extraído do suplemento
Casa&Cia do jornal Zero Hora
de 31/10 a 06/11/2000
Reportagem de Rosele Martins
Fotografias de Carlos Edler/ZH
![]() Natureza SoberanaReportagem de Rosele Martins
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O patrono da 46a Feira do Livro de Porto Alegre desfruta diariamente da beleza do sítio onde mora, em Camaquã. |
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O ruído provocado pelo cair da água na cascata é a trilha sonora preferida do escritor, compositor e folclorista Luiz Carlos Barbosa Lessa, 70 anos. Na tranqüilidade da Reserva Água Grande, propriedade de 14 hectares localizada em Camaquã, onde escolheu viver há 13 anos, a natureza é generosa. Cercado pela mata nativa e pela fauna diversificada que preenche o campo com bugios, tucanos, gralhas-azuis e inúmeras espécies de passarinhos, ele encontra o cenário ideal para descansar e escrever. A bblioteca de 2 mil volumes acomodados em um anexo de costaneira - tábua obtida da extremidade exterior de um tronco -, construído em frente à casa, é o recanto predileto de Barbosa Lessa.
Ali ele passa a maior parte dos dias, entre livros, documentos, recortes de jornais e discos de vinil com composições suas. A placa na porta é lembrança do consultório do pai, médico que clinicava na região de Piratini e Canguçu.
A companhia constante é a de dona Nilza, com quem está casado desde outubro de 1959. A duradoura união rendeu dois filhos e dois netos, que se esbaldam no verde abundante do sítio dos avós quando a agenda dos pais permite. Nascido em Piratini, o advogado, formado pela UFRGS em 1952, nunca exerceu a profissão. Culpa disso foi o envolvimento com as letras - relacionamento iniciado ainda na adolescência, quando editava jornaizinhos escolares, e seguido do trabalho na extinta Revista do Globo e em outros veículos de Porto Alegre. Em 1954 foi tentar a sorte em São Paulo e montou uma produtora independente de televisão, rádio e cinema. Após 20 anos na capital paulista, mudou-se para Porto Alegre em busca de segurança para os filhos então adolescentes. De volta ao Rio Grande do Sul, atuou como assessor de imprensa e foi também secretário de Cultura no governo Amaral de Souza. A retirada da aposentadoria, obtida em 1987, é a única razão para a vinda à Capital, uma vez por mês. No ágil dedilhar sobre a máquina de escrever, Barbosa Lessa redige seus livros - hoje são cerca de 60 publicações - e artigos para jornais, a exemplo das colaborações periódicas para o caderno Cultura, encartado aos sábados em Zero Hora. ![]()
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