Luiz Carlos Barbosa Lessa
Meus Comentários



Porto Alegre, 23 de julho de 1999.

Olá tchê!

Pois muito me orgulha estar escrevendo estes parágrafos sobre homem tão respeitado e querido no meio tradicionalista, gaúcho e brasileiro.

Pois conheci seo Barbosa quase meio por casualidade. Em 1998, ajudando a Caroline e o Ubiratã, ambos lá da França, a encontrar material sobre a música regionalista, para o trabalho de mestrado dela, marcaram uma entrevista na Martins Livreiro com o homem!

Mas que cousa de loco! Que conhecimento! Com uma simpatia ímpar, foi explanando sobre as origens do chimarrão, o por que do fogo de chão e sua origem índia, e pelaí se foi... E eu, juntando de balde todo este conhecimento.

Embasbacado com tamanha erudição sobre nossa origem, percebi que ele não era o genero campeiro, mas aquele sujeito estudioso, historiador, que se preocupa mais em por que as coisas eram assim do que como é que se faziam. Por isso, recomendo o livro Mão Gaúcha, onde ele cita o artesanato da terra, e de onde surgiram detalhadamente cada cousa.

Pois de há muito vinha ambicionando fazer esta página do home. E larguei uma mensagem pro filho, Guilherme, comentando que eu recebia muitas requisições sobre Barbosa, pedindo informações sobre como contatá-lo e tudo o mais.

E não é que Guilherme estava com tudo preparado para fazer uma página, mas estava sem tempo!? Oigalê tchê, fechou todas e de prima já fui juntando as "cousa" e as "ferramenta" para começar o trabalho.

Só me faltava chispar até Camaquã, lá nas bandas da Água Grande e conversar com o home, que foi o que fiz!

Foi uma tarde pra lá de excepcional.

Primeiramente, me levou por um tour em seu sítio, donde tem uma cascata com belíssima queda d'água. Ele cobra uns pilas do pessoal que pode entrar a vontade, e a cobrança é pra realizar a limpeza de resíduos que >:-/ o pessoal deixa pelali.

Depois, conheci sua "fábrica" de erva-mate. Que na realidade, é tocada pela patroa do seu Barbosa. Um esquema com um forno numa ponta e a erva lá na outra. Depois, outro pequeno galpãozinho para amassar a erva e empacotá-la.

Lá, no meio do mato, sua biblioteca e escritório. Uma cabana solita, que - entupida de livros e recortes, meticulosamente arrumados - serve de morada para o professor quando ele vai para os estudos.

TCHÊ! Que biblioteca, seo!

De quebra, ainda tive a oportunidade de tomar um cafézito feito pelo compadre (hehehe, Cohen se enturmando!!) Barbosa.

Aliás, surpreso fiquei quando perguntei se poderia divulgar seu endereço e, em especial, seu telefone.

"- Mas claro, Cohen, mas claro", como a dizer: manda essa gurizada ligar pra mim, que passo tudo quando é informação.

Bueno, este é um dos motivos pelos quais Barbosa Lessa é meu ídolo máximo na cultura gaúcha. Tenho um baaaaita respeito por todos outros, como Aureliano Pinto, Zeno Nunes, Glaucus, Cezimbra, Erico, Pinheiro Machado, Apparicio, Apolinário, Glauco Rodrigues, mas...

Mas sempre dá Barbosa Lessa disparado. Pela sua simpatia, pela sua preocupação em historiografar tudo e registrar meticulosamente, pelos seus artigos, pela sua importância em criar o MTG, em...

Oigalê, seo!

Chega, liguem pro homem se querem saber por que é que estendo o tapete pro home!

Um baita abraço a todos

Cordialmente

El Cohen

PS: Sem autorização do autor, reproduzo abaixo carta datada de 19/07/99 de seo Barbosa para esse daqui:


"Informações sobre como entrar em contato: chega à cidade de Camaquã, ruma para o linhão da CEEE, vai para Vila Aurora, na bifurcação à saída pega a esquerda, entra na Estrada da Cíntea, vai, vai, vai, vai, chega a uma igrejinha católica, quebra para a direita em ãngulo reto, passa pela frente da igreja luterana Concórdia, uns cem metros depois sai da estrada da Cíntea, passa diante da porteira da Água Grande e, logo depois da casa de um colono, entra à direita e desce desce desce até chegar à minha casa.

Uma casa simples, mas de gente feliz. Feliz, inclusive, por contar com amigos do tipo "cohen! cohen! cohen" -- ganiçar de mão pelada."


Dois comentários meus:

a) é mais fácil ir perguntando pra que lado mora seu Barbosa Lessa; como o homê é conhecido, fica mais fácil, pois foi assim que cheguei lá;

b) quando ao cohen, cohen, é verdade: no sítio dele grassam mãos-peladas que, me contou seo Lessa, certa feita "chutaram" os chinelos dele... hehehehe.. Deixou algo no chão à noite, deu!"

E pra quem quiser espiar as fotos e meu registro adicional da viagem, dá uma bispada aqui em turismo em Camaquã e no sítio do Barbosa.