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Neste mês, será lançada uma antologia
sobre os 50 anos de música do compositor. Serão 26
faixas com pérolas do cancioneiro gaúcho
interpretadas por Luis Gonzaga, Noel Guarany, Leopoldo
Rassier entre outros. "Ainda na adolescência fiz minha
primeira canção Quero Quero, achei até que ficou bem
engraçadinha. Me entusiasmei, parti para a segunda, a
terceira e assim por frente", diz o texto assinado por
Lessa no encarte.
O velório do escritor será
realizado no CTG 20 de Setembro, em Piratini, de onde
sairá às 17h para o enterro no cemitério da cidade.
Nascido em 13 de dezembro de 1929,
numa chácara nas imediações da histórica vila de
Piratini, Barbosa aprendeu as primeiras letras e quatro
operações com sua própria mãe, a qual também lhe ensinou
teoria musical, um pouco de piano e, inclusive, uma
novidade na época chamada datilografia.
Indo
cursar o ginásio na cidade de Pelotas, aos doze anos
fundou um jornal escolar ("O Gonzagueano"), em que
publicou seus primeiros contos. Foi ainda um dos
fundadores do grupo "Os Minuanos".
Para cursar o
2º grau colegial, transferiu-se para Porto Alegre,
ingressando no Colégio Júlio de Castilhos. Aos 16 anos
já colaborava para uma das principais revistas
brasileiras de cultura ("Província de São Pedro") e
obteve seu primeiro emprego como revisor e repórter da
"Revista do Globo".
Participou da primeira Ronda
Crioula/Semana Farroupilha e, munido de um caderno de
aula para coletar assinaturas de eventuais jovens que se
interessassem pelo assunto, tomou a iniciativa para a
fundação do primeiro Centro de Tradições Gaúchas (CTG),
o "35".
Nesta agremiação ele retomou seu
interesse pela música regional e, na falta de
repertório, foi criando suas primeiras canções, como a
toada "Negrinho do Pastoreio" - hoje um clássico da
música regional gaúcha.
Em 1952, formou-se
Bacharel pela Faculdade de Direito de Porto Alegre
(UFRGS).
A lado de Paixão Côrtes realizou
de 1950 a 1952 um levantamento de resquícios de
danças regionais e produziu a recriação de danças
tradicionalistas. Resultado dessa pesquisa da
dupla foi o livro didático "Manual de Danças
Gaúchas" e o disco long-play (o terceiro LP
produzido no Brasil) "Danças Gaúchas", na voz da
cantora paulista Inezita Barroso. |
Foto: René
Cabrales |
Em 1956 montou um grupo teatral para
apresentação de sua comédia musical "Não te assusta,
Zacaria!", e saiu divulgando as danças e os costumes
gauchescos por todas as regiões do Rio Grande do Sul,
colhendo aplausos também nas cidades de Curitiba e São
Paulo. Lá viveu 20 anos, trabalhando em produção de
cinema e TV, até sua volta para o Estado. No retorno,
com passagem pelo Diário de Notícias e pela Revista do
Globo, foi também secretário estadual da Cultura, quando
ajudou a idealizar a Casa de Cultura Mario Quintana.
Atuou ainda como colunista do jornal Zero Hora, no
Caderno Cultura, por muitos anos.
Voltou a Porto
Alegre em 1974, já como especialista em Comunicação
Social, tendo trabalhado na Mercur Publicidade e
Companhia Riograndense de Saneamento, CORSAN.
Aposentou-se como jornalista em 1987.
Atualmente
o escritor residia em Camaquã, com sua esposa Nilza,
numa reserva ecológica, dedicada à produção artesanal de
erva-mate e plantas medicinais. Tinha dois filhos.
Entre suas músicas, destacam-se
"Negrinho do Pastoreio", "Quero-Quero", "Balseiros do
Rio Uruguai", "Levanta, Gaúcho!", "Despedida", bem como
as danças tradicionalistas em parceria com Paixão
Côrtes.
Na literatura os destaques são os
romances "República das Carretas" e "Os Guaxos"
(premiado em 1959 pela Academia Brasileira de Letras),
os contos e crônicas de "Rodeio dos Ventos", o ensaio
indigenista "Era de Aré", a tese pioneira "O Sentido e o
Valor do Tradicionalismo", e o ensaio "Nativismo, um
Fenômeno Social Gaúcho".
Confira alguns links:
- A última crônica - Leia na íntegra entrevista exclusiva do
autor para o Extra Classe (nº 46, outubro de
2000) - Trecho de "Os Guaxos" - Músicas - Livros - Crônicas |