extraído do jornal
Zero Hora
Caderno de Cultura
16/03/2002
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Segundo o ritual dos guaranis, o menino se aproxima aos poucos da roda do fogo e se torna homem quando aprende a escutar a fala dos mais velhos. Barbosa Lessa lembrava com esta lenda o seu próprio aprendizado em Piratini, na fazenda do pai, o guri arquivando no coração as lides do futuro pesquisador.- "Eu gostava muito de ouvir os causos, não só do Negro Donato como da peonada, na beira do fogo, e foi essa a escola". Para os narradores da História da linhagem de Barbosa Lessa, os fatos também têm sentimentos, como destaca o artigo nas páginas centrais deste Cultura dedicado à memória do escritor, compositor e folclorista. Foi-se o homem, aos 72 anos, na madrugada do último domingo, mas já renovam-se as lendas. Nos campos de Camaquã, conta-se agora que os beija-flores se multiplicaram freneticamente nas horas em que Barbosa Lessa ficou em coma no hospital, a partir da sexta-feira, dia 8. Ele havia sido internado na quinta, fragilizado pelo câncer no pulmão direito, e perdeu em seguida a fala e a consciência. No sítio Águas Claras, onde o escritor morava, bebedouros espalhados aliviavam a sede do passaredo naqueles dias de calor ínfernal. Barbosa Lessa entendia de beija-flores, que levam no bico as almas puras das crianças guaranis até a Terra sem Males. |
