Capítulo X
Em Curitibanos Anita foi presa e fugiu


OS REPUBLICANOS DIVIDIRAM SEU EXERCITO

Estacionados no Camacho e no Campo Bom, os oficiais farroupilhas, enquanto esperavam os destacamentos retardatários e os que tinham tido alguma dificuldade de retirar-se dos arredores de Laguna, discutiram se permaneciam ou não em Santa Catarina. Quando o intrépido Capote e seus homens chegaram, os que haviam ficado na retaguarda para dar cobertura à retirada da coluna e impedir que os imperiais atacassem o novo acampamento farroupilha, já estavam todos recuperados e em condições fazer frente novamente ao inimigo, que havia assenhorado-se de Laguna. Esta era a intenção da maioria dos oficiais e lideranças, entre eles Giusepe Garibaldi, Teixeira Nunes e Luighi Rosseti. Porém, mais ou menos dez dias depois de recomporem-se seus regimentos, e após acirrada discussão, Canabarro impôs sua vontade à maioria dos oficiais, partindo todos, rumando em direção ao sul.

Para compensar sua intransigência, Canabarro autorizou Garibaldi, Rossetti e Teixeira Nunes rumarem direção oeste, subirem a Serra Geral, para alcançarem e recuperarem Lages, agora em mãos dos imperiais. Canabarro seguiria pelo litoral rumo ao sul, em direção a Viamão, onde deveria encontrar-se e colocar-se a disposição de Bento Gonçalves, que continuava a lutar pela consolidação da República Riograndense.

Marchariam juntos até Torres, e lá dividiriam-se. Ao chegarem em Araranguá e vendo as fortificações naturais dos Conventos e de Torres, associados aos extensos banhados que dificultariam movimentos de tropas, pensou Canabarro ali estacionar seu exército, aguardar a retomada de Lages e receber eventuais reforços do sul para, quem sabe, retomar Laguna. Se exitosa a empresa dos seus inconformados oficiais, e se recebesse reforços, poderia ser pensado seriamente em invadir o Desterro. Mas tão logo Garibaldi, Anita e Teixeira Nunes o deixaram dirigindo-se para Praia Grande, rumo ao oeste, Canabarro abandonou definitivamente a idéia de aproveitar-se dos acidentes geográficos, e partiu para Viamão.

A escalada da íngreme e pontiaguda Serra Geral não foi uma tarefa fácil de ser vencida. Mas a destemida Anita e seus companheiros, não deixaram que este acidente geográfico de mil e duzentos metros de altitude os amedrontassem e impedissem. Era apenas mais um obstáculo a ser transposto. Além desta cadeia de montanhas que tiveram contra si, que até hoje projeta precipícios de centenas de metros de altura, tiveram que vencê-la com as dificuldades das intempéries, escalando picadas e caminhos sinuosos, que mal passava uma carroça por vez, suportando densa neblina e fortes rajadas de ventos.

Moveram-se tendo precipícios verticais a poucos centímetros em suas laterais, com raras obliquidades. As passagens eram verdadeiras armadilhas, e muitas vezes ali sucumbiram tropas de animais e seus tropeiros, pegos pela ventanias frias e enxurradas que devastam o que encontram a frente ou abaixo de si. Enfrentaram as cerrações que até hoje mantém cobertos aqueles costões a maior parte do tempo, quer seja no inverno ou no verão. A seu favor tinham apenas a disposição de continuarem a lutar por seus ideais, sem fraquejarem, de onde as forças para enfrentar tão insólitas adversidades naturais.


500 FARRAPOS REPUBLICANOS DERROTARAM 2000 MONARQUISTAS NA BATALHA DE SANTA VITORIA

O Planalto Serrano, que havia estado em poder dos republicanos, tinha caído em mão dos imperiais, que na região dispunham de Cândido Alano, seu mais combativo defensor. Anteriormente havia sofrido muitas derrotas, mas como era um influente fazendeiro e morador da região, a conhecia muito bem, sabia onde buscar refúgio e reforços para reagir a cada revés. Graças ao seu persistente comando, havia granjeado a confiança e admiração do Brigadeiro Francisco Xavier da Cunha, que comandava a Divisão São Paulo, formada em Rio Negro, com dois mil homens, que estava deslocando-se para a região com ordens expressas do Ministro da Guerra para expulsar os republicanos definitivamente de Lages. Xavier da Cunha tinha absoluto controle. Espalhou proclamas para atemorizar e ao mesmo tempo provocar deserções nos inimigos. À alguns soldados republicanos que capturou dirigiu habilidosa conversa, para convencê-los servirem de espias em pról do Império. Por ser vaidoso, ufanava-se publicamente desta sua capacidade verbal para este tipo de tarefa.

Logo após a subida da serra, na margem esquerda das nascentes do Rio Pelotas, cujo leito, mais a frente, ainda hoje, divide as províncias de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, existia um entreposto alfandegário, onde o Império cobrava os tributos incidentes sobre as tropas que vinham de Viamão e subiam a serra, para atingir o mercado de Sorocaba. O local era conhecido como Santa Vitória. Serafim Muniz, Antônio Inácio e a outros líderes revolucionários, após terem sido derrotados em Lages, para aquelas paragens haviam-se dirigido com seus homens.

Recém-chegados ao Planalto, Teixeira Nunes e Garibaldi, que de marinheiro passou a ser cavaleiro, haviam recebido informações sobre o vaidoso comportamento do brigadeiro, e prepararam um plano. Ordenaram que um dos mais espertos soldados se deixasse apreender pelos homens do brigadeiro, e o informasse que cerca de duzentos maltrapilhos soldados republicanos, sem armas e famintos, expulsos de Laguna, tinham subido a serra e estavam aproximando-se de Santa Vitória.

O Brigadeiro Francisco Xavier da Cunha engoliu a isca e para lá dirigiu-se, com seus dois mil homens, com a certeza de dizimar os revoltosos remanescentes, que já haviam sido derrotados em Lages e em Laguna. Queria aproveitar o momento da desmoralização que o inimigo suportava, que depauperado, continuava a fugir. Assim que exterminasse este derradeiro foco de resistência republicana, os campos de cima da serra estariam livres da "hidra infernal da anarquia", conforme proclamou em seus editais. Após, poderia então, cumprir a segunda parte da missão que lhe foi confiada pelo Ministro da Justiça, ou seja, dirigir-se a Porto Alegre para ajudar levantar o bloqueio que o exército da República Riograndense mantinha nos arredores daquela cidade.

Quando avistaram-se os adversários, Teixeira Nunes ordenou a Antônio Inácio de Oliveira para que, com seus cavalarianos, atraísse uma parte do exército legalista, enquanto seus lanceiros negros atraíram para outro ponto a outra parte do exército do brigadeiro. Armou uma estratégia militar que funcionou, dividindo as divisões legalistas. Divididas suas forças, foram as mesmas surpreendidas pelas habilidades da cavalaria farroupilha. Retrocedeu o brigadeiro refugiando-se com metade de seus homens dentro de uma mangueira, com cercas de pedras, que em Santa Vitória era utilizada para o fisco apartar, contar e tributar o gado que ali passava.

Naquele local deu-se um renhido combate, homem a homem, com tiros de pistola a queima-roupa, adagas, espadas e, principalmente com as lanças manuseadas habilidosamente pelas mãos dos reluzentes lanceiros negros de Teixeira Nunes.

Ferido em uma perna e vendo-se perdido, tentou fugir o Brigadeiro, protegido por alguns oficiais que lhe foram devotos. Perseguido por republicanos, ao cruzar o Rio Pelotas, foi tragado pelas suas águas, vindo a falecer sem que seu corpo tenha sido localizado.

Anita queria lutar ao lado dos lanceiros farroupilhas, lutar de igual para igual, como uma amazona intrépida que era, com espada na mão. Não exitou em nenhum momento em lançar-se a carga da cavalaria, afrontando com sua já característica coragem, os tiros que partiam do entrincheirado inimigo. Mas foi impedida, porque neste episódio, Garibaldi ficou na retaguarda, e não teve participação na linha de frente, em virtude de seu desconhecimento sobre este tipo de combate. Ficou observando e auxiliando o comando na distribuição das ordens, deslocando-se de um destacamento para outro.

Anita o acompanhou, ficando-lhe a incumbência de auxiliar os feridos, de quem já vinha tratando durante toda a viagem. Porém, novos combates, novos feridos. Anita deveria resignar-se, nesta luta, a ser enfermeira. Garibaldi era um guerreiro naval, e este foi o seu primeiro combate em terra firme, no lombo de um cavalo, que aprendeu a cavalgar tendo por mestre sua incomparabille Anita. Em suas cartas noticiou que foi ela, em Laguna, quem deu-lhe as principais noções sobre como cavalgar: " Querida irmã: .... O único combate que realmente exigiu empenho aconteceu perto de Santa Vitória. ... pela primeira vez eu o via em ação a cavalo. ... Felizmente, ele aproveitou bem as minhas aulas de equitação. Eu não conseguia tirar os olhos de cima dele, cheia de admiração pelo modo como conseguia prever os movimentos dos adversários. Era tão bom nisso que conseguia mandar os seus homens para os lugares certos, surpreendendo a todos com a rapidez de suas ações e indo de um lugar para outro com muita velocidade, deslocando-se sem parar, como um perfeito guerrilheiro..."(44)

Naquele histórico dia 14 de dezembro de 1839, 500 soldados republicanos, entre eles Anita Garibaldi, derrotaram dois mil soldados imperiais. Mais uma vez, as vantagens das armas e o número de soldados, foram sobrepujados pela força da determinação dos ideais republicanos


ANITA PASSOU O NATAL DE 1839 EM LAGES

Quatro dias após, em 18 de dezembro, Garibaldi, Anita, Rosetti e Teixeira Nunes, com seus farrapos, entraram triunfalmente em Lages e ali reinstalaram os comandos militares e o governo da República Catarinense.

Anita e Garibaldi, tiveram, então, durante diversos dias, um período de tranqüilidade. Passaram a habitar em uma casa de madeira. Foi a primeira vez que tiveram a oportunidade de habitar o mesmo teto. Conforme já narrado, Anita possuía parentes em Lages, e ali vivia seu estimado Tio Antônio, ansiou apresentá-lo a Garibaldi. Afinal, este era a personificação dos ideais daquele. Como ambos foram importantes na vida de Anita, desejou vê-los juntos.

Feliz em poder coloca-los frente a frente, Anita registrou na mesma carta que enviou a sua irmã:

" ... Nos dias que se seguiram àquela luta, chegamos a Lajes sem maiores dificuldades e fomos acolhidos alegremente pela família e pelos amigos. Já encontramos uma casinha bonita, toda de madeira. Não consigo acreditar que estou vivendo sozinha com José. Estamos muito felizes, rimos e brincamos de donos-de-casa, quando os nossos amigos vêm nos visitar. Tio Antônio e José logo simpatizaram um com o outro. Quando eles se encontram, passam horas discutindo sobre a liberdade dos povos. Mas devo confessar que às vezes começo a duvidar de que um dia o mundo será realmente diferente. Talvez ele melhore para os nossos filhos, pelo menos é o que espero. Mas o tempo passa e tudo fica como antes. Evito dizer isso aos nossos fervorosos sonhadores, que por mais que discutam não sabem dizer por quanto tempo resistiremos em Lajes. Ninguém se arrisca a fazer previsões. As patrulhas falam de tropas inimigas, organizam-se várias expedições. Com certeza José vai ter que patrulhar nos próximos dias, e eu vou com ele. Ficou decidido que ficarei encarregada de reabastecer as tropas de munições, o que me parece uma tarefa útil. Levarei comigo um grupo de companheiros fortes, que ,estou aprendendo a conhecer, para garantir os transportes. Quero organizá-los da melhor maneira possível. ..." (45)

Anita comemorou o natal de 1839 em companhia de Giuseppe, e com ele assistiu a Missa do Galo na noite de 24 de dezembro. Como presente de natal de Teixeira Nunes, Anita ganhou um vestido de musselina, um xale de seda, sapatos de marroquim e um chapéu da moda. Garibaldi ganhou um poncho claro. A vitória trouxe dias de tranqüilidade e de relativo conforto ao casal.

Os republicanos informaram a conquista ao estado maior farroupilha, sediado no Rio Grande do Sul. Bento Gonçalves da Silva, o líder farroupilha, exultou com o feito. E havia motivo para tanto. Com Lages em mãos dos republicanos, estavam cortadas as comunicações e os movimentos terrestres do Império com o Rio Grande do Sul. O feito reacendeu a possibilidade de organizarem dois novos exércitos para retomar Laguna e atacar Desterro. Teixeira Nunes desceria de Lages e Canabarro marcharia de Viamão encontrando-se no Desterro, ou em Laguna. Se realizado este novo projeto, não só a independência do Rio Grande do Sul estaria consolidada, como também a de Santa Catarina. Entretanto, primeiro era necessário consolidar o domínio da região serrana, patrulhando e expulsando dali focos remanescentes de pequenas junções imperiais.


UM TIRO ARRANCOU-LHE MECHA DO CABELO. ANITA FOI PRESA EM CURITIBANOS

Antes ainda da derrota do Brigadeiro Francisco Xavier da Cunha, havia partido da Vila de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, uma expedição comandada pelo monarquista convicto Coronel Antônio de Mello Albuquerque, alcunhado de "Melo Manso", face ao seu temperamento. Já tinha sido derrotado em Rio Pardo, e retirara-se para Cruz Alta, quando recebeu ordens de juntar-se com as tropas do brigadeiro em Lages, para juntos marcharem e levantarem o cerco de Porto Alegre. No meio do caminho recebeu a notícia de que o brigadeiro havia sido morto, suas tropas destroçadas e que Lages estava em poder dos republicanos. Temeroso do elevado moral das tropas republicanas, resolveu contornar Lages, passando por Campos Novos, seguindo rumo ao norte, em direção a São Paulo, buscando encontrar-se com um novo exército imperial que de lá havia partido, sob o comando do General Labatut. O ataque à Lages seria desfechado após a reunião e encontro com este.

Informado da presença da coluna de Mello Albuquerque, e para evitar de serem atacados de surpresa, os republicanos dividiram-se em duas colunas: uma ficou com a incumbência de vigiar a região sul de Lages, estacionando na proximidades do Rio Pelotas, enquanto a outra, com quinhentos homens, comandada pelo próprio Teixeira Nunes, saiu em direção a Curitibanos, localizado ao norte de Lages, onde esperavam interceptar o inimigo. Cento e cinqüenta homens a cavalo eram comandados por Giuseppe Garibaldi. À Anita foi confiado o transporte da munição e o comando de um piquete de vinte homens, que deveriam ficar na retaguarda da tropa guarnecendo o transporte da munição. Três dias após terem partido de Lages, acamparam às margens do passo do Rio Marombas, por onde o inimigo deveria cruzar, caso estivesse preparando o ataque a Lages.

Por volta da meia noite do dia 12 de janeiro de 1840, as guardas avançadas dos dois inimigos encontraram-se e trocaram alguns tiros. Imediatamente, Garibaldi fez seus homens montarem para enfrentarem o ataque que pensou estar iniciando. Porém, foi somente pelo romper do dia que puderam ver que o inimigo já estava postado no alto de uma coxilha próxima. Tinha atravessado o rio durante a noite, e ali ficou em formação de batalha, com a vantagem de possuir muito mais homens que Teixeira Nunes.

Mesmo em inferioridade, o ataque foi ordenado pelo comandante republicano. Bem posicionados, armados e em número maior, os imperiais conseguiram rechaçar o primeiro ataque republicano. Garibaldi, então, entra em ação com sua cavalaria, que cavalgou morro acima, juntamente com a infantaria. Vendo o ataque maciço e destemido, recuaram os imperiais de Mello Albuquerque, que fugiram em desabada carreira. Teixeira Nunes, extasiado com a eminente vitória, ordenou a perseguição, que não fosse permitido tempo ao inimigo para recompor-se e reagir. Na verdade havia caído em uma armadilha.

Descuidando-se de sua retaguarda, ele próprio comandou a perseguição durante alguns quilômetros, até atingir as margens do Rio Marombas. Ao chegar foi surpreendido pelas forças remanescentes de Mello Albuquerque, que estavam de tocaia em uma restinga, antes do rio. Repentinamente sua retaguarda foi fechada e Teixeira Nunes viu-se cercado. Garibaldi partiu, então, com sua cavalaria em seu socorro, mas era impossível aproximar-se de Teixeira Nunes. Restou-lhe tão somente ocupar um capão, localizado no alto de uma pequena elevação próxima, de onde teve alcance de tiro e visão do campo de batalha, para dela participar. Graças a iniciativa de Garibaldi, após algum tempo, com muita dificuldade e ao custo da vida de inúmeros companheiros, Teixeira Nunes e uma significativa parcela de soldados conseguiram evadir-se do cerco.

Logo em seguida, a colina onde estava Garibaldi com 63 homens, embora inatingível, foi cercada pelas forças imperiais. Face ao vigor e forte disciplina do seu comandante e às posições individuais determinadas por Garibaldi, os imperiais não lograram atingir a trincheira em nenhuma da 5 ou 6 cargas que tentaram.

Anita, que tinha ficado na retaguarda, tinha compreendido rapidamente a perigosa situação e, como era responsável pela guarda e transporte da munição, mesmo sentindo estarem cercados seus companheiros, tratou de apressar-se, imaginando que estivessem necessitando da munição para sustentar o renhido combate. Quando fazia os movimentos para aproximar-se do cerco, foi surpreendida por um destacamento imperial que lhe abriu fogo, ao que foi prontamente respondido. Travou-se uma refrega. Anita e seus comandados não estavam disposta a render-se e a entregarem a munição tão facilmente. Montada a cavalo, respondeu aos tiros que lhe foram enviados, viu seus homens tombarem, mas continuou resistindo bravamente.

Um tiro arrancou-lhe o chapéu e raspou-lhe na cabeça, arrancando-lhe uma mecha de seus cabelos. Mesmo assim não se deixou esmorecer. Afrontou e atingiu os que aproximavam-se para abate-la e tomar a munição. Ao tentar livrar-se do cerco em que estava, um disparo atingiu seu cavalo, que ao cair, também a derrubou. Levantando-se rapidamente, desembainhou sua espada e ofereceu resistência aos soldados que vendo-a sem arma de fogo, cercaram-na e a dominaram. Anita foi, então, aprisionada !

Posteriormente, ao longo de sua vida , Giuseppe Garibaldi relembrou este episódio inúmeras vezes, registrando-o com seu próprio punho. Deixemos que ele mesmo nos conte o fato:

"Já disse a maneira porque, apesar da bravura de Teixeira Nunes, a nossa cavalaria foi derrotada e como com os meus sessenta e três infantes me vi cercado por mais de quinhentos homens de cavalaria inimiga. Anita devia neste dia assistir as mais terríveis peripécias da guerra. A muito custo submetendo-se ao papel de simples espectadora do combate. Anita apressava a marcha das munições receosa de que os cartuchos faltassem aos combatentes: com efeito o fogo que nos víamos obrigados a fazer era tão violento que dava margem a supor-se, com toda a razão, que se as nossas munições não fossem renovadas bem depressa, não teríamos um único cartucho; com este fito aproximava-se do lugar, onde o combate era mais renhido, quando um esquadrão de vinte cavaleiros inimigos, perseguindo alguns dos nossos que fugiam, caíram de improviso sobre os soldados que conduziam a bagagem.

Excelente cavaleira e montando um admirável cavalo, bem poderia Anita ter fugido; mas dentro desse peito de mulher batia o coração de um herói: em lugar de fugir, animava os nossos soldados a defenderem-se e , num momento, se viu cercada pelos imperiais. Anita enterrou as esporas no ventre do cavalo e dum salto passou pelo meio do inimigo, não tendo recebido mais do que uma única bala, que lhe atravessou o chapéu e levou parte dos cabelos, sem lhe tocar no crânio. Talvez ela pudesse fugir se o cavalo não caísse ferido mortalmente por outra bala e, sendo obrigada a render-se, foi apresentada ao coronel inimigo"(46)


CAPÃO DA MORTANDADE - CURITIBANOS


Neste local, Teixeira Antunes e seus homens foram encurralados. Anita foi presa e após procurar Garibaldi dentre os mortos, fugiu. Na foto, o Prof. Gualdino Busato faz palestra in loco sobre Anita, aos alunos do Colégio JK.
Neste local, Teixeira Antunes e seus homens
foram encurralados. Anita foi presa e após procurar
Garibaldi dentre os mortos, fugiu. Na foto, o Prof.
Gualdino Busato faz palestra in loco sobre Anita,
aos alunos do Colégio JK.



ANITA PROCUROU O CORPO DE GARIBALDI ENTRE OS MORTOS

A tarde já findava quando Garibaldi com seus soldados, ainda cercados, resolveram romper o cerco a tiro, colocando em prática uma estratégia de formarem grupos, correrem rapidamente por um trecho, deitarem-se e atirarem enquanto o outro grupo iniciava correr, que ao chegarem no local onde estava o primeiro grupo, deitavam-se e passavam a atirar, enquanto aqueles reiniciavam a corrida. E assim, alternando-se em correr a atirar, atingiram a mata próxima, onde encontraram refúgio, sem que neste rompimento do cerco tivesse perdido um dos 63 homens.

Já era noite, e Garibaldi, porém, não tinha sabido de Anita, já que a mesma estava na retaguarda, distante e envolvida com tarefa e responsabilidade distinta. Sérias dúvidas assombraram Garibaldi, ora imaginando-a morta, ora pensando-a fora de perigo. Não havia como procurá-la, pois tinha sob sua responsabilidade a vida de seus comandados, que, como comandante, teve que evitar fossem aprisionados pelas patrulhas adversárias, que não pouparam a vida dos republicanos remanescentes e dispersos que encontraram. Triste e pesaroso, compelido pelo seu dever e responsabilidades de líder e comandante militar, decidiu retornar a Lages, pelo interior da densa mata, evitando as picadas, pois não queria deparar-se com patrulhas imperiais. Durante quatro dias e quatro noites caminharam pela mata, sofrendo privações, que em Garibaldi foram ainda mais terríveis, pois a dúvida sobre o destino de Anita lhe assaltava a memória a todo instante.

Ao ser presa, os soldados imperiais depararam-se com um fato inusitado, pois não era comum uma mulher empunhar armas e lutar, ainda mais oferecer resistência tão brava. Entre os soldados que a fizeram prisioneira, estava João Gonçalves Padilha, de Laguna, o pretendente à sua mão, que havia sido preterido por Manuel Duarte. Logo os imperiais ficaram sabendo quem era a prisioneira. Levaram-na ao Coronel Mello de Albuquerque que tentou interroga-la. Tentaram humilha-la, mostrando seu desprezo pelos rebeldes republicanos. Orgulhosa e altiva, Anita foi seca e severa nas suas respostas, e dignamente não deixou-se intimidar, repelindo as tentativas que fizeram para humilha-la. No entanto, posteriormente, o Coronel Mello de Albuquerque confessou que não escondeu sua admiração pelo grande vulto feminino que tinha a sua frente. Anos mais tarde, proferindo palestra aos jovens oficiais no Colégio Militar de Porto Alegre, o Coronel Albuquerque narrou que "quando me foi apresentada estava mal vestida, em trajes masculinos, desgrenhada ... via-se que padecia horrivelmente ... conquistou com sua presença a minha admiração e a dos meus comandados... nunca imaginávamos ver uma mulher tão valorosa... Enchia-nos de orgulho o fato de ser ela uma catarinense, uma compatriota, que dava ao mundo tão sublime provas de valor e intrepidez". (47)

Em suas memórias Garibaldi registrou este interrogatório a que Anita foi submetida:

" Sublime de coragem no perigo, Anita maior vulto tomava ainda, se é possível, na adversidade, de sorte que na presença desse estado-maior maravilhado do seu arrojo, mas que não teve o bom gosto de ocultar diante de uma mulher o orgulho da vitória. Anita repeliu com uma rude e desdenhosa altivez algumas palavras que lhe fizeram antever um tal ou qual desprezo pelos republicanos e tão vigorosamente combateu com a palavra como já o fizera com as armas". (48)

Para quebrar sua altivez, disseram-lhe que todos os chefes republicanos estavam mortos, e que Garibaldi também havia tombado em combate. Inicialmente Anita não acreditou, mas os oficiais mentiram dando detalhes da morte de Garibaldi. E então Anita deixou-se abater, esmorecendo sua altives diante do interrogatório inimigo. Com a falsa notícia, conseguiram abater a elevada moral e o orgulho da prisioneira. Passada algumas horas, refazendo-se parcialmente dos efeitos da triste notícia, valeu-se da admiração que inspirou no comandante imperial e exigiu que lhe fosse permitido procurar o corpo de Garibaldi, se efetivamente morto. Devidamente autorizada e acompanhada de soldados, passou longas e penosas horas revolvendo cadáveres, espalhados pelas coxilhas e capões por onde tinha acontecido o terrível combate, sempre na esperança de não conseguir encontrar o corpo do amado companheiro. Como os combates tinham acontecido em uma longa extensão, em diversos locais, a busca continuou noite a dentro, a luz de lampiões.

Continua Garibaldi em suas memórias:

"Anita julgava que eu tinha morrido. Nesta persuasão pediu e obteve licença de ir ao campo de batalha procurar o meu corpo no meio dos cadáveres. Qual a ventena infernal passeando sobre a campina ensangüentada, Anita errou só e por muito tempo procurando aquele que ela receava de encontrar, voltando os mortos que tinham caído de rosto para a terra e nos quais pelo fato ou pela altura, ela imaginava terem alguma semelhança comigo. Foram inúteis as suas pesquisas. Era a mim pelo contrário, que a sorte reservava a dor suprema de banhar com as minhas lágrimas suas faces gélidas e quando este momento de angustia chegou, impossível me foi de lançar um punhado de terra, uma flor, ao menos sobre a cova onde jazia a mãe de meus filhos. Desde que Anita esteve segura de que eu existia, não teve senão um pensamento, o de fugir ..." (49)


ANITA BURLOU A VIGILÂNCIA E FUGIU

Do lado republicano morreram neste dia mais de cem soldados, além de sete oficiais. Também perderam todos os seus seiscentos cavalos, parte de seu armamento e quase toda sua munição. Entretanto, apesar destas perdas lamentáveis, confiante de que Garibaldi não havia sucumbido, Anita passou a premeditar uma forma de evadir-se. Enquanto os imperiais descuidados afogavam-se no delírio da inesperada vitória, aproveitou-se de oportunidade e evadiu-se sorrateiramente, ocultando-se em uma casa, próxima a densa floresta, ocupada pelos imperiais e daí, durante a madrugada, penetrou na mata e evadiu-se. Em carta escrita à sua irmã alguns dias após a sua prisão seguida de fuga, escreveu-lhe Anita:

"Querida irmã: ... Além disso, tinha caída prisioneira dos imperiais, que zombavam de mim e dos farrapos, dizendo que estávamos desesperados e que estávamos até usando frágeis mulheres nos combates. A única coisa que eu podia fazer era manifestar meu desprezo por gente daquela espécie, com um pouco da gíria pitoresca de Laguna, que você conhece ... Devem ter ficado irritados com a minha altivez, e o comandante deles me disse que eu não tinha motivo para ser arrogante, que me conhecia e sabia da minha fama de vagabunda e que eu ia ter o que merecia, já que o capitão José Garibaldi estava morto.

Ao ouvir isso senti uma coisa no coração e não consegui esconder o pânico que tomou conta de mim. José morto! Era uma idéia tão insuportável, que logo pensei: "Também quero morrer". Depois, voltando a mim, retruquei: "Não é possível, está dizendo isso para me espezinhar." Mas ele continuava a insistir com uma cara tão sincera, que a minha angústia foi aumentando, sentia falta de ar, minhas mãos ficaram geladas. Então implorei que pelo menos me deixassem ver José pela última vez, mas ninguém me dava atenção ...

Finalmente chegou um tal general Albuquerque, que sentiu pena do meu desespero e consentiu que eu fosse até o campo onde se travara a batalha, para procurar o corpo de José. Entre os matagais e as rochas jaziam os mortos e os feridos. Os urubus estavam empoleirados nas árvores, em bandos. Você não pode imaginar o horror daquele campo. Eu caminhava, tomada de uma agitação louca. No começo, fui andando de um lado para o outro, desorientada, atrás de uma forma, de um movimento, de um gemido.

Depois pensei em procurar com mais método, para não deixar passar nenhuma vítima. Cada vez que eu via a morte no rosto de um homem sentia horror e piedade e, ao mesmo tempo, uma alegria lancinante por não ser o meu José. Finalmente, já de noite, tive a certeza de que ele não estava entre aqueles corpos estendidos e de que tinha conseguido fugir. Lembrei que ele sempre me dizia para não me preocupar, que ele nunca morreria num campo de batalha, porque o Deus da justiça o protegia. Antes eu ria e me divertia com suas palavras. Mas agora percebia que tinha errado em não acreditar nele e tinha sido castigada com o maior sofrimento da minha vida. Achei que só me restava fugir o mais depressa possível.

Olhando ao redor, notei que, na penumbra das fogueiras do acampamento, os soldados descansavam, cheios de cachaça, sem desconfiar de nada. Ninguém imaginava que uma mulher sozinha iria aventurar-se no mato. Saí da clareira pé ante pé, sem fazer barulho. Cheguei perto de alguns cavalos atrelados e segurei a crina de um que estava parado atrás dos outros, onde a escuridão era maior.

Logo depois, eu estava fugindo como o vento, através das matas, sem que ninguém tivesse notado. ... e procurei me orientar naquele sentido de Lages, mas não sei o quanto me desviei do caminho. Encontrei todo tipo de obstáculos, até mesmo um rio em cheia, o rio Canoas, como vim a saber mais tarde. Estava com fome e nem tinha certeza de que José tinha conseguido voltar para a cidade. Dois dias depois, cheguei numa casa que achei que estava reconhecendo. Felizmente, os camponeses sabiam a direção que os farrapos tinham seguido e me ofereceram café.

Você não imagina a delícia que foi aquilo. Eles queriam que eu descansasse e pernoitasse na casa deles. Não aceitei, pois não ia conseguir dormir. Estava muito angustiada ... . Não conseguia ficar tranqüila. Assim, bebi aquele café e fui embora, galopando no escuro. (50)

Garibaldi completa a narrativa :

"...e aí, sem ser reconhecida, uma mulher a recebeu e protegeu. O meu ponche, que eu havia abandonado para ter os movimentos mais livres, e que tinha caído em poder de um soldado inimigo, foi por ela trocado pelo seu, que era de grande valor. Quando chegou a noite, Anita lançou-se na floresta e desapareceu. Era necessário possuir um coração de leão para assim se arriscar. Só quem já viu as imensas florestas que cobrem os cimos do Espinhaço, com os seus pinheiros seculares, que parecem destinados a sustentar o céu, e que são as colunas deste esplendido templo da natureza, as gigantes canas que povoam os intervalos e que estão cheias de animais ferozes e de répteis de que a mordedura é venenosa, poderá fazer uma idéia dos perigos que ela correu e das dificuldades que teve a vencer. Felizmente Anita ignorava o que era medo.

De Curitibanos a Lages são vinte léguas. Como ela atravessou esses bosques impenetráveis, só e sem alimentos, só Deus sabe. Os poucos habitantes desta parte da província que ela tinha de atravessar eram hostis aos republicanos e logo que souberam da nossa derrota, armaram-se e fizeram emboscadas sobre muitos pontos e, principalmente, nas picadas que os fugitivos tinham a atravessar de Curitibanos a Lages. Nos cabeçais, isto é, nos sítios quase impraticáveis destes atalhos, teve lugar uma horrível carnificina nos nossos desgraçados companheiros. Anita atravessou de noite estes sítios perigosos e, ou fosse a sua boa estrela, ou a admirável resolução com que os atravessou, o seu aspecto fez sempre fugir os assassinos, que fugiam, diziam eles, perseguidos por um ser misterioso! Na realidade era estranho ver esta valente mulher, montada num ardente cavalo, pedido e obtido numa casa onde havia recebido a hospitalidade durante uma noite de tempestade, galopando por cima dos rochedos, à claridade dos relâmpagos.

Quatro soldados imperiais, colocados como vigias na passagem do rio Canoas, fugiram à vista desta visão, escondendo-se atrás das moitas que guarnecem o rio. Durante este tempo, Anita chegara à margem do rio, tornado muito tempestuoso por causa das muitas cheias e atravessou-o, não como tinha feito dias antes, num excelente barco, mas sim a nado, animando com a voz o seu magnífico cavalo.

As ondas precipitavam-se furiosas, não num estreito espaço, mas numa extensão de quinhentos passos e, apesar disso, Anita chegou sã e salva à outra margem. Uma chavena de café foi o único alimento que a intrépida viajante tomou durante os quatro dias que gastou em alcançar na Vacaria a tropa do Coronel Aranha. Foi ai que nos encontramos, Anita e eu, depois de uma separação de oito dias, e de nos julgarmos mortos. Que alegria não foi a nossa ! ... (51)

Após receber por troca o poncho claro de Garibaldi, Anita embrenhou-se na mata, pelos atalhos da imensa floresta de araucárias, pois as picadas, além de infestadas de imperiais, estavam alagadas pelas constantes chuvas daqueles últimos dias, deixando os pequenos rios cheios, com seus leitos alargados, o que os tornou intransponíveis. Quando tinha espaço aberto a sua frente, metia-se a todo galope, fazendo esvoaçar o poncho quase branco.

Era noite quando chegou as margens do Rio Canoas. Fugiram as quatro sentinelas legalistas ali postadas, pois a luz dos trovões vendo um vulto galopando envolto em um pala claro, imaginaram tratar-se de assombração. Chegando as margens do Rio Canoas, Anita jogou seu cavalo nas fortes correntes d'água do rio, e agarrando-se às crinas do cavalo traspassou o perigoso e cheio vau.

Wolfang L. Rau narra em sua obra (52) que, segundo relatado pelo falecido Sr. Paulino Granzotto ao seu filho e prefeito Euclides Granzotto, o nome da atual cidade de Anita Garibaldi foi dado á cidade originária como distrito de Lages, para homenagear a coragem da guerreira republicana, quando por ali passou, após cruzar a nado o vizinho Rio Canoas, na altura do Passo do Lourenço. Daí teria dirigido-se ao Rio Pelotas, que também o teria atravessado a nado no Passo da Pedra Ouveira, hoje Balsa de São Vicente, para após dirigir-se ao encontro de Garibaldi, nos campos das Vacarias.



ANITA REFUGIOU-SE EM LAGES E REENCONTROU GARIBALDI

Cautelosa, ao chegar em Lages, teve confirmada a notícia de que tanto ansiava receber: Garibaldi não estava morto ! Mas os republicanos, sabedores das forças imperiais que estavam vindo de Santos, comandadas pelo General Labatut, entenderam que seria um suicídio permanecerem e resistirem em Lages, pois contavam apenas com cerca de oitocentos homens. Também já tinham recebido mensagem de Bento Gonçalves de que do Rio Grande do Sul não seriam enviadas forças auxiliares, como também deveriam os republicanos retirarem-se de Lages e unirem-se na Vila da Setembrina, atual Viamão, onde os farroupilhas estavam concentrando seus exércitos para atacarem e tomarem a cidade de Rio Grande e seu importante Porto. Além do que, era eminente que Lages sofreria ataque legalista. Após a derrota de Marrrombas, desiludido de seus planos iniciais, cumprindo ordens superiores, ordenou Teixeira Nunes a desocupação da Vila de Lages, em direção a Vacaria e depois à Setembrina.

Como não há registro corretos, existem contradições a respeito do local onde Garibaldi e Anita se reencontraram, isto é, se foi em Lages ou em Vacaria. Enquanto alguns historiadores afirmam que quando Anita chegou a Lages, a Vila já havia sido abandonada pelos republicanos, outros afirmam que os republicanos ficaram em Lages até meados de março, abandonando a cidade após. O autor define-se pelo encontro na cidade de Vacaria, posto que Garibaldi, em suas memórias assim o narra. De Curitibanos a Lages, percorreu aproximadamente oitenta quilômetros por dentro da mata e dos campos. De Lages a Vacaria percorreu mais de cem quilômetros.

Se reencontraram-se em Lages ou em Vacaria, o fato é que, exausta, chegou em Lages e procurou ocultar-se em uma casa na área central da Vila, próximo a igreja, que era habitada por duas senhoras. Inicialmente, por estar com seus cabelos presos sob o chapéu e vestida com roupas masculinas, foi confundida com um soldado, motivo pelo qual negaram-lhe abrigo. Como duas senhoras probas e íntegras poderiam justificar aos seus vizinhos o pernoite de um homem desconhecido em sua residência ? Porém, em gesto silencioso, Anita abriu sua camisa e expôs seus seios, como forma de identificar sua feminilidade. Foi-lhe, então, concedida guarida. Ali alimentou-se e repousou e na manhã do dia seguinte colocou-se novamente em marcha, até atingir a Vila de Vacaria.

Quando os alcançou e encontrou-se com Garibaldi, Teixeira Nunes, na presença dos demais oficias, surpreso perguntou à Anita como tinha conseguido chegar tão longe sozinha, ao que ela respondeu:

- Vim vindo, Coronel !

Era o dia 18 de março de 1840, quando atravessaram o Rio Pelotas, partindo definitivamente de Santa Catarina. Em Vacaria, já na Província do Rio Grande do Sul, estavam fora do território barriga verde. Anita pressentiu estarem definitivamente encerrados e sepultados os sonhos republicanos e farrapos, que também eram seus, pela autodeterminação da República Catarinense, que deveria ser transformada em uma das repúblicas que constituiria uma confederação de estados livres e soberanos, fundamentados nos princípios trazidos pelos ventos libertários que sopraram do Velho Continente: igualdade, fraternidade e humanidade...

CASA DE LAGES ONDE ANITA PEDIU "POUSO"

Em Lages, nesta casa, após fugir de Curitibanos, Anita escondeu-se por uma noite. Para provar que era mulher, mostrou os seios às duas senhoras que ali residiam.
Em Lages, nesta casa, após fugir de
Curitibanos, Anita escondeu-se por uma noite.
Para provar que era mulher, mostrou os seios às
duas senhoras que ali residiam.


(44)- ANITA A MULHER DO GENERAL - ANITA GARIBALDI- pg. 66
(45)- ANITA GARIBALDI A MULHER DO GENERAL - ANITA GARIBALDI - pg 66/67
(46)- GARIBALDI, GUERREIRO DA LIBERDADE - ANSELMO AMARAL - pg 50/51
(47)- GARIBALDI E A GUERRA DOS FARRAPOS - LINDOLFO COLLOR - pg 306
(48)- GARIBALDI O GUEREIRO DA LIBERDADE - ANSELMO AMARAL - PG 51
(49)- IDEM
(50)- ANITA GARIBALDI A MULHER DO GENERAL - ANITA GARIBALDI
(51)- GARIBALDI - O GUERREIRO DA LIBERDADE - ANSELMO AMARAL).
(52)- ANITA GARIBALDI O PERFIL DE UMA HEROÍNA BRASILEIRA - pg 181