extraído do guia da
46a Feira do Livro de Porto Alegre/RS
de 27 de outubro a 15 de novembro de 2000
Redação da jornalista Marjori Michelin


copiado do guia da 46a Feira do Livro de Porto Alegre/RS
de 27 de outubro a 15 de novembro de 2000
redação da jornalista Marjori Michelin

 
Negrinho do Pastoreio, acendo esta vela para ti, e peço que me devolvas a querência que eu perdi.

Quem não conhece? Quem já não cantarolou, um trecho que seja, um dia? O que muita gente não sabe é que o autor desses versos tão nossos, gaúchos, tão simples e ao mesmo tempo tão grandiosos em sua candura, é Luiz Carlos Barbosa Lessa.

Publicitário, escritor e um dos responsáveis pela criação dos centros de tradições gaúchas. Pesquisador, profundo conhecedor da alma gaúcha - e por alma entenda-se tudo, da vestimenta ao vocabulário, passando pela culinária, cancioneiro e espírito -, Barbosa Lessa ficou feliz ao ser convidado para a patronagem da 46a Feira do Livro. Principalmente por constatar que o reconheciam como escritor.

Como não fazê-lo, se ao longo de sua trajetória vem deixando registros preciosos, na forma de romances, contos, canções, obras de histórias, folclore e até mesmo de quadrinhos.

Escritor gaúcho, Barbosa Lessa é símbolo do Rio Grande do Sul e encarna o papel de patrono da Feira do Livro com total propriedade. Um homem de letras, capaz de mostrar o quão universal pode ser o canto de um pampa distante, perdido nos confins do extremo sul-americano.

Breve história de um gaúcho

LUIZ CARLOS BARBOSA LESSA nasceu em 1929 numa chácara nas imediações de Piratini, interior do Rio Grande do Sul. Em casa mesmo, com a mãe, aprendeu a ler, escrever, um pouco de matemática, teoria musical, piano e uma novidade para a época: datilografia.

Cursou o ginásio em Pelotas e aos 12 anos criou um jornal na escola, onde publicou seus primeiros contos. Nesse período, também fundou um conjunto musical, dando os primeiros sinais de apego às manifestações artísticas regionais.

Já em Porto Alegre, aos 16 anos de idade, Barbosa Lessa era aluno do colégio Júlio de Castilhos. Na Revista do Globo, como repórter e revisor, teve seu primeiro emprego. Em 1947, colega de Paixão Côrtes no Julinho, foi um um dos mentores dos centros de tradição gaúcha, os CTGs. Ajudou a fundar o 35, primeiro CTG da história do Rio Grande e começou a compor músicas regionais.

Além de Negrinho do Pastoreio, o patrono é autor de outras canções memoráveis, como Levanta Gaúcho!, Balseiros do Rio Uruguai e Pôr-do-Sol no Guaíba.

Recém-formado em Direito pea Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mudou-se, em 1954, para São Paulo, onde viveu 20 anos, trabalhando em produção de rádio, tevê, teatro, cinema e eventos. No retorno ao Rio Grande, foi Secretário de Estado da Cultura, quando ajudou a idealizar a Casa de Cultura Mario Quintana.

O reconhecimento nacional como escritor veio em 1959, com o romance Os Guaxos.

Barbosa Lessa aposentou-se das atividades formais ligadas à comunicação em 1987 e hoje mantém uma reserva ecológica no interior de Camaquã, no Rio Grande do Sul, onde vive e trabalha artesanalmente com erva-mate e plantas medicinais e, claro, continua escrevendo.