Capítulo XII
Anita foge com o filho recém-nascido
NASCEU O FILHO MENOTTI
Em S. Luiz de Mostardas, no dia 16 de setembro de 1840, na casa da família Costa, nasceu o primeiro filho de Anita, o único que seria brasileiro. Giuseppe resolveu dar-lhe nome homenageando as memórias de seu pai Domingo Garibaldi e de Ciro Menotti, este último herói da unificação italiana, executado pelos austríacos em 1831. Segundo narrado por Elma Santana (59), a criança teria nascido com um pequeno afundamento no crânio, devido a um coice de cavalo recebido por Anita durante a gravidez. A verdade, porém, foi um tombo que Anita sofreu nos últimos dias de sua gravides, tendo caído do cavalo que havia-se assustado, segundo relatam outros autores, entre eles Brasil Gerson (60)
No dia seguinte ao nascimento do filho, à Maria Costa, sua nova amiga e anfitriã, Anita ditou-lhe algumas cartas, a serem enviadas aos seus parentes. Em uma destas cartas, endereçada ao tio Antônio, de Lages, anunciou o nascimento de seu filho:
"Mostarda, 17 de setembro de 1840 Caro tio Antônio...estão me dizendo que logo vai partir um mensageiro para Porto Alegre e Lajes. Por isso, decidi escrever-lhe através de Maria Costa, a senhora que nos está hospedando, para dizer que ontem nasceu o meu primeiro filho. ... Não consigo parar de olhar para ele. ... É pequenino, rosado, claro, e tem cabelos loiros como José.Não tem marcas das minhas tribulações, fora, talvez, um furinho na cabeça, perto da testa, que José insiste em dizer que foi causado por aquele tombo estúpido que levei quando me prenderam em Curitibanos. ...
Ele diz isso para mexer comigo e "me fazer parar no meu lugar", como ele diz. ... Quero que ele cresça corajoso, leal, sincero e generoso. Assim como o José, que também é uma pessoa muito doce ... Espero que um dia você possa orgulhar-se do seu sobrinho. E de mim, será que você ainda tem orgulho? Acho que vamos ficar aqui em São Simão por algum tempo. José continua construindo barcos, conforme as ordens que recebeu. Mas eu fico me perguntando se algum dia eles vão servir para alguma coisa, já que a revolução, pelo que ouvi dizer, não está indo como se esperava. Você se lembra dos nossos planos, ao lado da lareira? Como eram grandiosos! Mas talvez tudo melhore no futuro ... Aninha" (61)
O momento em que vivia a Revolução Farroupilha era dificílimo. Haviam conversações para chegar-se a um entendimento, celebrando-se a paz, de forma que ambas as partes pudessem encerrar o conflito de forma digna.
Ocorreu, então que as Câmaras do Império proclamaram a maioridade de D. Pedro II, e ao assumir, tinha feito um emocionado apelo à pacificação do Rio Grande do Sul, fazendo ali chegar seus proclamas. Ao Presidente da Província havia sido endereçado igual pedido, no sentido de que fossem tomadas as medidas necessárias às negociações de uma paz honrosa.
Do lado farroupilha, que já agitava-se entre prós e contra a uma paz negociada, a notícia causou novas rodadas de conversas e de possibilidades. Bento Gonçalves, Luighi Rosseti e outros líderes, não vendo possibilidade de êxito na continuidade da fraticida luta, defendiam as negociações para obtenção de armistício honrado e duradouro, com compromisso recíprocos da duas partes em guerra. Neste sentido, haviam sido trocadas correspondências entre o General Saturnino, Presidente da Província do Rio Grande do Sul e o Chefe Farroupilha Bento Gonçalves.
Com a maioridade do Imperador, mudou o presidente da Província do Rio Grande do Sul, sendo nomeado o General Andréa, o mesmo que anteriormente havia Presidido a Província de Santa Catarina. Na Setembrina havia chegado o deputado geral liberal riograndense Alvares Machado, simpático à causa republicana, que veio fazer a apologia do entendimento. Teve longa conversa com Bento Gonçalves e Luighi Rossetti. Também foram procurados e trocaram diversas correspondências como Gaspar Mena Barreto, influente político junto a Corte e amigo pessoal de Bento Gonçalves.
Em São Simão, Garibaldi estava isolado dos acontecimentos e impacientava-se com a falta de notícias. Precisava informar-se melhor sobre os fatos que tinham acontecido nas últimas semanas e dos quais tinha superficiais informações de seus mensageiros. Ademais, tinha-lhe nascido o filho, e na sua residência as privações eram consideráveis. Seus homens sofriam maiores privações ainda. Não dispunham de nenhum recurso financeiro. À Anita faltava o mais elementar para a sua nova experiência de mãe, não dispondo de nenhuma peça de roupa de criança para agasalhar e proteger seu filho, utilizando-se das condições mais rudes possíveis de serem imaginadas.
SEMI-VESTIDA, COM O RECÉM-NASCIDO NO COLO, ANITA FUGIU A CAVALO PARA NÃO SER PRESA
Garibaldi, resolveu, então, ir a Setembrina. Ali esperava encontrar Blingini, um velho amigo italiano, de quem pretendia tomar empréstimo, com cujos valores adquiriria os bens necessário aos seus homens e, principalmente, para seu recém-nascido filho.
Partiu, então, acompanhado de dois soldados seus, em direção ao norte, parando na Roça Grande, onde estava acampado um pequeno esquadrão dos lanceiros negros, comandados pelo Capitão Máximo. Após aguardar por dois dias para que o tempo melhorasse, em vão foram as tentativas de retê-lo, já que os caminhos estavam alagados, havia chovido muito, estava muito frio e o tempo não tinha jeito de melhorar. Mas Garibaldi estava agitado. Tinha urgência. As dificuldades dos caminhos e o tempo ruim não foram obstáculos para retê-lo.
Quando afastou-se, depois de ter percorrido certa distância, ouviu tiros, cujos sons vinham de sua retaguarda . Entre a dúvida do que tinha acontecido e a pressa optou em seguir em frente sem retornar. Já findava o dia quando chegou na Setembrina, na casa de Rossetti. No diálogo travado, este não lhe escondeu a necessidade de encerrar a guerra sem impor maiores sacrifícios. Argumentava que mais dia ou menos dia o Brasil seria republicano, que o Rio Grande do Sul havia mostrado o caminho e dado um exemplo. Juntos analisaram a situação do exército republicano, que piorava a cada dia que passava.
Contou a Garibaldi o conteúdo da longa entrevista que teve com o deputado Álvares Machado, mostrando-lhe as correspondências que haviam sido trocadas. Disse-lhe que a guerra não tinha futuro, e que era necessário mudar a estratégia, adotando caminhos diferentes para atingir o mesmo fim. Previu que o império seria tragado por uma Confederação. O caminho era mais lento, porém mais seguro, disse-lhe. Se a guerra continuar a República Riograndense deixará somente aborrecimentos que prejudicarão os princípios democráticos. Rossetti, neste encontro, apenas consolidou o que Garibaldi também tinha sentido após os últimos combates.
A oportunidade derradeira foi perdida em S. José do Norte, pensou. Adquiridos os mantimentos e equipamentos necessários, retornou a São Simão. Empreendeu retorno para junto de Anita, refletindo sobre estes posicionamento, que em breve modificaria sua disposição de lutar pela independência do Rio Grande do Sul.
Ao chegar na Roça Velha, soube do acontecido naquela manhã, quando de lá partiu e ouviu o tiroteio: o temível Moringue tinha desembarcado com seus homens e efetuado um ataque de surpresa contra os homens do Capitão Máximo, abatendo alguns e prendendo os demais. O Tenente Coronel Chico Pedro de Abreu, conhecido como Moringue, foi um dos mais valentes e dedicados militares imperiais.
Em seus embates, por diversas vezes, Garibaldi e seus homens o deixaram perplexo, diante das táticas de guerrilha que lhe aplicava o estrategista italiano. Em uma destas escaramuças, Moringue foi gravemente atingido, ficando bastante ferido. Havia uma quase obsessão de Moringue contra Garibaldi e seus homens. Informado de que Anita tinha dado luz a uma criança, e de que Garibaldi havia-se ausentado do local, onde comandava uma pequena horda de marinheiros, valeu-se Moringue da situação de ausência do líder. Navegando de Rio Grande pela Lagoa, silenciosamente, fez desembarcar um pelotão de seus homens, nas proximidades de S. Simão e Mostardas. Seu objetivo era destruir os focos e acampamentos republicanos, mas sua obsessão era submeter e liquidar com Garibaldi.
No mesmo dia, após destruir completamente os lanceiros negros do Capitão Máximo, dirigiu-se a casa onde estava Anita. Prendendo-a, pensou que subjugaria Garibaldi. No entanto, graças a resistência dos republicanos ali postados, Anita ainda com febre puerperal, vestida apenas com uma camisola teve apenas o tempo suficiente para enrolar o pequeno Menotti, então com doze dias de idade, em um cobertor, pular em pelo em um dos cavalos que estava na estrebaria edificada junto a cozinha e evadir-se em meio ao cerco de sua casa, que naquele instante estava sendo feito, sem que Moringue pudesse prendê-la. Se não tivesse parido e não lhe falasse mais alto o sentimento materno, certamente teria sido presa ou assassinada. Pela sua já conhecida personalidade e disposição para lutar, teria ficado e comandado a resistência, como lhe era característico.
Sua preocupação maior, porém, era salvar seu filho, agora seu maior bem e preocupação. Embrenhou-se no matagal e em sinuoso pântano. Ali permaneceu acantonada por quatro dias, alimentando seu filho com leite materno e a sí própria com raízes e frutos silvestres.
Quando Garibaldi voltou a casa, e não a encontrou, desesperado passou a procurá-la pela região, chamando-a pelo nome . Depois de um dia inteiro de incessante procura, ouvindo Garibaldi a chamá-la, reencontrou-se o casal. Graças a sua coragem e determinação, Anita e seu pequeno filho, ilesos, salvaram-se da vindita do inimigo.
Na mesma carta endereçada à sua irmã em dezembro de 1840, Anita conta o ocorrido :
"... Por amor a ele, acho que eu poderia viver em casa por um certo tempo, como em Laguna, quando eu era menina, com toda aquela gente miúda à minha volta. Mas seria contra a minha natureza, porque tenho necessidade de espaço, de movimento, de justificar de algum modo a minha existência. ... acho que os filhos precisam do pai e da mãe, mas o quanto antes devem tornar-se independentes e capazes de sobreviver. ... Suas aventuras já começaram, embora ele não perceba nada. Algum dia, ele vai se divertir quando eu lhe contar essas histórias. Imagine que apenas doze dias depois da sua chegada a este mundo ele quase foi capturado e morto por Moringue. Você sabe que fama de comandante cruel tem esse homem!
Três dias antes, José tinha ido para Vila Setembrina, para trazer provisões e também roupas quentes para o menino. Esperto como é, Moringue deve ter ficado sabendo da ausência de José e logo pensou em aproveitar para nos capturar. À noite seus homens se aproximaram da fazenda, mas foram identificados pelos guardas e pelos cães, que tentaram detê-los. Ouvindo o barulho e os gritos, percebi que estávamos em perigo.
Peguei o Menotti e um xale grande, e saí correndo, ainda de camisola, pelos fundos da casa e entrei na estrebaria. Ali, numa morna escuridão, ficavam os cavalos da casa. Saltei para o primeiro que vi e fugi a galope, no escuro, sob a chuva forte, na direção da floresta, com Menotti apertado ao meu peito. Não conseguiram nos raptar porque antes que percebessem eu já estava longe. Escondi-me na mata, num lugar de vegetação cerrada. Fiquei apavorada com a idéia de me pegarem o menino. Fiquei por aqueles lugares durante três dias e três noites, esperando a volta de José. Menotti não parecia muito preocupado; dormia, mamava tranqüilamente, enroladinho no xale. ... você pode imaginar o meu alívio quando, no terceiro dia, ouvi a voz de José gritando meu nome, andando desesperado pela mata.
Aquela noite, os Costa nos prepararam uma festinha. Mas eu não consegui comer, porque estava com um pouco de febre. Só fiquei junto ao fogo, para secar a umidade dos ossos ... 0 pobre inocente não sabia das últimas notícias que José nos tinha dado na volta! Ele não sabe que, com os pais que tem, não pode ter muita tranqüilidade. Parece que os inimigos continuam a nos perseguir e a nossa frota naval já é um sonho do passado. Os revolucionários se preparam para uma fuga em massa na direção dos Planaltos do interior, a fim de estabelecer em São Gabriel os novos quartéis-generais, ao abrigo dos ataques dos imperiais.... Anita" (62)
O CONFIDENTE E AMIGO LUIGHI ROSSETTI PREFERIU MORRER LUTANDO A ENTREGAR SUA ESPADA
Como resultado de suas tratativas pela paz honrosa, Bento Gonçalves havia formulado uma proposta com determinadas condições, a serem cumpridas por ambos os lados. Tomou a iniciativa de envia-las ao seu General Zeca Netto e ao adversário Presidente da Província do Rio Grande do Sul. Logo recebeu as respostas: uma parte de seu exército, comandada pelo altivo General Zeca Netto pretendia levar a guerra até as últimas conseqüências: vitória ou morte. Por sua vez, o presidente da Província respondeu dizendo que o Império não aceitava discutir quaisquer termos sem que antes as armas fossem depostas. Cinco anos haviam passado e a guerra ainda haveria de continuar por mais cinco. Estava ali encerrada a primeira tentativa de pacificação. Diante destes acontecimentos, Bento Gonçalves precisava reestruturar seus exércitos e reiniciar tudo novamente. E não titubeou. Mandou reunir seu exército e ordenou a retirada de Setembrina. Iria posicionar-se no interior do Rio Grande do Sul, em local de difícil acesso aos imperiais.
Devia pois, partir a expedição farroupilha através das serras e do Vale do Rio das Antas, em penosa e demorada marcha, sobre a qual haveria de abater-se os flagelos da fome e das intempéries. Garibaldi e seus marinheiros seguiriam na frente, com a divisão de Canabarro. A guarnição republicana de Setembrina deveria segui-los, mas não pode, em virtude ter sido surpreendida por um ataque do temido Moringue, que tomou a cidade um pouco antes da mesma ser abandonada. Nesta luta na Vila Setembrina, no dia 23 de novembro de 1840, tombou lutando o ideólogo republicano e bravo companheiro Luighi Rossetti.
Garibaldi registrou em Memorie a forma que tombou o valente guerreiro e letrado ativista republicano:
"Tendo caído do cavalo, depois de ter praticado prodígios de valor, ferido perigosamente e intimado para se render, preferiu antes que o matassem do que entregar a sua espada. Ainda uma outra ferida para o meu coração ! Sabe-se como eu o amava; seja-me pois permitido dizer à Itália, o que já tenho dito tantas vezes! Oh! Itália, minha mãe, acabamos de perder, eu um dos meus irmãos mais caros, e tu um dos teus filhos mais generosos ... Era natural de Gênova, havia sido, por pais que conheciam pouco o seu caráter, destinado a vida eclesiástica, quando era um dos mais valorosos patriotas italianos que tenho conhecido. Inclinado a vida aventureira, e não podendo respirar na Itália, partiu para o Rio de Janeiro, onde foi negociante e corretor; mas não tendo Rossetti nascido negociante, era uma planta exótica dando-se mal na terra do agio, não porque ele fosse dotado de uma inteligência fina e apta e se enriquecesse de todos os conhecimentos, mas porque Rossetti era o mais italiano de todos os italianos, isto é, o mais generoso e pródigo dos homens, e com tais vícios não se faz fortuna, mas antes se caminha a grandes passos para a ruína. Foi o que aconteceu com Rossetti ... "
De fato, letrado e culto, Luighi Rossetti havia cursado direito, redigia muito bem e era mazzinista por convicção, unindo-se a Garibaldi desde o primeiro dia que encontraram-se no Rio de Janeiro. Tão logo chegou ao Rio Grande do Sul, suas qualidades foram imediatamente aproveitadas pelos farroupilhas, que o encarregaram da redação confecção do jornal "O Povo", òrgão de divulgação oficial da República Riograndense. Durante o período que circulou, este jornal teve 160 edições, das quais Luighi Rossetti foi o redator principal. Ali foram noticiados os feitos dos exércitos republicanos e as doutrinas libertárias que o movimento republicano preconizava.
Diz Elmar Bones em sua obra LUIGHI ROSSETTI - O EDITOR SEM ROSTO (L&PM - 1996), que era através deste jornal, às vêzes com edições precárias, que circulavam as idéias novas, que solapavam o poder dos reis e da aristocracia. A burguesia emergente acenava ao povo com bandeiras como a igualdade, liberdade, fraternidade. Os jornais circulando de mão em mãos, distribuídos pelas militâncias, traduziam esses conceitos para a realidade concreta. Luighi Rossetti foi um escritor que não deixou nenhum obra escrita, porém, as cartas que escreveu a Domingos Jose de Almeida, o poderoso Ministro das Finanças da Republica Riograndense, a Giovanni Batista Cuneo e outros seus amigos e superiores, resgataram o profundo conhecimento ideológico à causa republicana.
Nestas cartas e artigos, Rossetti pregou o liberalismo como forma de derrubada do poder absolutista monárquico e propagandeou uma revolução republicana para todo o Brasil. Sonhava com uma confederação de repúblicas independentes. Por graça destes meios de comunicação, exercendo suas funções, registrou seus pensamentos e seus atos, que ora solicitava ajuda, emitia conselhos, conspirava e também lutava. Diz este autor, que Rossetti é um pouco mais que um nome, sem rosto. De sua figura não ficou um único bico-de-pena.
Nos 160 números do jornal "O Povo", órgão oficial da revolução, seu nome aparece duas ou três vezes, e por razões que nada têm a ver com o jornal como, por exemplo, numa publicação de "ordem do dia" em que o Cel. Teixeira Nunes elogia a conduta do tenente Luighi Rossetti na tomada de Laguna.
Com ele Anita havia dado fundamentação ideológica às toscas idéias republicanas que lhe haviam sido ensinadas pelo Tio Antônio. Por Ter sido culto, humilde e por ter sido paciente o suficiente para ministrar-lhe ensinamentos durante as marchas e nos pousos, Anita devotou-lhe um sentimento de respeito e admiração muito grande, tendo sido uma das pessoas que mais lamentou sua brutal morte.
(59)- MENOTTI, O GARIBALDI BRASILEIRO - ELMA SANTANA - pg 25
(60)- GARIBALDI E ANITA - BRASIL GERSON - pg 84
(61)- ANITA GARIBALDI A MULHER DO GENERAL - ANITA GARIBALDI
(62)- IDEM
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