extraído do
site oficial do SINPRO
Sindicato dos Professores
do RGS - 13/03/2002

Olá Cohen,
O texto publicado no site é de Ana Esteves.
Um abraço e obrigada.



Aos 72 anos, o autor de "Os Guaxos" foi vítima de câncer
Foto: René Cabrales
O escritor Barbosa Lessa, 72 anos, morreu na madrugada desta segunda-feira, 11, no hospital Nossa Senhora Aparecida, em Camaquã, vítima de câncer no pulmão.

Autor do premiado "Os Guaxos", ao longo de 50 anos, ele produziu 62 livros, além de peças de teatro, ensaios, músicas e textos jornalísticos. Em 2000, foi patrono da 46ª Feira do Livro de Porto Alegre e atualmente era colunista do Jornal Extra Classe, do Sinpro/RS.

Neste mês, será lançada uma antologia sobre os 50 anos de música do compositor. Serão 26 faixas
com pérolas do cancioneiro gaúcho interpretadas por Luis Gonzaga, Noel Guarany, Leopoldo Rassier entre outros. "Ainda na adolescência fiz minha primeira canção Quero Quero, achei até que ficou bem engraçadinha. Me entusiasmei, parti para a segunda, a terceira e assim por frente", diz o texto assinado por Lessa no encarte.

O velório do escritor será realizado no CTG 20 de Setembro, em Piratini, de onde sairá às 17h para o enterro no cemitério da cidade.

Nascido em 13 de dezembro de 1929, numa chácara nas imediações da histórica vila de Piratini, Barbosa aprendeu as primeiras letras e quatro operações com sua própria mãe, a qual também lhe ensinou teoria musical, um pouco de piano e, inclusive, uma novidade na época chamada datilografia.

Indo cursar o ginásio na cidade de Pelotas, aos doze anos fundou um jornal escolar ("O Gonzagueano"), em que publicou seus primeiros contos. Foi ainda um dos fundadores do grupo "Os Minuanos".

Para cursar o 2º grau colegial, transferiu-se para Porto Alegre, ingressando no Colégio Júlio de Castilhos. Aos 16 anos já colaborava para uma das principais revistas brasileiras de cultura ("Província de São Pedro") e obteve seu primeiro emprego como revisor e repórter da "Revista do Globo".

Participou da primeira Ronda Crioula/Semana Farroupilha e, munido de um caderno de aula para coletar assinaturas de eventuais jovens que se interessassem pelo assunto, tomou a iniciativa para a fundação do primeiro Centro de Tradições Gaúchas (CTG), o "35".

Nesta agremiação ele retomou seu interesse pela música regional e, na falta de repertório, foi criando suas primeiras canções, como a toada "Negrinho do Pastoreio" - hoje um clássico da música regional gaúcha.

Em 1952, formou-se Bacharel pela Faculdade de Direito de Porto Alegre (UFRGS).

A lado de Paixão Côrtes realizou de 1950 a 1952 um levantamento de resquícios de danças regionais e produziu a recriação de danças tradicionalistas. Resultado dessa pesquisa da dupla foi o livro didático "Manual de Danças Gaúchas" e o disco long-play (o terceiro LP produzido no Brasil) "Danças Gaúchas", na voz da cantora paulista Inezita Barroso.

Foto: René Cabrales

Em 1956 montou um grupo teatral para apresentação de sua comédia musical "Não te assusta, Zacaria!", e saiu divulgando as danças e os costumes gauchescos por todas as regiões do Rio Grande do Sul, colhendo aplausos também nas cidades de Curitiba e São Paulo. Lá viveu 20 anos, trabalhando em produção de cinema e TV, até sua volta para o Estado. No retorno, com passagem pelo Diário de Notícias e pela Revista do Globo, foi também secretário estadual da Cultura, quando ajudou a idealizar a Casa de Cultura Mario Quintana. Atuou ainda como colunista do jornal Zero Hora, no Caderno Cultura, por muitos anos.

Voltou a Porto Alegre em 1974, já como especialista em Comunicação Social, tendo trabalhado na Mercur Publicidade e Companhia Riograndense de Saneamento, CORSAN. Aposentou-se como jornalista em 1987.

Atualmente o escritor residia em Camaquã, com sua esposa Nilza, numa reserva ecológica, dedicada à produção artesanal de erva-mate e plantas medicinais. Tinha dois filhos.

Entre suas músicas, destacam-se "Negrinho do Pastoreio", "Quero-Quero", "Balseiros do Rio Uruguai", "Levanta, Gaúcho!", "Despedida", bem como as danças tradicionalistas em parceria com Paixão Côrtes.

Na literatura os destaques são os romances "República das Carretas" e "Os Guaxos" (premiado em 1959 pela Academia Brasileira de Letras), os contos e crônicas de "Rodeio dos Ventos", o ensaio indigenista "Era de Aré", a tese pioneira "O Sentido e o Valor do Tradicionalismo", e o ensaio "Nativismo, um Fenômeno Social Gaúcho".

Confira alguns links:

- A última crônica
- Leia na íntegra entrevista exclusiva do autor para o Extra Classe (nº 46, outubro de 2000)
- Trecho de "Os Guaxos"
- Músicas
- Livros
- Crônicas

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