extraído do suplemento
Feira do Livro do Jornal do Comércio
de 27/10/2000
Fotografia de Cáudio Bergmann/Arquivo/JC
Barbosa Lessa, O Patrono
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![]() O jeito pausado da fala mansa parece remeter a alguém sem pressa. Lêdo engano! Luis Carlos Barbosa Lessa - patrono da 46a Feira do Livro de Porto Alegre - pode ser um morador de Camaquã vacinado contra o stress, mas o ócio passa longe de sua vida. É tradicionalista, pesquisador, escritor, compositor, jornalista, advogado, produtor de eventos e ecologista. Uma de suas caraterísticas mais interessantes, considerando-se os seus 71 anos, é a ausência de saudosismo. Ao olhar para trás, o pesquisador de forma alguma supervaloriza o passado. Pelo contrário, é capaz de ver o quanto certas coisas hoje estão melhores que ontem. Qualquer tipo de preconceito também passa longe de Barbosa Lessa, um homem flexível, desde que não haja comprometimento da tradição. Natural de Piratini (1929), Lessa é, juntamente com Paixão Côrtes, um dos mentores dos centros de tradição e um dos fundadores do 35 CTG, o primeiro da história do Rio Grande. Como compositor, criou obras memoráveis entre as quais Negrinho do Pastoreio, Levanta Gaúcho!, Balseiros do Rio Uruguai e Pôr-do-Sol no Guaíba. E, como escritor, ganhou o prêmio da Academia Brasileira de Letras por seu romance "Os Guachos" (1959). Como secretário da Cultura, Barbosa Lessa ajudou a idealizar a Casa de Cultura Mario Quintana. Agora, vivendo no interior de Camaquã, onde mantém uma reserva ecológica, ele se dedica ao cultivo de ervas medicinais. "Sobre lançamentos, nada em mente. Já lancei alguns no ano passado: "Histórias para Sorrir", "Os Sabores da Terra Gaúcha", e "Nheçú". Agora quero é botar em ordem as fontes de referência na biblioteca, pois viraram um pandemônio. Neta Feira, ele relança o "Crime é um caso de marketing", com sessão de autógrafos na próxima segunda-feira, às 19. Ele conta que a 46a Feira do Livro de Porto Alegre, mexeu com sua rotina, tirando-o do retiro. "Não sei como vou me sair da incumbência, em substituição ao Décio Freitas, mas vou levar nos ombros e na cacunda essa missão". |