerra Pacheco Y Oribe a quantia de cem patacões. Ao recebê-los, Garibaldi ficou apenas com a metade, mandando dar o restante a uma viúva de um de seus legionários, dizendo que a mesma tinha mais necessidades. Em outra ocasião, tendo recebido do Governo uma pequena quantia, destinada a sua manutenção, pretendeu devolve-la, mas, para não melindrar seus superiores, preferiu reunir seus homens e com eles repartiu.

Em outra ocasião, após diversas vitórias que a Legião conquistou, o Presidente Frutuoso Rivera, em agradecimento pelos relevantes serviços prestados pelos legionários, mandou presentear aos seus integrantes e comandante Giuseppe Garibaldi, com metade da gleba formada pelos campos de sua fazenda particular, localizada ao norte do Rio Negro. A doação estendia-se, também, à metade dos prédios e de todos os animais ali existentes. Após receber o documento de doação, Garibaldi limitou-se a discutir a doação com seus legionários e após, os reuniu, chamou o mesmo oficial que lhe havia entregue o documento contendo a doação e ordenou-lhe que entregasse ao Presidente Frutuoso uma carta que antes de assinar leu na frente de seus homens perfilados, cujo conteúdo tinha a seguinte redação: "...Os oficiais italianos, informados do conteúdo da comunicação de V. Excia. Dirigida a toda a legião, tem declarado: que, persuadidos que é dever de todo homem livre combater pela liberdade dos dominados pela tirania, sem distinção de país, nem de povo, porque a liberdade é o patrimônio da humanidade; não tem seguido senão a voz de sua consciência, ao pedir uma arma aos filhos desta terra para dividir com eles os perigos que os ameaçam.

Que satisfeitos com haver cumprido seus deveres de homens livres, continuarão a dividir como até aqui - pão e perigos ... o que me leva ao honroso dever de participar a V.Exia. noticiando-lhe que me associo inteiramente aos sentimentos da Legião, e ao ensejo devolvo a V. Exa. o mesmo documento original da doação. Ass. Jose Garibaldi."


MÃE E ESPOSA ... CIUMENTA !

Em 30 de novembro de 1843 nasceu a segunda filha de Anita, de nome Rosita, uma encantadora menina de cabelos loiros. Mais do que nunca, as atividades domésticas e o zelo de mãe exigiam sua constante presença, impedindo-a de acompanhar seu marido em suas atividades. Neste período, Anita testemunhou grandes manifestações de apreço e admiração devotados a Garibaldi, cada vez mais e mais famoso.

Orgulhou-se do marido, mas, no fundo surgiram-lhe dois sentimentos: sentiu ficarem cada vez mais distante seus desejos de participação mais ativa nos combates e cavalgadas, nas aventuras em prol dos ideais de autodeterminação e de justiça social, sobre os quais tanto haviam-lhe falado; embora tivesse aceitado seu papel de mãe e esposa com total dedicação, fidelidade e lealdade, pressentiu o interesse feminino que involuntariamente Garibaldi despertou em outras mulheres, pois já havia presenciado e ouvido senhoras manifestarem-se em admirações pela compleição física de Garibaldi, enaltecendo a beleza de seus longos e loiros cabelos. Em março de 1845, Anita revela a sua irmã, em carta que lhe enviou, seu inconformismo com a costumeira tolerância com que as mulheres aceitavam os deslizes de seus esposos. Exerceu na plenitude os direitos de igualdade entre homens e mulheres, sobre os quais tanto haviam falado:

"Março 1845 ... O fato é que eu fico meio ressabiada com elas, porque são completamente diferentes de mim, todas lindas, bem cuidadas, elegantes, maquiadas. Se você visse os dengues e os gritinhos delas quando se amontoam ao redor do meu marido ! Agora ele é famoso, conhecido, comanda a tropa uruguaia, e o isto o torna mais irressistível. ... É claro que ele gosta. É quase impossível para ele resistir. E eu, que conheço as suas fraquezas, acho o jogo delas angustiante ... Agora, as senhoras descobriram que José, depois do trabalho, volta a cavalo do Comando da Fortaleza. Por isso ficam se exibindo pelo caminho, muito elegantes em suas roupas de amazonas. Eu também tomei o hábito de ir ao seu encontro sempre que posso, feliz por galopar com ele para casa, na doce luz do pôr-do-sol. Um dia eu cheguei um pouco atrasada e o encontrei cavalgando ao lado de uma mulher linda, que me cumprimentou friamente. Trocamos algumas palavras e então ela, entre outras bobagens, olhando o José toda sem jeito, disse que os cabelos do general tinham uma cor realmente incrível. ... Fiquei calada na hora, mordendo os lábios, mas cheguei em casa furiosa.

Comecei a gritar para o José que ele deixava os cabelos compridos de propósito, só para atrair as mulheres. Ele ria, divertido e eu gritava mais ainda, com lágrimas nos olhos. Quando percebeu que eu estava sofrendo de verdade, ele ficou sério, colocou as tesouras na minha mão e disse: corte o que você quiser ! Eu estava tão fora de mim que cortei os seus lindos cabelos ... confesso que cortei mais do que queria ... Enfim, exagerei um pouco ... Depois, durante meses, sentia vergonha sempre que o via, até porque sabia que os oficiais estavam zombando dele ... "(68)

Garibaldi recebeu ordens para comandar uma missão naval, que deveria enfrentar o Almirante Brow, que encontrava-se nos arredores da Ilha Martin Garcia, a serviço do Governo Argentino. Encontrado o inimigo, travou-se longo combate, que durou dois dias, sendo Garibaldi derrotado, obrigado a abandonar e incendiar seus barcos, foi refugiar-se com quase toda sua tripulação no interior do continente. Ali permaneceu por oito longos meses, comunicando-se com Anita poucas vezes, através de mensageiros militares.

Neste período, Anita viu-se sozinha com o filho, entre o caos da guerra e a perigosa promiscuidade da cidade, recebendo raras informações sobre a sorte do marido, então na linha de frente do conflito. Com Giuseppe ausente do lar conjugal há diversos meses, Anita atormentou-se ainda mais quando recebeu a notícia de que seu marido estava tendo um rumoroso caso amoroso com Lúcia Esteche, filha de um rico estanciero, Don Esteche, estabelecido na cidade de Santa Lúcia de Lo Salto, onde Garibaldi era hóspede. A inusitada notícia informava que a mesma estava esperando um filho de Garibaldi.

Filha ou não de Garibaldi, a verdade é que Lúcia Esteche teve uma filha a quem resolveu chamar de Margarita Garibaldi.

Na maior parte do tempo, Garibaldi estava ausente de Montevidéu, participando de expedições e de viagens com a frota naval uruguaia. Neste período, uma longa depressão atingiu Anita. Passou a viver de forma arredia, isolando-se cada vez mais.

A aventura amorosa de Garibaldi feriu profundamente Anita, causando-lhe profunda ferida. Bernardina Rivera, esposa do Presidente Frutuoso Rivera, sabendo da solidão e tristeza que a longa ausência do marido impôs, convidou-a para visitá-la de quando em vez, passando alguns dias em sua residência, já que seu marido também estava ausente havia tempo. Inteligente e muito culta, conhecedora dos ideais que caminhavam paralelamente entre seus maridos, a esposa do Presidente tornou-se amiga íntima de Anita, passando a serem confidentes durante a longa ausência dos maridos.

Esta amizade ajudou Anita a suportar sua amargura, mas o dilaceramento em seus sentimentos de esposa fiel e dedicada foram muito profundos. A ferida aberta com a triste notícia do rumoroso caso de Garibaldi com outra mulher, gerando uma filha bastarda, não foi curada tão facilmente.

Para completar, com a ausência do marido no comando da defesa da cidade, agregado a sua derrota naval, a boataria que execrava Garibaldi foi muito grande, levantando suspeitas sobre sua fidelidade à República Uruguaia. A intriga era disseminada por um segmento dos uruguaios natos, que não admitiam que um estrangeiro fosse seu comandante militar, o que era estimulado pelo comando da Legião Francesa, que nutria sentimentos de inveja em relação a organização e a lealdade devotada por Garibaldi à causa da independência uruguaia.

Neste turbilhão de acontecimentos e fatos negativos, nem mesmo a solidariedade da esposa do Presidente foi suficiente para curar a ferida aberta.

Como desta reconciliação não existem registros, não é difícil imaginar que Garibaldi teve dificuldades em justificar-se, principalmente porque a personalidade de Anita não deixaria escapar tão lamentável oportunidade para fazer-lhe a pregação dos direitos de igualdade, solidariedade e respeito que não somente as mulheres devem devotar a seus esposos, mas também estes em relação àquelas.

Com a volta do marido, a dor foi curada pelo elixir do diálogo e do entendimento, mas somente o passar do tempo é que tonificou e apagou a cicatriz da ferida aberta.


NO URUGUAI NASCERAM TRÊS FILHOS

Além de Menotti, o único filho brasileiro, Anita teve mais outros três filhos, que nasceram-lhe enquanto residente em Montevidéu. Em 30 de novembro de 1843 nasceu Rosita. Em 22 de fevereiro de 1845 nasceu a filha Terezita e em 4 de fevereiro de 1847 nasceu o filho caçula Ricciotti. Rosita veio a falecer ainda criança, conforme será narrado na seqüência. Menotti e Ricciotti cresceram e tornaram-se oficiais do Exército Italiano, tendo ambos lutado ao lado do pai Giuseppe, anos mais tarde, no segundo período das guerras pela unificação italiana. Casaram-se e tiveram diversos filhos, quase todos militares. Alguns chegaram ao posto de general. Terezita casou-se na Itália e teve 16 filhos.

Garibaldi, como comandante militar, havia descoberto no porão de um navio brasileiro, um negro escravo que mandou libertar. Em troca do gesto, o negro André Aguiar, não tendo onde ficar, voluntariamente seguiu Garibaldi até sua casa. Surpreendido com o sentimento de gratidão, Garibaldi e Anita o acolheram, dando-lhe abrigo em seu casa. Somente a morte, que aconteceu anos mais tarde em combate na Itália, o separou do casal. A partir de então, André Aguiar passou a ser um serviçal de Garibaldi, passando a acompanhá-lo em todas as suas expedições. Também foi de muita valia para Anita, pois quando Garibaldi estava em Montevidéu, André Aguiar a auxiliava nas lidas domésticas. Fazia as compras e, principalmente, cuidava das crianças, o que deixou-lhe algum tempo livre para dedicar-se a um maior acompanhamento das atividades de Garibaldi.

A Legião Italiana criada em Montevidéu, durante o período que lá manteve-se, sofreu algumas derrotas, mas foram maiores em número e importância as vitórias. Durante quase todo o tempo, Montevidéu sofreu o bloqueio do seu porto pela frota Argentina. Inúmeras vezes Garibaldi usou de seus conhecimentos e artifícios para burlar a vigilância inimiga, permitindo que navios oriundos de outros países ali aportassem, despejando suprimentos que asseguraram a continuidade da luta, já que a cavalaria e infantaria do inimigo também assediava Montevidéu por terra. Novamente atos de verdadeiro heroísmo foram registrados, que aconteceram em face da reconhecida superioridade da força militar da Argentina em detrimento da inferioridade uruguaia.

Quer em água ou em terra, dentre as principais vitórias da Legião Italiana, destacaram-se as empreendidas em Cerro, Martin Garcia, Rincon, Las Três Cruces, Vizcaino, Gualeguaichu, Paisandú, Colonia, Passo de la Boyada, Santo Antônio de Salto e outras mais. A mais significativa, porém, foi a de Salto, onde os minoritários 190 homens de Garibaldi, derrotaram 1500 adversários, numa proporção de um para cada sete inimigos, após doze horas de encarniçada luta, que iniciou-se ao meio-dia do dia 8 de fevereiro de 1846 e encerrou-se a meia noite do mesmo dia.

Durante a campanha cisplatina, a coragem e a competência do guerreiro marido de Anita foi reconhecida, respeitada e cumprimentada pelos seus próprios inimigos. A este respeito, Anselmo Amaral nos informa que " ...Se nos campos orientais Garibaldi assombrou a América com seu tino Guerreiro, no mar agigantou-se nas mesmas proporções. Enfrentou a poderosa esquadra Argentina, sob o comando do experimentado mercenário Almirante Brow. Quando o Almiramte julgou cumprido o seu contrato com a marinha de guerra argentina, abandonando o comando, antes de retirar-se para a Inglaterra, fez questão de visitar Garibaldi em Montevidéu. Deu-lhe um forte abraço, reconhecendo-lhe o valor, a capacidade e a coragem. Dirigindo-se para Anita, disse-lhe: -Senhora, combati muito tempo contra seu marido, sem obter vitória alguma." (69)

Em decorrência de suas responsabilidades biológicas e naturais de mãe, nestas lutas Anita não participou, a não ser na de Salto, como enfermeira. Tamanho foi o preço desta vitória que Garibaldi narrou mais tarde que quase todos saíram feridos, metade mais gravemente e a outra metade menos gravemente. Imediatamente após a batalha lá estava a humanitária Anita, que Garibaldi a havia mandado buscar, como forma de tirá-la do profundo estado depressivo em que encontrava-se pela morte de sua inesquecível filha Rosita.

Os filhos de Anita
Os filhos de Anita


A FILHA ROSITA MORREU EM SEUS BRAÇOS

Estava Garibaldi há bastante tempo ausente de sua casa e de sua família, quando a filha Rosita, com apenas dois anos e meio de idade, adoeceu. Durante dias padeceu em virtude de uma incontrolável infeção de garganta, que lhe causou falta de respiração. No dia 23 de dezembro de 1845, à véspera do natal, Anita viu a filhinha falecer por asfixia em seus braços. Foram longos e penosos dias para Anita, que sentindo-se só, entrou em processo depressivo.


Informado de forma grotesca da infausta perda, Garibaldi logo imaginou o estado em que Anita deveria encontrar-se, na distante Montevidéu. Informado sobre o estado depressivo da esposa, mandou buscá-la, tentando minimizar os funestos sentimentos pelo tão prematuro passamento.

Além de tentar buscar alento junto a seu marido, trouxe para o Salto a sua confortante experiência de enfermeira, consolando e curando àqueles que sofriam pelos ferimentos do inolvidável ato de heroísmo. Deixou os outros dois filhos aos cuidados de pessoas de confiança. Mesmo sofrendo profundamente, Anita não deixou de prestar auxílio voluntário à causa republicana do Uruguai, servindo como enfermeira para socorrer os inúmeros feridos na Batalha de Salto. Wolfang L. Rau confirma este episódio em sua obra.

"Anita Garibaldi, incorporada como enfermeira da Legião Italiana, tornou-se indiretamente participante da ação quando, ainda uma vez passou a cuidar dos numerosos feridos. Havia vindo para o Salto dias antes, procedente de Montevidéu a chamado do seu marido, - ela mesma precisando de sérios cuidados! Mandara buscá-la numa tentativa de fazê-la esquecer um pouco do imensa dor pela morte recente da filhinha Rosita, ocorrida naquela cidade. Tivera Anita a desdita de vê-la sofrer e expirar na asfixia da difteria, longe de seu querido pai. José Garibaldi adorava essa menina, criança sobremaneira meiga e inteligente. Não tendo podido salvá-la, o sofrimento de nossa heroína foi indescritível. Garibaldi dominando seu próprio sofrimento, mandou buscar Anita para o Salto, de medo que ficasse louca; e tentou consolá-la, estando ele mesmo inconsolável.

Soubera da desgraça através de memorando enviado pelo Ministro da Guerra, Pacheco y Obes, seu amigo, incumbido de comunicar-lhe a infausta notícia, Jamais, porém, o guerrilheiro nizardo perdoou ao Ministro os termos brutais em que está formulada a comunicação: "Sua filha Rosita morreu. Como de qualquer maneira teria de sabê-lo, prefiro dizer-lhe sem rodeios. Queira aceitar meus sentimentos ..." (70) O último combate de Garibaldi no Uruguai ocorreu em 1846, na Batalha de Dayman. Do segundo semestre daquele ano em diante, a Legião italiana dedicou-se exclusivamente à guarnecer a Capital, em cuja função alternava-se com outros corpos militares. A partir de então, o final da guerra civil e a independência Uruguaia estavam mais dependentes de gestões diplomáticas, que envolviam a Inglaterra, a França, o Brasil e a Argentina do que de resultados militares de batalhas.

Em junho de 1847, apesar da oposição interna, Garibaldi foi nomeado comandante-em-chefe de todas as forças de defesa de Montevidéu, permanecendo neste cargo por apenas uma semana. Profundamente atingido pela inveja, sentiu sua honradez e dignidade ultrajadas por comentários de alguns comandantes uruguaios, companheiros de armas, o que o fez pedir demissão do cargo, limitando-se ao posto do comando anterior. Neste período, em uma das cartas que endereçou a seus parentes, além de revelar sua consciência e compreensão sobre a importância das atividades do marido, Anita, justificou e abnegadamente aceitou sua quase permanente ausência do convívio familiar: "... aquela nomeação de tanto prestígio não teve os resultados felizes que podíamos esperar. Pelo contrário, surgiram tantas invejas, tantos rancores entre os políticos e os militares, que José preferiu renunciar à nomeação oficial.

As suas incumbências no trabalho, continuavam como antes. Por isso ele não mudou nada em casa, onde não o víamos quase nunca. No entanto, veja bem, não é que eu esteja me queixando. Sei que seu trabalho é importante, por sí mesmo e pela quantidade de gente que acredita nele. Sei também que ele continua a nos amar, com aquele afeto profundo que nasce da alma." (71)


(64)- ANITA GARIBALDI - A MULHER DO GENERAL - A . GARIBALDI - pg 96
(65)- OS FARRAPOS - WALTER SPALDING
(66)- ANITA GARIBALDI A HEROINA BRASILEIRA- WOLFANG L. RAU- pg 243/6
(67)-CÓPIA DOS ARQUIVOS DO AUTOR
(68)- ANITA GARIBALDI A MULHER DO GENERAL - A . GARIBALDI)
(69)- GARIBALDI GUERREIRO DA LIBERDADE- ANSELMO AMARAL - pg 78
(70)- ANITA GARIBALDI A HEROÍNA BRASILEIRA - WOLFGANG L. RAU pg 273
(71)- ANITA GARIBALDI A MULHER DO GENERAL - A . GARIBALDI - pg 141