extraído do jornal
Zero Hora
Segundo Caderno
30/03/2002
O pai da música gaúchaCD "Barbosa Lessa 50 Anos de Música" reúne 25 composições do folclorista Mais que uma homenagem ao folclorista e escritor Barbosa Lessa, morto no dia 11 de março passado, o CD "Barbosa Lessa 50 Anos de Música" é um ato de justiça. Reunindo 25 músicas compostas por Barbosa Lessa especialmente nas décadas de 50 e 60, o disco deixa claro: o gaúcho de Piratini não deve ser lembrado apenas por ter criado Negrinho do Pastoreio, mas por ser um dos definidores do que seria a música gaúcha. Aquele que segue os passos de Barbosa Lessa pela vida suspeita que ele sempre correu atrás de inspiração. Nascido em 1929, foi alfabetizado e aprendeu datilografia, piano e teoria musical em casa, com a mãe. Aos 12 anos, em Pelotas, formou seu primeiro conjunto musical. Com 16, era repórter da Revista do Globo e já se interessava pela cultura gaúcha. Dois anos depois, com Paixão Côrtes, ajudava a criar o CTG 35. Entre 1950 e 1952, a grande jornada: ele e Paixão saem pela América do Sul a pesquisar e recolher elementos para construir o folclore gaúcho. Entre 1954 e 1974, período em que morou em São Paulo trabalhando em publicidade, teatro, cinema e literatura, aproximou-se de intérpretes do centro do país e teve seu período de maior produção musical. O talento como compositor é explicado de maneira direta pelo próprio Barbosa Lessa, no encarte do disco: – Ainda na adolescência, fiz minha primeira canção, Quero-Quero, e achei até que ficou bem engraçadinha. Me entusiasmei e fui em frente. Pelo caminho, Barbosa Lessa foi compondo toadas e polcas missioneiras, valsas campeiras, xotes, recortado, limpa-bancos e mazurcas. No final, acabou criando música e modelos, num pioneirismo que ele novamente relativiza: – Para saber o que o público entenderia como música do Rio Grande, fui tenteando os ritmos. Repertório tem toadas,
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