CULTURA

Causos de Barbosa Lessa
Fascículo do IEL compõe a biografia do historiador gaúcho

CRIS GUTKOSKI

    Barbosa Lessa, patrono da Feira do Livro, em seu sítio, nos arredores de Camaquã (Emílio Pedroso, Banco de Dados/ZH - 16/4/2000)

            O fascículo da série Autores Gaúchos que o IEL (Instituto Estadual do Livro) lança hoje tenta dar conta da vasta atividade intelectual de Barbosa Lessa.

            O patrono da 46ª Feira do Livro de Porto Alegre costuma torcer o nariz quando reduzem ao rótulo de “folclorista” todo o seu talento e trabalho em prol da divulgação da cultura gaúcha.

            Luiz Carlos Barbosa Lessa está com 70 anos e escreve desde os 10. Datilógrafo mirim e leitor de O Globo Juvenil por incentivo dos pais (ele médico, ela professora de música), seu primeiro livro tinha 60 páginas grampeadas e o título de Um Assassinato no Texas. O fascículo do IEL recorda em duas passagens a reviravolta definidora de sua opção pela história local. Em Piratini, o menino Luiz Carlos mostrava seus textos ao irmão mais velho, Paulo, e ouvia críticas à mania de só escrever sobre cowboys dos Estados Unidos.

            – Por que não escreves sobre Piratini, sobre as proezas do domador Donato ou os heróis farroupilhas? – quis saber Paulo.

            Barbosa Lessa revidou, admirado:

            – Mas pode?

            Podia, ainda que nos anos 30 o Estado Novo tivesse proibido até as bandeiras e os hinos estaduais. E com tanto afinco ele se lançou à missão de arqueólogo da cultura sulista que a sua bibliografia soma hoje 56 títulos. O primeiro romance, Os Guaxos, de 1959 (na época, o escritor já havia se transferido para São Paulo, onde trabalhou por 20 anos em rádio, TV e publicidade), foi premiado pela Academia Brasileira de Letras e elogiado por Jorge Amado.

            – Eu recebi este elogio do Jorge e saí todo bobo – contou Barbosa Lessa em uma entrevista ao professor Luís Augusto Fischer concedida em setembro do ano passado.

            Barbosa Lessa relembra sua estréia como escritor e insiste no seu estilo espontâneo de composição. Diz que se sente melhor quando escreve ficção baseado em história e refuta as intenções de uma suposta ciência do folclore.

            – Para mim, é o mesmo trabalho escrever uma novela policial ou um livro regionalista – afirma.

            No fascículo, Leandro Sarmatz, mestre em Letras, assinala que o escritor é movido por ímpeto pedagógico, mais do que artístico. Dezenas de fotografias ajudam a compor a história privada do homenageado. Uma pena que um conteúdo tão esclarecedor esteja embalado numa capa e contracapa tão desleixadas em época de incrementos diários na programação visual.

SAIBA MAIS
O QUE: lançamento com sessão de autógrafos do fascículo sobre Barbosa Lessa da coleção Autores Gaúchos. IEL, 68 páginas
QUANDO: a partir das 19h
ONDE: rua André Puente, 318, fone (51) 311-7311
QUANTO: o fascículo custa R$ 8