Capítulo XI
Anita participou de marchas e batalhas


ANITA OUVIU AS PREGAÇÕES REPUBLICANAS DE LUIGHI ROSSETTI

A sede do Governo Farroupilha tinha-se estabelecido na cidade de Caçapava, de onde os farrapos comandavam a ocupação de praticamente todo Rio Grande do Sul. As duas cidades portuárias e mais importantes, porém, não estavam em seu poder: Porto Alegre e Rio Grande haviam resistido as investidas republicanas. Inicialmente ocupada, Porto Alegre havia sido retomada pelos monarquistas, enquanto o Porto de Rio Grande, fortemente guarnecido, permaneceu desde início sob domínio absoluto deste. Em Santa Catarina o ano de 1839 tinha sido de muita atividade militar. No Rio Grande do Sul, foi pobre em fatos bélicos de maior desenvoltura, limitando-se a escaramuças e a algumas tentativas feitas por algumas lideranças de ambos os lados, para celebrar-se um entendimento que conduzisse a uma paz honrosa, sem que qualquer uma das partes saísse de forma desonrosa daquela guerra civil.

Efetivamente, havia um cansaço generalizado, principalmente entre a população civil, que durante os quatro anos que sucederam-se, havia suportado materialmente a beligerância, com o alto preço da vida de muitos filhos riograndenses. Em março de 1940, de Vacaria, a tropa marchou rumo a Setembrina, onde já estavam concentradas parte das tropas farrapas do General Canabarro e do General Zeca Neto. O palco das operações compreendiam as cidades de Viamão, S. Leopoldo, Taquari, Capivari, e outras localizadas nas proximidades de Porto Alegre, que continuava sitiada por terra, a despeito de numerosa tropa imperial que era mantida às margens dos rios Taquari, Capivari e Cai.

Para desmoralizar os farroupilhas, o presidente da Província do Rio Grande do Sul, ordenou que um dos comandantes imperialistas, o brigadeiro Bonifácio Calderon, cordobes de origem, que havia recrutado um exército de dois mil e quinhentos homens, marchasse sobre Caçapava, a capital da República Riograndense, para coagir os republicanos a saírem em sua defesa, afrouxando o cerco a Porto Alegre.

Sentindo a manobra, o governo republicano, ali representado por seu Ministro da Fazenda Domingos José de Almeida, não deslocou nenhum contigente significativo para defender sua capital, resolvendo abandoná-la com os cerca de 150 homens que ali estavam concentrados. Mudando-se a sede da República para S. Gabriel, nenhuma tropa significativa de seu exército saiu das cercanias de Porto Alegre. Premidos pela falta de estrutura militar que oferecesse segurança ao governo civil da sua jovem república, nos anos seguintes, a República Riograndense submeteu-se a diversas situações como esta, caracterizando-se por ter um governo errante, estabelecendo-se temporariamente em diversas cidades, tais como Piratini, Caçapava, S. Gabriel, Bagé, Cacequi e Alegrete.

Tão logo Calderon sentiu a inutilidade da ocupação de Caçapava, a abandonou, permitindo que os republicanos para lá voltassem e ali reinstalassem a sede de seu Governo. Calderon marchou, então, a frente de seus dois mil e quinhentos homens, rumo ao norte, para ajudar a expulsar os republicanos acampados nas vizinhanças de Porto Alegre.

O episódio, entretanto, deixou claro aos republicanos que novas tropas estavam sendo recrutadas pelos imperiais e que o passar do tempo sem ações militares de maior envergadura os prejudicava. Sem esquadra ou mesmo um navio qualquer, Bento Gonçalves e os seus chefes militares tinham dificuldades, pois os imperiais eram senhores absolutos da Lagoa dos Patos, o que lhes permitia o acesso fácil com o Porto de Rio Grande e do Rio de Janeiro, de onde recebiam armas, munições, suprimentos e pessoal, que desembarcavam em Porto Alegre sem serem admoestados.

Enquanto os republicanos dispunham de tropas irregulares formadas pela gente simples do povo gaúcho, os imperiais dispunham de recursos fartos, de linhas de navegação e de novas tropas que formavam-se a cada dia.

Urgia, portanto, desencadear uma grande ação militar, capaz de decidir a consolidação da República, antes que o Império se reestruturasse militarmente e que fosse tarde de mais. Por decisão do estado maior republicano, concentraram-se suas forças, com o objetivo de em um único e grande combate, derrotarem definitivamente o Império e apoderarem-se de Porto Alegre. Num segundo momento, seria tentado o assalto ao Porto de Rio Grande.

Foi, então, necessário unir as tropas republicanas estacionadas em Taquari, com as de Viamão, fechando o cerco de Porto Alegre, isolando os inimigos que estavam ao norte e leste. Esta manobra também visava impedir que novos reforços oriundos da região sul viessem em sua ajuda.

Nas cavalgadas e nos pousos durante a retirada de Santa Catarina, Luighi Rossetti encontrou em Anita uma atenta ouvinte às idéias de igualdade e justiça social, defendidas entusiasticamente pelo patriota italiano. Desde que chegaram de Vacaria, Luighi Rosseti, Garibaldi e Anita ficam na Setembrina. Ali viveram diversos dias, habitando a mesma casa. Garibaldi interessava e inspirava-se na leitura da "Divina Comédia", de Dante Aleghieri, Anita também passou a interessar-se e a seu pedido. Rosseti dispôs-se a ler-lhe a obra. (53)

Garibaldi sentiu prazer em observar o interesse por mais conhecimentos, pois sempre que havia oportunidade, Anita indagava-lhes, fazendo as mais diversas perguntas a cerca de tudo quanto ouvia os dois patriotas italianos conversarem. Ouvia-os atentamente falarem sobre os ideais saint-simonianos, que pregava o dever de todo o homem lutar não apenas pela sua própria liberdade e a de seu povo, mas também pela liberdade dos demais, das demais nações vítimas da opressão, sem esperar recompensas materiais. Quis saber sobre o origem e o que pretendiam os carbonários, quem era e o que pregava o tão falado e homenageado criador do movimento mazziniano, Giuseppe Mazzini.

Indagou e ouviu muito sobre as idéias libertárias da inspiradora Revolução Francesa e de suas repúblicas, a história e o surgimento do sistema democrático na Grécia, sobre a ascensão e ruína total do extinto Império Romano. Ouviu-os atentamente cantarem e a declamarem canções e versos de amor e guerra, tomando conhecimento dos versos de Petrarco, Dante, Fóscolo, Byron e outros (54) Anita estava iniciando sua participação na campanha pela defesa da República Riograndense e desejou saber mais e aprofundar os ensinamentos do Tio Antônio, principalmente sobre as origens dos sentimentos trazidos pelos então atuais movimentos liberais de todas as tendências, quem eram os federalistas, as fações separatistas e radicais dos republicanos, imperiais, moderados chimangos e outros grupos políticos heterogêneos que formavam os sentimentos de defesa e contra o direito de autodeterminação do Rio Grande do Sul. A semente que seu Tio Antônio lhe havia plantado, já havia germinado e os primeiros frutos tinham acabado de serem colhidos. Agora a planta estava sendo regada, alimentada e vitalizada com novos e mais profundos conhecimentos ...


GRÁVIDA, ANITA QUIS LUTAR NA BATALHA DO TAQUARI, MAS FOI IMPEDIDA POR BENTO GONÇALVES

Naqueles dias Giuseppe Garibaldi foi de extrema valia, pois parte do comando militar, para unir-se e comandar suas tropas acampadas em Taquari, deveria atravessar o Rio Guaíba, infestado e policiado por numerosas canhoneiras imperiais, que singravam seu leito dioturnamente, sem cessar. Em pequenas canoas, movidas apenas com a força dos remos, a travessia foi feita de madrugada. No dia seguinte, em Taquari, já desanimados pela longa ausência e desorientação em que encontravam-se, os rebelados farroupilhas exultaram com a presença de seus comandantes. Iniciaram, então a movimentação das tropas, planejada para realizar a operação que deveria unir os exércitos republicanos e decidir a consolidação da República Riograndense.

Sob o comando supremo de Bento Gonçalves, Garibaldi e Anita partiram de Viamão. Com Anita permanentemente ao seu lado, Giuseppe comandava o corpo de marinheiros, agora em operação terrestre. Partiram em direção oeste, dirigiram-se para o Cai, através da Colônia de S. Leopoldo, onde pretendiam abastecerem-se com víveres. A região de S. Leopoldo, que havia sido ocupada e colonizada há pouco mais de dez anos, era formada por famílias germânicas, que já tinham sido alvo de constantes requisições militares, de ambas as partes em conflito, requisições estas que lhe solaparam não apenas todas suas plantações e animais, mas também seus filhos, que na maioria dos casos, passavam a lutar sem entenderem o porquê e para quem estavam lutando. Ao ali chegaram, Giuseppe e Anita encontraram desolação e miséria, e por dois dias e duas noites, passaram por extremas privações, juntamente com o idealista exército farroupilha, praticamente sem nenhuma alimentação.

Depois de algumas escaramuças com os imperiais, o general Zeca Neto e o General Bento Gonçalves, conseguiram, finalmente, nas proximidades do Arroio Azeredo, unirem seus exércitos, formando um único contigente de seis mil homens, sendo cinco mil na cavalaria e mil na infantaria. Nenhum dos dois dispunha de artilharia.

Apesar do assédio à Porto Alegre, esta operação tinha sido impedida diversas vezes pelas forças regulares imperiais acantonadas nas cercanias. De formas que o encontro de Zeca Neto e de Bento Gonçalves, com seus respectivos exércitos, foi comemorado nas hostes farrapas. Ali estavam todos os grandes chefes farroupilhas: Bento Gonçalves, Zeca Neto, Onofre Pires, David Canabarro, Teixeira Nunes, Giuseppe Garibaldi, Corte Real, João Antônio, Marcelino Manoel além de muitos outros. Ao lado de Giuseppe Garibaldi, Anita. Iniciada a marcha rumo a Porto Alegre, sabiam que logo seriam interceptados pelos imperiais, que sentindo ser necessário combater a força que a República havia formado, apressou-se o comando militar, sob a responsabilidade do general monarquista Manoel Jorge, em juntar todas as suas forças e opor-se a investida que armavam os republicanos. Dispunha do dobro de homens na infantaria, um número maior de cavalarianos e de duas companhias de artilharia.

Era o dia 03 de junho de 1840, quando, às oito horas da manhã, nas proximidades de Taquari, no passo do Pinherinho, sentindo que o combate seria eminente, perfilaram-se os dois exércitos, prontos para a grande e decisiva batalha, que decidiria definitivamente a unidade ou o desmembramento do império brasileiro.

A batalha, porém, não aconteceu com a totalidade das forças dispostas. Hesitações de ambos os lados, que não ordenaram o ataque definitivo, fizeram com que esta grande batalha se fracionasse em alguns encontros, aqui e acolá, por vanguardas de ambas cavalarias que encontraram-se no passo do rio Taquari e nas tentativas de cortarem um e outro movimento de suas vanguardas e retaguardas. É bem provável que Bento Gonçalves tenha hesitado em virtude do inimigo possuir pesada artilharia, enquanto ele não dispunha de nenhuma para contrapor-se. Assim, embora não ordenou o ataque final, que poderia ter derrotado os imperiais pela sua péssima localização geográfica, houve um confronto de significativas perdas para ambos os lados contendores.

Ao final do dia, os republicanos contaram 270 mortos, enquanto os imperiais registraram 201 baixas. Ambos os lados sentiram-se vitoriosos. Na verdade este encontro demonstrou um grande equilíbrio de forças, que quase nada alterou em termos de vantagens para um ou outro lado. Para Morivalde Calvet Fagundes, "... o número de baixas teve uma diferença insignificante. Depois do combate cada um seguiu para seu lado. Não houve perseguição ... Logo o combate terminou empatado, sem vencedor, nem vencido." (55)

Garibaldi que comandava o esquadrão dos marinheiros teve ao seu lado a presença constante de Anita, que muito embora quisesse participar da luta como um soldado qualquer foi impedida pelo General Bento Gonçalves chefe supremo das forças republicanas.

Em carta dirigida a sua irmã, datada de dezembro de 1840, Anita contou-lhe o incidente "...enfim, a viagem de Lages não foi das mais confortáveis, apesar de termos parado um pouco em Vila Setembrina, perto de Porto Alegre. Durante aqueles dias, tomei uma antipatia muito grande pelo chefe dos farrapos, Bento Gonçalves. Durante uma batalha em Taquari, ele queria que eu ficasse de lado, como uma mulherzinha...." (56)


"IDE E DIZEI COMO OS LIVRES PAGAM SUAS DÍVIDAS"

O fato ocorreu, provavelmente por dois fatores: primeiro porque Anita estava com aproximadamente cinco meses de gravidez, e segundo, pela personalidade do altivo líder farrapo, que não poderia permitir uma mulher combatendo a seu lado, ainda mais no estado de gravidez em que se encontrava.


Malograda a operação que pretendia derrotar definitivamente os legais, marcharam os farrapos para Setembrina onde fixaram-se por alguns dias. A pretensão era ali restruturar-se e manter o cerco de Porto Alegre. Para debilitar e tomar a capital gaúcha, o comando Farroupilha compreendeu ser necessário cortar os fornecimentos que Porto Alegre recebia regularmente, através do Rio Guaíba, vindos do Rio de janeiro através do Porto de Rio Grande. Uma vez tomadas as cidades de Rio Grande e de São José do Norte, estaria cortada a linha de manutenção de suprimentos. Portanto, o Porto do Rio Grande deveria ser tomado pelos republicanos.

Em princípio de julho marcharam naquela direção passando pela estreita faixa de terras arenosas que fica localizado entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico, passando por Palmares e Mostardas.

Durante oito dias a força expedicionária, comandada pelo próprio Bento Gonçalves sofreu os azares de uma frente fria e de uma torrencial chuva que se abateu naqueles dias.

Domingos Crescêncio comandava a infantaria e Onofre Pires comandava a cavalaria. Garibaldi, colocado sob o comando de Onofre, tinha sob sua responsabilidade um esquadrão de marinheiros que portavam dois pequenos canhões. Ao todo a expedição possuía mil homens mais ou menos, ou melhor, mil homens e uma mulher, Anita, que cavalgava entre Onofre Pires e Garibaldi.

As primeira horas da madrugada do dia 16 de julho com uma chuva torrencial, relâmpagos e trovões Garibaldi atirou-se com seu esquadrão de cavalaria, cego e surdo à chuva, à escuridão e aos tiros que o repelia. Rapidamente lançou-se contra a bateria imperial, postada que estava na vila de São José do Norte. O muro do forte foi tomado com Garibaldi e seus homens subindo, um nas costas dos outros, de uma forma tão rápida que em poucos minutos a guarnição foi dominada. Mas resistiu o capitão pernambucano João Portela, que ateou fogo no paiol de pólvora do forte. O espetacular estrondo atirou para o céu pedras, madeiras, equipamentos e os corpos de diversos republicanos que ali já tinham entrado. Alarmados pela explosões os navios legalistas ancorados do outro lado da Barra do Rio Grande, foram em defesa da Vila de S. José. Refeitos da surpresa, os imperiais concentraram-se em uma das baterias do forte e com auxilio da esquadrilha que desembarcou diversos soldados que acudiram de Rio Grande, puderam conter o avanço republicano, fazendo-o estacionar. Pela dez horas da manhã os republicanos receberam ordem de Bento Gonçalves para recuar.

Datado de 27 de julho de 1840, o exército farrapo expediu ordem do dia narrando os motivos da retirada: ".....estando já as forças republicanas senhoras de toda a praça do norte, e de alguma de suas fortificações, que tinham sido tomada sem que o inimigo ousasse sair do aquartelamento, teve sua Exa. de as mandar retirar não só por causa de sua copiosa chuva que inutilizou as armas de fogo, como porquê para constranger a capitular o resto da força inimiga entrincheirado em seu quartel, era necessário incendiar a praça e a imagem só de um incêndio, seus horrores , e conseqüências que fariam indistintamente milhares de vítimas inocentes, fez palpitar no coração de sua Exa. o sentimento de piedade e compaixão. Sua Exa. preferiu antes ver furtado o plano que formou, do que pisar ufano sobre as ruínas e cadáveres ensanguentados de seus semelhantes..." (57)

Em números aproximados, os imperiais tiveram cerca de 90 feridos e mais de 200 homens mortos, enquanto os farrapos ficaram com 150 feridos e exatamente 184 mortos. Após a retirada deste combate, que durou dez horas seguidas, Bento Gonçalves ordenou a retirada e estacionaram a três léguas de São José. Junto levaram 58 prisioneiros, dentre os quais alguns bastante feridos. No improvisado acampamento ao relento, expostos ao tempo chuvoso, embaixo de árvores, dentro de carretas e quando muito abrigados por toscas e pequenas barracas ali estavam os que mais necessitavam de atenção e cuidados médicos.

Como não tinha um corpo de enfermagem e nem um médico, solicitou Garibaldi ao General Bento Gonçalves, que fossem providenciados medicamentos mais essenciais, como ataduras, bálsamo, iodo e outros indispensáveis aos primeiros socorros, já que haviam oficiais e soldados gravemente feridos, gemendo de dor, sem que houvesse um único alívio medicinal. Além de limpar as feridas e estancar o sangue dos dilacerados corpos, alguns sem parte de seus membros, outros com feridas e graves lesões, eram necessários medicamentos para ao menos aliviar as terríveis dores. Informado e sensibilizado, Bento Gonçalves mandou um mensageiro aos imperiais, e na esperança que estes tivessem reconhecido a nobreza farroupilha de abandonar a Vila do Norte ao invés de incendiá-la, solicitou-lhes medicamentos aos feridos. Soares Paiva, o mesmo que havia comandado a resistência em S. José do Norte, sem titubear, mandou fornecer os medicamentos. Em retribuição a este nobre gesto do inimigo, Bento Gonçalves mandou chamar a sua presença os 58 prisioneiros imperiais e os libertou, dizendo:

"- ide e dizei ao coronel Soares de Paiva como os livres pagam de pronto suas dívidas." (58)

Anita em avançado estado de gravidez, faltando pouco mais de um mês para conceber seu primeiro filho, não participou desta epopéia. Embora tenha tentado participar de mais esta luta pela defesa dos nobres ideais republicanos ao lado de Garibaldi, novamente foi impedida.

Durante este período, desde que Garibaldi tinha regressado de Santa Catarina, havia assumido a tarefa de reconstruir a frota naval republicana, Anita ficou em uma improvisada e paupérrima residência, em S. Simão. A casa havia sido abandonada por morador da região, que temeroso aos horrores da guerra, havia fugido do local. A residência deu-lhes um pouco mais de privacidade e sossego ao casal, pois estava localizada próxima onde Garibaldi deveria construir seus lanchões, o que lhe permitia uma certa comodidade, embora nada tivessem de conforto, sendo-lhe difícil até a alimentação. Faltou-lhes madeiras para construírem os barcos, cujo fornecimento havia sido garantido pelo Estado Maior. Mas, como a mercadoria não chegava, Garibaldi e seus homens dedicaram-se a doma de cavalos xucros.

Quando, porém, havia uma operação militar mais significativa, como as de Taquari e de S. José do Norte, era chamado para auxiliar, com seus homens, nos combates. Portanto, depois de maio de 1840, dirigiu a construção das embarcações, para serem utilizados na travessia das tropas pela Lagoa dos Patos.

Uma vez mais, cansados, famintos e com moral bastante abalado, retrocederam os republicanos, pelo mesmo caminho que vieram, voltando de S. José do Norte para Viamão, onde ainda estava estacionada a principal força farrapa. O comando havia-se resignado voltar e manter o cerco, na esperança de que fatos novos viessem possibilitar a retomada de Porto Alegre.

Ao voltar da frustada expedição a S. José do Norte, como Anita estava em adiantado de gravidez, o casal aceitou a oferta de hospedarem-se na casa da família Costa, que residiam em Mostardas. Ali permaneceram algum tempo, o suficiente para Anita conceber seu primogênito.

(53)- ANITA GARIBALDI - HEROINA POR AMOR- VALENTIN VALENTI - pg 205.
(54)-GARIBALDI E ANITA - GERSON BRASIL - pg 77
(55)-HISTORIA DA REVOLUÇÃO FARROUPILHA- MORIVALDE CALVET FAGUNDES pg. 277
(56)- ANITA GARIBALDI A MULHER DO GENERAL- ANITA GARIBALDI
(57)- OS FARRAPOS- WALTER SPALDING p. 203
(58)- - A MAGNITUDE DE BENTO GONÇALVES - ALFREDO FERREIRA RODRIGUES