A Câmara Rio-grandense do Livro não perdeu tempo. Ontem, o presidente Paulo Flávio Ledur reuniu a imprensa na ARI e revelou o nome do patrono da Feira do Livro 2000. É Luiz Carlos Barbosa Lessa, autor de 59 livros, um dos quais - Os guachos - foi premiado pela Academia Brasileira de Letras. Lessa também é ex-secretário da Cultura e Turismo do Estado, compositor, ex-ator de teatro, pesquisador e um dos fundadores do Movimento Tradicionalista Gaúcho.Natural de Piratini e atualmente morando em Camaquã, ele aceitou a homenagem "com emoção", disse Ledur. O presidente explicou, novamente, o motivo pelo qual a Câmara pretendia fazer a escolha através do voto popular - "era uma reivindicação, inclusive de escritores, levando em conta que hoje o patrono é um agente vivo da Feira, além de homenageado". Explicou, também, o motivo pelo qual voltou atrás, depois da carta que o escritor Sérgio Faraco, que estava entre os 15 indicados por 100 associados da Câmara Rio-grandense do Livro, enviou à imprensa condenando a inovação: "Acredito que sim, que os três finalistas poderiam se sentir realmente constrangidos numa disputa pública", admitiu Ledur. A polêmica deflagrada pela manifestação de Faraco, com adesão de outros indicados - Ruy Carlos Ostermann, Armindo Trevisan e Tabajara Ruas entre eles - durou cerca de um mês. O bom é que a diretoria da Câmara Rio-grandense do Livro manteve a calma, pelo menos aparentemente, e encerrou a querela com uma postura no mínimo elegante: reconhecendo que insistir na inovação seria um erro. Um erro grave, na opinião de algumas pessoas, segundo as quais a escolha através de cupons recortados de jornal correria o risco de confundir escritor com cronista esportivo, não refletindo a preferência do leitor de livros. De toda maneira, Ledur acredita que "foi uma experiência válida" que serviu para abrir um debate antecipado sobre a Feira. |